Archive for the ‘Ação’ Category

Twestival: Sociedade Viva Cazuza e ações sociais

Thursday, September 3rd, 2009

clique-doe-vakinhaO Twestival é um evento para reunir pessoas que se comunicam pelo Twitter e, como surgiu na Inglaterra, um país com forte tradição em ação social, aproveita-se para ajudar alguma instituição.

No Rio de Janeiro a instituição escolhida foi a Sociedade Viva Cazuza, que dá lar e família para 22 crianças que, de outra forma, teriam poucas razões para crer na humanidade.

Esse tema pode parecer um pouco deslocado nesse blog, mas além de eu fazer parte da organização da edição carioca, as ações sociais em geral também mudarão caso estejamos de fato diante de uma nova forma de cultura.

É comum pensarmos que não adianta ajudar os outros pois essas sociedades existem por falta de eficiência do governo e que não cabe a nós assumir seu papel, mas…

Já não se trata de sustentar ações assistencialistas (coisa que entendo que a Sociedade Viva Cazuza não é), mas de passar para aquelas 22 crianças, e para todas as outras pessoas, a mensagem de que talvez a política e os jogos de poder das corporações sejam uma vergonha para a humanidade, mas nós, indivíduos não somos uma vergonha e nem somos mais indivíduos isolados.

Ao nos organizarmos via Twitter, Orkut, Facebook, blogs e outras redes sociais mostramos nosso poder.

Ao usar esse poder para ajudar um pequeno grupo de 22 crianças estamos mostrando que, mais que poder, temos compaixão.

Espero que essa mobilização ajude também a mobilizar autoridades ou setores da sociedade carioca que se interessem em ajudar a manter o lar dessas crianças.

Outras cidades brasileiras estão criando suas próprias versões do evento e ajudarão outras entidades (retirado do Twitcast):

Outros posts sobre o Twestival RJ:

Atos simbólicos não param trens

Sunday, March 29th, 2009

Ontem dezenas de milhares de pessoas, talvez até muitos milhões, apagaram as luzes da sala por uma hora em um gesto simbólico pela redução da nossa interferência nociva em nosso próprio habitat. Várias iluminações públicas ostensivas foram apagadas também como o Arco do Triunfo e nosso senado.

Os 1,6 bilhões de pessoas que não tem acesso a luz elétrica se desculpam por não ter parcipado.

Que impacto tem um gesto simbólico?

Nós praticamos gestos simbólicos quando não podemo agir, quando nossas vozes foram silenciadas ou nossas mãos foram atadas.

No início desse ano houve um “debate” sobre a lei de cibercrimes (chamada lei Azeredo) na campus party e não pudemos falar… No momento das considerações finais do representante do senador Azeredo nos levantamos e viramos as costas em gesto simbólico de protesto.

… E corremos para nossos blogs depois para falar!

Lá se vão três meses e além de falar estamos agindo, você também devia agir! Agora mesmo mandei a sugestão abaixo para o Aulete Digital:

Saudações,

A palavra vigilantismo ainda não existe nem mesmo no Aulete Coletivo (estou em outra aba sugerindo a sua inclusão), mas já atinge todos nós.

Talvez vocês já estejam cientes do PL 84/1999  chamado Lei Azeredo e do impacto negativo que ele terá sobre todos nós, inclusive a viabilidade do Aulete Digital ou mesmo o em papel uma vez que um país cuja liberdade de expressão é restrita as palavras são as primeiras vítimas…

Estou aqui portanto para sugerir que vocês abordem esse assunto uma ou duas vezes por mês no serviço “palavra do dia”. Há várias que abrem espaço para isso como democracia, senador, deputados, governo, fascismo etc.

Sugiro a leitura do blog do Sérgio Amadeu.

Escrevi recentemente um artigo que pode servir de ponto de partida para sua pesquisa: Campus Party – Levante sua Voz

E quando ao aquecimento global?

Nossos gestos simbólicos vão deter o trem? Eles são tudo que nos resta? Não há uma palavra que possamos dizer, uma ação que possamos iniciar para efetivamente preservar o habitat mais adequado à vida humana?

E quanto às condições mínimas para uma pessoa se considerar humana como o acesso a água potável, energia e educação que mais de um bilhão de pessoas não tem? O que faremos efetivamente por isso?

  • Você consome além do que precisa?
  • Você pressiona seu prédio para fazer coleta coletiva?
  • Já se aproximou das organizações civis que procuram melhorar as condições de vida na comunidade mais próxima da sua casa?
  • Quantas vezes por ano você escreve sobre o que pensa sobre meio ambiente e justiça social?
  • Quantas horas por semana apaga as luzes e se dedica a pensar no que você pode fazer pelos outros?
  • Quantas vezes por semana ajuda alguém?
  • O que você ensina com seu exemplo a quem te conhece…
  • O que o seu exemplo ensina a quem não te conhece?

A lista de quês, quantas, porquês e quandos é infinita e por isso uma hora de gesto simbólico por ano significa absolutamente… nada.

Twestival Rio 2009 e a água potável

Tuesday, February 10th, 2009

Gosto de começar à moda chinesa apresentando a conclusão do raciocínio e depois explicando-o, mas vou fazer do jeito mais jornalístico começando pelo lead pois o assunto agora é ação e não reflexão.

“Tw” é de Twitter, talvez a rede social de mais rápido crescimento até hoje. “estival”, dá para imaginar, é de festival. Twestival então é uma festa organiza por pessoas que usam o Twitter e acontecerá em dois dias (12/02/2009). Além disso aproveita-se a oportunidade para arrecadar recursos para uma organização que trabalhe pela humanidade, neste caso a Charity Water cujo objetivo é levar água potável a populações miseráveis que não tem acesso a ela.

O Twestival nasceu em londres ano passado quanto um grupo de amigos resolveu promover um encontro de londrinos que trocavam informações pelo Twitter.

Esse ano a idéia se transformou em uma iniciativa global reunindo mais de 100 cidades, entre elas:

Bauru

Belo Horizonte

Campinas

Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre

Recife

Rio de Janeiro

São Paulo

As cidades brasileiras começaram a se mobilizar a menos de duas semanas (creio que São Paulo foi a primeira em 31/01), mas a maioria delas tem mostrado um esforço louvável em mobilizar não só os amigos que se comunicam pelo Twitter, mas também outros amigos online e offline (eu mesmo decidi aproveitar que faço aniversário no mesmo dia e chamei meus amigos para se juntarem à festa).

É pouco tempo para uma mobilização eficaz em um país marcado pelo individualismo e resistência a atividades sociais que excedam o restrito grupo de amizades próximas. Será interessante observar os resultados do evento no Brasil.

O fato inegável para a mente lógica é que sentar no bar todo sábado para beber com os amigos e falar mal de governos e corporações só fazia sentido até o meio da década de 90. Logo terão se passado 20 anos que não há fronteiras para o alcance das nossa vozes e possibilidade de ação. Vamos continuar sentados?

É possível criar uma linha de raciocinio lógica em que um mundo onde mais de um bilhão de pessoas (5 em cada 30) não tem nem mesmo água potável não seja um terreno fértil para os radicalismos que alimentam o terrorismo e a violência?

Há um argumento para não doar recursos (econômicos, de trabalho ou intelectual) para uma organização civil internacional: temos muito trabalho a fazer no Brasil.

É verdade, no entando o planeta é um só e doar 50 Reais para a Charity Water não nos impedirá de agir em nosso próprio país, mas isso é história para outro post.

Onde a cibercultura nos leva?

Friday, January 30th, 2009

Começo a escrever esse post no mercado, em um pequeno moleskine que carrego no bolso e com uma caneta que peguei emprestada com a moça no caixa.

Faz dias que venho pensando em como responder o Nepomuceno: E se estiver tudo errado? Se nós somos a sociedade da arrogância?

As promessas da cibercultura talvez sejam apenas utopias, aliás elas provavelmente são muito mais utopias que jamais veremos realizadas do que o prenúncio real de uma nova humanidade.

A hiperdemocracia, a sociedade do conhecimento e a busca da sabedoria com que sonhamos não chegam a ser uma unanimidade nem entre nós.

A propósito, quem somos nós que gostamos de nos considerar os pioneiros da cibercultura? 10%, 2% dos internautas? Eu apostaria mais em 0,5% (blogueiros/30 milhões de internautas)

Um meme precisa se tornar viral, ou pelo menos sobreviver para se propagar por todos os extratos sociais. Além disso precisa romper rígidas barreiras culturais para alcançar a humanidade como um todo (não há era do conhecimento se ela não se estende a todos os humanos) e estabelecer um novo paradigma.

Não podemos esquecer que evolução não se dá no sentido de se tornar mais bonzinho e sim mais apto a garantir a permanência dos genes e recentemente (nos últimos 10 mil anos) dos memes. Em outras palvras mais violento, individualista e selvagem pode facilmente ser mais evoluído. A única coisa certa até onde sabemos sobre evolução é que os organismos (genes) e informaões (memes) se tornam cada vez mais complexos.

Que memes tem se propagado e sobrevivido mais? Os que clamam por uma sociedade mais justa, igualitária, humana e civilizada? Os que nos inspiram compaixão? Os que alimentam nossa esperança? Ou os que alimentam o ódio e a desesperança? O que você recebe e repassa em seu email? Vá pensando nisso…

Meio por cento de internautas produzindo ideias. Que influência essas cinco pessoas a cada mil pode exercer em todos os outros internautas? Até onde o que acontece nos nichos da cibercultura chega às pessoas offline?

O sujeito grosseiro que assedia as mulheres que passam nas ruas e as mulheres que condenam com o rótulo da superficialidade outras muheres que alugam sua beleza serão alcançados pelo caso da moça que foi desrespeitada em uma Campus Party porque estava vestida de coelhinha?

É essencial lembrar que há uma grande mudança permitida pela tecnologia da informação e pela ciberculturra: quem deseja falar (em países democráticos) PODE. Praticamente sem custo e sem qualquer censura prévia.

Portanto, ainda que sejam poucos os que produzem dados, informações e conhecimento é um número absurdamente maior do que em qualquer outro período da humanidade.

Além de mais numerosos há grandes interseções com a velha e grande mídia com seu poder de massificação.

Resta agora voltar à questão que deixamos lá para trás.

Quais são os memes que estamos produzindo e reproduzindo?

Abro o email e vejo mensagens de ódio conra os criminosos desejando o tratamento mais desumano para eles; vejo pedidos de compaixão que nos mergulham em um mundo sem esperanças cheio de gente que sofre e poucas esperanças de ajuda oficial a ponto de precisar da caridade alheia.

Os memes que apelam para nossa dor e nosso medo são mais fortes até por conta dos nossos instintos.

É possível mudar esse impulso evolutivo? A transição da evolução pela seleção natural de genes para a evolução pela seleção natural dos memes pode nos colocar em um curso mais humano ou as ferramentas de comunicação sem limites da cibercultura nos atirarão em uma era de bolhas de celebridades, vaidades, individualismo e medo sem precedentes?

Assim como os genes os memes querem se perpetuar e por hora não lhes interessa que as unidades de carbono entrem em extinção, mas e a visão futurista de V’Ger? Um mundo onde máquinas produzem e reproduzem informações sem depender de humanos? Susan Blackmore recentemente encerrou sua fala no TED com essa pergunta.

Esse post é uma tentativa de resposta, mas não creio que haja resposta para essa pergunta. O que há é a opção entre dois caminhos.

Hoje vivemos exatamente como animais. Somos conduzidos pela voz dos nossos genes e dos nossos memes. Não projetamos nossa cultura, nossa economia, nossas línguas, enfim, não assumimos uma postura consciente diante da nossa evolução. Somos apenas levados pelos ventos.

A alternativa é a sabedoria invocada pelo Nepomuceno em uma breve fala no Gengibre.

A cibercultura é a cultura da propagação de memes, onde esses memes nos levarão depende de decidirmos coletivamente nos tornarmos conscientes de uma forma que ainda não somos (eu incluído).

Quem fará essa mudança não serei eu ou você. Somos vozes perdidas na coletividade humana. O que fará a mudança é o gradativo consenso em torno dessa busca pela consciência.

Gostaria de terminar com a resposta, mas sou obrigado a terminar com outras perguntas: que mundo você quer ajudar a construir? Que mundo você está ajudando a construir? Que esforço você está pronto ou pronta a fazer para colaborar? Escreveria um post por semana sobre as coisas em que acredita?

O que você etá pensando?

Faça um Natal especial: Ajude Santa Catarina

Thursday, December 4th, 2008

O tempo vai passando e a mídia começa a se interessar pelas promoções de natal, por alguma questão política mais polêmica ou pelo apelo da pax romana de punições mais cruéis para crimes cruéis enquanto isso as pessoas em Santa Catarina continuam em estado de calamidade pública.

Acabo de ler um breve relato da situação em Santa Catarina três dias atrás:

“Ninguém faz idéia do que estamos passando em SC. Tudo que
aparece no jornal não exemplifica nem metade das coisas que estão
acontecendo na cidade. Parece que Blumenau é uma cidade em guerra. Água
pra todo lado. A todo momento casas estão desmoronando, indo pro chão.
Os saques não páram de acontecer. A gente não pode sair nas ruas com
bolsas a tiracolo ou sacolas nas mãos, porque os assaltos estão
acontecendo o tempo todo e a qualquer hora do dia, um perigo. Os preços
aumentaram nas lojas e supermercados. Há o toque de recolher e isso
assusta. Se você passa nas ruas só o que vê é o asfalto cedendo, as
ruas rachadas… não parece que a cidade continuará a existir.
Assustador. Se o povo não ajudar, se as pessoas não mandarem dinheiro
pra tudo, quem mora em Santa Catarina vai morrer de fome e frio”.

Portanto aqui está o cartaz com instruções para você fazer algo agora para ajudar essas pessoas!

Como ajudar SC

Vamos colocar aquelas comunidades e contatos no Orkut para funcionar! Somente uma comunidade de tradutores e intérpretes de que participamos juntou mais de R$1.700 em três ou quatro dias! Se cada comunidade com o mesmo número de membros fizesse o mesmo certamente seria mais de um milhão de Reais em ajuda!

Para obter informações mais recentes busque por #scUrgente no Twitter.

Para saber onde fazer doações consulte o mapa de pontos de coleta criado pela Maffalda. Você também pode entregar nas unidades do corpo de Bombeiros.

O importante é não deixarmos o jogo do consumismo natalino apagar o fogo da nossa humanidade!