Archive for the ‘Dança’ Category

Dança Contemporânea: O Que nos Move – Cia Laso

Thursday, September 3rd, 2009

Fazia tempo que não assistia um espetáculo de dança contemporânea, apesar de ser a forma de arte que mais amo depois da literatura.

Arte é uma metalinguagem que nos permite enxergar o que queremos ver ou aquilo em que estamos pensando.

Justamente por isso saí do espetáculo sem conversar com ninguém e vim pela rua repassando mentalmente cada movimento, frase e sentimento para me certificar se eu estava vendo o que queria e não o que o Carlos Laerte (coreógrafo) e o resto da Cia pretendiam passar.

O espetáculo de quase 1h começa com uma moça vestida de urbanidade, movimentando-se com uma aleatoriedade que surpreende (e uma consciência corporal fora de série à propósito) enquanto um vídeo mostra cenas urbanas.

À partir desse ponto o que vi foi o abandono gradativo das roupagens culturais que nos levam a viver em realidades virtuais, afinal a cultura, qualquer cultura, é uma realidade inventada por nossa consciência (ou pelos memes) e somente na pele, fronteira entre dentro e fora do nosso corpo, está nossa roupa real.

E o que nos move? Quando os bailarinos no palco encontram a harmonia dos movimentos?

O som durante a maior parte do espetáculo não é ritmado de forma clara e quando a música impõe uma batida marcante ela não é o suficiente para explicar o que nos move.

Somente no final, no encontro do ritmo no outro é que, finalmente, encontramos harmonia entre os seis bailarinos.

Como disse, posso estar enxergando apenas o que quero ver, afinal há uma infinidade de situações e relações que são representadas pelas coreografias, mas a espinha dorsal que vejo nesse belo espetáculo da Laso é a mesma que venho tentando explorar nos últimos tempos:

Não é nossa cultura que nos define, cada cultura tem seu tempo, sua posição geográfica. O que nos define é uma consciência comum que se manifesta através da diversidade de culturas que criamos.

O que nos move não é a fome, o medo, o poder ou o amor, o que nos move é o outro.

Se as mudanças que temos chamado de cibercultura são na verdade um movimento muito mais vasto realizado por toda cultura humana e a cibercultura é apenas um reflexo ou até protocultura do tipo de sociedade a que nos dirigimos é natural que aquilo que consideramos cultura digital esteja presente em todas as manifestações humanas, afinal a cultura digital não seria a causa da nova cultura, mas apenas uma região de experimentação onde os princípios da nova cultura são colocados à prova.

Bem, está faltando dizer que, embora não seja um espetáculo feito para quem nunca viu dança contemporânea, além de ser esteticamente belo e estimular áreas de prazer intelectual que muitas vezes estão adormecidas, há alguns textos recitados por uma das bailarinas que ajuda a juntar as pontas mesmo para os neófitos (e não incomoda quem se sente “iniciado”).

O Quebra Nozes no Rio Sul

Wednesday, December 10th, 2008

A Suite Quebra Nozes tem mais de 116 anos.

Pense um pouco nisso…

A história da menina que ganha um soldadinho que quebra nozes entre seus dentes, é quebrado por seu primo em um acesso de inveja e o sonho que ela tem ao adormecer na sala escura e sinistra da grande casa do seu tio foi escrita antes das mulheres terem plenos direitos à humanidade, quando acreditávamos que havia raças de humanos e umas eram melhores e outras piores. O que uma história assim tem a nos dizer hoje? O que um balé clássico tem a nos dizer hoje?

Digo para perguntar aos olhinhos compenetrados das diversas crianças com menos de seis anos que vi ontem assistindo o espetáculo oferecido pelo Rio Sul até o dia 17 de dezembro.

Está de parabéns o Rio Sul que decidiu resgatar um pouco da arte do passado em tempos de memesfera, digitosfera, blogosfera, blogolândias, microblogs, contravenções contemporâneas na arte, na dança, na música e até em instituções centenárias como a escola ou milenares como as tradições religiosas. Eles poderiam trazer o Papai Noel de sunga e várias moças em uma coreografia contemporânea que exaltasse o consumo. Ainda bem que não fizeram!

Raramente assisto dança clássica, isso é território da minha esposa (Cláudia Belhassof), responsável por termos sido convidados para a pré-estréia do balé. Apesar disso a beleza e harmonia de um balé clássico sempre me tocam profundamente.

Para que o espetáculo não ficasse muito longo decidiram começar já pelo sonho da Clara logo após a guerra com os ratos, entretanto as mais belas coreografias estão todas lá e executadas com perfeição. O restante da história pode ser visto na exposição que está do lado de fora.

A propósito, antes de assistir o espetáculo confira a exposição que conta a história e apresenta lindas maquetes com marionetes. Isso garantirá que você entenda perfeitamente o balé.

Talvez você duvide da minha máxima de que “A arte é o ar que a consciência respira”, mas vá lá um dia desses e olhe o brilho nos olhos das crianças que saem do espetáculo! Tenho quase certeza que você decedirá ir e levar também seus filhos ou sobrinhos!

Para obter os ingressos você precisa juntar R$1.200 em compras feitas no Rio Sul conforme o regulamento.

Panorama de Dança Contemporânea 2008 – RJ

Thursday, November 6th, 2008
Cia Laso de Dança Contemporânea

Cia Laso de Dança Contemporânea

Estou atrasado, começou no dia 30, mas ainda está em tempo de ver muita coisa boa!

Tem a programação aqui.

Não poderei ver muita coisa, quero assistir pelo menos a Laso (que se apresenta no Suassuna) e a Membros cujos trabalhos já conheço e gosto muito.

Além deles tem as seguintes que eu conheço:

  • Renato Vieira: famoso e bom, mas pessoalmente não curto muito
  • Esther Weitzman: adoro alguns trabalhos dela! Outros não são tão impactantes. Ela apresenta Por Minha Parte que acho que é o mesmo que vi alguns anos atrás e gostei bastante
  • Dani Lima: Também gosto de alguns trabalhos dela, mas não conheço o que ela está apresentando
  • Sônia Destri: dança de rua, é boa
  • Impure Co. / Hooman Sharif: Acho que é a mesma que vi no Sesc há uns 2 anos e era muito boa! De sair cercado por uma nuvem de pensamentos e sensações
  • Staccato Dança: Aprensentando Quinteto que, se não me falha a memória, é uma ótima coreografia que assisti no Sérgio Porto
  • Intrépida Trupe: Eles sempre apresentam algo impressionante que surpreende nossos sentidos

O resto eu não conheço, mas em geral a seleção do Panorama é muito boa.

P.S.: Como é difícil achar fotos do Panorama de Dança Contemporânea! Desisti e inseri uma do último espetáculo da Laso que tive chance de assistir.

Onde estudar dança?

Friday, October 31st, 2008

Nossa, já tem seis dias que recebi a pergunta abaixo (feita pelo formulário de contato do outro blog, o Galeria de Espelhos):

roney adoro danças de todos os ritimos e quero mutio fazer uma facuda dar aulas esse e meu maior sonho qual seu comselho para mi obrigado desde já

Eu falo muito em dança (ainda não comecei a fazer isso aqui no Meme) porque adoro! Principalmente a contemporânea, mas sou apenas um expectador atento?

Em todo caso conheço muitos bailarinos e bailarinas contemporâneos e talvez possa dar algumas dicas!

Se você ainda é jovem e não chegou à idade para a faculdade, mas já ama a dança o melhor a fazer é entrar em uma boa academia. Aqui no Rio tem, por exemplo, a academia Gisele Tápias que funciona dentro do Café Cultural. Tem várias outras cujos trabalhos já assisti e achei muito bons, mas não tenho os sites delas aqui.

Fui atrás de uma lista de sites de companhias de dança boas, mas – como o tempo voa – a última vez que fiz uma lista foi no Dança em Trânsito de 2004. Em todo caso talvez ajude.

Se você já está pronto ou pronta para a faculdade então as possibilidades são escassas…

Nós temos a Angel Viana no Rio de Janeiro e sei que temos pólos importantes de dança em universidades em São Paulo (creio que a Unicamp tem) e na Bahia.

Se o seu interesse é a dança clássica talvez o melhor caminho seja procurar o teatro Municial da sua cidade e se informar.