Archive for the ‘educação’ Category

Café 22: O Piloto

Wednesday, January 20th, 2010

Planejado e organizado pela @Maffalda o #cafe22 procura inspirar uma cultura em torno do conhecimento onde pequenos grupos de pessoas se reúnem para apresentar ideias inovadoras sobre sua área de pesquisa considerando que todos nós pesquisamos alguma coisa, mesmo que não seja na mesma área em que trabalhamos.

No sábado passado ocorreu o piloto do evento com o objetivo de buscar o melhor modelo para os próximos. Quando chegarmos a um modelo funcional ele deve ser publicado em cafe22.com.br para que outros grupos possam copiá-lo, modificá-lo para o seu ambiente ou desenvolvê-lo.

Mesmo sendo apenas uma experiência o resultado foi muito bom.

Vinte e cinco pessoas participaram do evento e seis apresentaram ideias:

  1. @Maffalda: Simplicidade voluntária
  2. Halime Musser (@limejovi): O bestseller e a popularização da cultura (adorei)
  3. Spark (@dj_spark): Como fazer backup online e não ficar de cabelos brancos antes do tempo
  4. Antonio Azevedo (antonioazevedo.com.br): Suportes para uma vida feliz
  5. Cristiano Ferreira dos Santos (@cristianoweb): Síndrome de Asperger

A palestra da Heloísa me fez lembrar do tempo que cursei a Universidade Holística e os questionamentos sobre luxo essencial e simplicidade voluntária. Temas muito propícios a uma sociedade mudando rapidamente de valores.

O que era luxo ontem tem se tornado essecial como o acesso à Internet, a formas sofisticadas de cultura e a atividades profissionais desafiadoras e mais complesas. Temos que lembrar que até poucos anos as mulheres, por exemplo, não tinham direito a opinar politicamente ou trabalhar usando sua inteligência. Memeticamente falando ao buscar a simplicidade física podemos nos dedicar a complexidades da razão, da consciência ou do espírito.

O Cristiano e sua história de vida com o filho sempre me fazem pensar em como algumas síndromes da mente são vistas como limitações, mas escondem habilidades impressionantes que poderiam ser usadas para que esses indivíduos fossem até mais produtivos que os ditos normais. O Nicolas, filho do Cristiano e portador de Asperges, aprendeu a ler aos dois anos…

Fiquei especialmente interessado na fala da Halime que, além de trazer algumas informações sobre o surgimento dos best sellers que eu não conhecia, nos fez perceber sua importância para levar a cultura a massas que até então nem eram alfabetizadas.

As considerações dela me remeteram à ideia de que a cultura erudita está condenada ao esquecimento se não é transportada para grandes porções da nossa civilização pela cultura pop como Jornada nas Estrelas, Fronteiras do Universo (a trilogia literária) e até Tom e Jerry.

Enfim, esse post está mais adequado ao meu site pessoal onde falo de cultura apesar de estar claro em cada uma das palestras acima que há um fator memético unindo-as, em todo caso não falarei mais até porque espero que todos os palestrantes liberem seus vídeos para serem divulgados no Videolog e outros sites de vídeo que vieram depois.

O objetivo ao escrever sobre o Café 22 é lançar uma pequena gota de água no vasto campo repleto de sementes que é a nossa sociedade da informação. Espero que outros se inspirem a fazer encontros semelhantes e compartilhem os resultados online criando verdadeiras encubadoras criadoras de conhecimento.

Cultura digital e capitalismo cognitivo 1/14

Wednesday, August 19th, 2009

Hoje comecei a frequentar o curso acima no Pontão Digital da Eco (UFRJ). Serão 14 aulas durante as quais pretende-se explorar justamente a cultura digital e o capitalismo em uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento e em serviços.

Naturalmente que não vejo sentido em fazer notas de aula offline onde ninguém mais pode compartilhar do conhecimento e podemos viver sempre a tola ilusão de que estamos certos e somos brilhantes (afinal só nós mesmos e alguns amigos selecionados temos acesso a isso). Portanto provavelmente farei um post para cada aula. Pelo que vi hoje não faltará material ou provocação.

A Ivana Bentes tem um ritimo de raciocínio e de fala que me agrada muito: rápido e aguçado. A turma definitivamente tem paixão o que, já nessa aula inaugural, rendeu pelo menos uma acalorada discussão.

Para muitos ali o curso será um primeiro mergulho na cultura digital que, a propósito, talvez pudéssemos chamar de protocultura do conhecimento com todos os microorganismos característicos das papas primordiais como a que deu origemà vida na Terra.

De um lado estavam alguns dos seres estranhos que já se sentem cidadãos da cultura digital defendendo a liberdade e o aparente caos da Internet e de outro pessoas mais sensatas preocupadas com a exposição de uma civilização formada por um sistema educacional em crise à cacofonia de informações disponíveis online (e nem se falou em privacidade ou anonimato).

Estou entre os seres estranhos que não sabem como vai funcionar, mas que entende que a Internet é apenas o elemento mais recente de algo que vem acontecendo a muito tempo (Bertold Brecht já falava em rádios abertas similares a um Twitter antes da segunda guerra mundial dica de Marcos Dantas) e cabe a nós descobrir não como conduzir a ambientação das pessoas a essa cultura (ou protocultura), mas como colaborar com elas.

Parece-me que as opiniões hoje se dividiam em dois grupos: um acredita que deve haver algum preparo fora da Internet para lidar com ela e o outro crê que a Internet é justamente o elemento externo ao sistema antigo onde as pessoas podem (e estão) aprendendo a criar conteúdo, desenvolver senso crítico e criar novos valores e ética.

Outra opinião que me pareceu comum a boa parte dos meus amigos de curso é a preocupação com a manipulação das pessoas na Internet o que achei curioso pois é justamente o tema do meu post anterior.

A preocupação é que as pessoas em geral entrariam na Internet principalmente para ver o conteúdo dos mesmos veículos que assitem passivamente offline.

Bem, em primeiro lugar já considero que há uma grande diferença entre consumir a novela da Globo passivamente e assistí-la no Youtube acrescentando comentários que outros podem ver.

Em segundo lugar não estou tão certo de que o conteúdo online mais consumido é a réplica do material offline. Basta ver os vídeos virais que normalmente são produções de anônimos ainda que algumas empresas venham fazendo algumas campanhas virais bem sucedidas.

Um caso emblemático que não posso deixar de citar, primeiro porque estou me sentindo agredido pela Puma no caso do Puma Lift e quero saborear a vingança e em parte porque é mais um exemplo de que os poderes antigos offline se esforçam cada vez mais para tentar cooptar as pessoas comuns deixando bem claro que eles reconhecem o poder dessa massa disforme formada “pelos internautas” (como se houvesse uma fronteira qualitativa entre humano internauta e não internauta).

Ao sair da aula encontrei com a @oonacastro (do Overmundo) que estava prestes a mediar um debate entre o Marcos Dantas (linkado mais acima) e o Diogo Moysés sobre o sistema público de comunicação no Brasil aproveitando o lançamento de um livro sobre o sistema público de comunicação em 12 países (disponivel para download no link).

Foi uma ótima oportunidade saltar direto da protocultura do conhecimento para um debate sobre a tentativa de oferecer à população um instrumento talvez ultrapassado como a TV.

Durante o debate ficou clara a preocupação com a regulamentação das comunicações que, afinal, são todas um serviço público (telefone, rádio, televisão e… Internet).

Acontece que na Internet convivem lado a lado o cidadão comum que a habita como se fosse praça, rua ou sala de estar da sua casa e os velhos poderes (religioso, político e corporativo).

Para Marcos Dantas não podemos aceitar que empresas como a Sky oferecem serviços de comunicação à margem da lei já que não há regulamentação para esse tipo de transmissão. Concordo com ele.

No entanto será que é o governo que nos garantirá essa regulamentação? Vale notar que ele, Marcos Dantas, aparentemente não mergulhou na tal protocultura e portanto não percebe que até o momento o que acontece é que o cidadão comum é vítima online dos ataques dos poderes que deveriam regulamentar as comunicações.

Mesmo sabendo que é uma visão utópica (no sentido de objetivo que só pode ser alcançado depois de uma sequência não definida de etapas) atualmente prefiro acreditar em um modelo novo de democracia onde o próprio cidadão é o orgão regulador e o governo cumpre apenas suas tarefas administrativas sob a vigilância de uma sociedade que tudo vê através dos olhos online que se aglutinam rapidamente aos olhos offline e solitários.

Leituras recomendadas pela Ivana:

P.S.: Já ia esquecendo que lembrei de dois vídeos bem ilustrativos durante a aula da Ivana:

Valdemar Setzer no Roda Viva

Tuesday, December 2nd, 2008

Esse post vai ficar enorme…

Hoje tive um compromisso e não pude acompanhar o programa Roda Viva entrevistando o Engenheiro Valdemar Setzer sobre o uso da tecnologia na educação.

Fui informado que o vídeo estará disponível aqui: http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/

Só pude acompanhar posteriormente os comentários no Twitter (a cada semana ficará mais difícil achar os de hoje) e no streaming de texto disponibilizado por tempo limitado no Radar Cultura.

Setzer é autor da seguinte frase:

Deixe as crianças serem infantis: não lhes permita o acesso a TV, jogos eletrônicos e computadores/Internet!

Com a qual até concordaria não fosse a clara contradição entre deixar e impedir, ou seja, se a conclusão fosse: leve-as a parques, para brincar na rua ou vá com elas a aventuras no mato.

Seria insensato comentar algo que só vi pelos reflexos online, mas creio que a experiência pode ser interessante então digamos que vou comentar os ecos das opiniões do sr. Setzer.

A julgar pelo impacto que ele causou a impressão que ele passou é de total desconhecimento do que é Internet. Ele parece ter parado em meados da década de 90 quando ela era uma infinidade de textos sem possibilidade de interação.

Hoje a Internet é um dos mais vastos campos de exercício de interação e criatividade. Vide, a título de exemplo, o Nóvoa em Folha, o Nepô ou o Lablogatórios, mas a lista seria infinita e selecionei esses por terem sido os primeiros em que pensei. Aliás, não posso deixar de citar o Simbiótica que é uma das mais ricas fontes de informação sobre biologia e começou da paixão de uma portuguesa chamada Curly Girl e sua relação com a Internet.

Outro problema seríssimo da posição que Setzer parece defender ferrenhamente é: o crescimento da Internet é inevitável. Alienar a criança deste processo é como (lembrando de Carlos Nepomuceno) impedí-la de aprender a falar, escrever ou ler livros. E o uso da Internet no Brasil ainda se limita ao telefone: Scraps e MSN (agora recorrendo a Luli Radfahrer). O problema é muito sério.

Enquanto ainda precisamos nos alfabetizar em livros e Saramago grita lá do outro lado do oceando que a Internet veio salvar a palavra escrita que a TV quase destruiu ainda há quem pretenda criar um brasil socialmente analfabeto.

Sim! Socialmente, pois a Internet já se tornou há muito, uma rede de pessoas que interagem debatem e se alimentam de informação e criatividade para construir conhecimento.

Apesar de tudo isso não é difícil apontar problemas no videogame, na tv e na Internet (computador não existe, é apenas um acesso e ninguém discute a importância de uma porta).

A tv tem grande potencial de padronizar nossas idéias e esmagar nossas necessidades individuais como observou o Nepomuceno no primeiro Manhãs Digitais. A propósito toda mídia de poucos para muitos tem esse efeito.

É necessário criar boa programação para a TV, discutir com o jovem o que ele está vendo, desenvolver o senso crítico… A propósito, depois bons pais, nada é melhor para isso do que a Internet…

Videogames podem prejudicar a socialização, potencializar o défcit de atenção em crianças com essa tendência ou até mesmo ser fator de aumento da obesidade (a menos que se trade do Wii hehehe!). No entanto também pode ter um papel crucial no desenvolvimento lúdico e capacidade de abstração sem falar na atenção dispersa que, creio, será uma qualidade essencial ao adulto do futuro diante do constante e incomensurável fluxo de informação.

Isso nos leva à Internet que será a mãe de fantásticos danos causados pelo volume de informação que nossas mentes não estão prontas para processar. Usada como espaço meramente virtual também é um meio para potencialização de perversidades e neuroses auto-destrutivas. Todavia não é tentando ignorá-la que ensinaremos a nossos filhos como lidar com isso! Imagine uma pessoa deparando com a Internet pela primeira vez aos 16 ou 18 anos!? É devastador para um adulto (e pode ser o que aconteceu ao Setzer) imagine em alguém que precisa absorver tudo aquilo em um ou dois anos para acompanhar a Universidade e entrar no mercado de trabalho!

As discussões a que devemos nos ater neste momento é como apresentar a Internet a uma criança, em que idade, como cuidar delas enquanto caminham por lá, como conversar com elas a respeito, como inserí-la no currículo escolar (uma matéria ou uma ferramenta?) e tantas outras questões que ficarão completamente esquecidas enquanto nos debatemos contra o inivitável!

Lembre-se, a Internet não está inventando nosso mundo, nós a inventamos porque nossa evolução pede por ela para que possamos dar novos passos como uma provável hiperdemocracia.

Escola colaborativa de cabeça para baixo

Friday, November 28th, 2008

Estou revendo a palestra de Luli Radfahrer no terceiro #Descolagem e me perguntando o que nos impede de usar uma idéia que ele jogou lá meio casualmente.

Se 40 mil professores de química do ensino médio convidadesse seus alunos para escrever uma página de conteúdo original por ano teríamos um livro de 40 mil páginas no final do ano. Certamente o maior e mais completo livro de química básica da história!

O que falta para fazermos isso? Quantas escolas tem computadores conectados? Quantos alunos não tem acesso à Internet?

Creio que essa é uma das medidas que podemos tomar para mudar a educação no país sem ter que esperar pelo MEC ou pelo governo.

Basta que um professor por escola esteja antenado para conversar com seus colegas formar uma rede de professores para definir a estrutura básica de uma wiki que será desenvolvida pelos alunos ao longo do ano escolar.

Seria uma escola colaborativa de cabeça para baixo pois criaria um livro ditático feito pelos alunos à partir dos livros escritos por um punhado de bons e esforçados autores.

Diversos provedores certamente se ofereceriam para abrigar o projeto gratuitamente (e já me ofereço) caso o governo não disponibilize os recursos necessários.

Um projeto como esse apresenta alguns desafios como o fim da hierarquização do currículo por séries, afinal um artigo sobre monocotiledôneas não teria uma versão para a primeira, outra para a segunda série e assim por diante e os alunos das primeiras séries talvez precisassem aprender a filtrar o conhecimento que ainda não estão prontos para assimilar. Por outro lado aqueles com mais aptidão naquela área podem acessar o que só aprenderiam no ano seguinte.

Outro desafio está na forma de avaliação afinal os trabalhos serão todos em grupo e não só grupos formados dentro de uma escola, mas um grupo misto de alunos de escolas de todo o país e em diversas séries. O fato da wiki informar que aluno fez cada colaboração não seria o sificente para uma avaliação formal do trabalho então talvez esse grande livro escolar nem possa fazer parte desta avaliação formal a princípio.

Este post não é uma idéia completa, é uma sugestão de projeto a discutir.

Mesmo que apenas alguns alunos por escola se envolvam nele pode ser uma forma de despertar a paixão pelo conhecimento justamente naqueles alunos mais antenados que se desinteressam da escola e acabam desperdiçando seu potencial indo à Internet sem sugestões de coisas realmente interessantes para fazer lá.