Archive for the ‘sociedade’ Category

Cultura Digital e Capitalismo Cognitivo: Webarte 13/14

Monday, December 7th, 2009

Chegamos à ultima aula do curso do Potão Eco da UFRJ. O próximo post será o trabalho de conclusão que cada participante deve fazer.

As minhas notas de aula estão no Posterous e vou me empenhar em compartilhar as ideias que tive durante e depois da aula.

Trata-se de uma tarefa complexa para mim pois não sou uma pessoa culta no que diz respeito a manifestações como pintura e fotografia, manifestações artísticas que, se compreendi corretamente, se aproxima mais da arte digital e da webarte.

A vocação da Webarte

Se estamos diante de uma mudança tão intensa que só ocorreu mais duas vezes (quando desenvolvemos a fala e depois a escrita) então é de se esperar também mudanças substanciais na forma, no processo e na manifestação artística.

No passado a arte era um processo mais íntimo que envolvia o artista, sua tela e, no máximo, seu cliente. Além disso o suporte para a obra era uma tela, uma peça a ser esculpida ou um fotolito. Posteriormente toda arte é relida, multiplicada, reinterpretada e remixada pela população, mas o processo de criação produzia obras universais graças à sensibilidade do artista e não à participação coletiva na criação.

Tudo isso parece mudar (aliás já na arte cinética e outras manifestações do século XX) com a arte digital fortemente caracterizada pela hipertextualidade, metalinguagem, vários suportes interligados, imaterialidade, reprodutibilizade infinita e interatividade. Isso sem falar que as possibilidades de remixagem coletiva conferem uma vida própria à arte digital.

Enquanto a arte analógica assume novas interpretações de acordo com o estado de consciência ou humor do observador, mas se mantém estática e inalterada, a obra digital tem a capacidade de realmente se transformar a cada vez que o observador interage com ela sendo não só interpretada de acordo com seu estado de espírito, mas talvez fazendo o caminho inverso modificando-o.

Pode ser um raciocínio de caminh tortuoso, mas talvez, muito além de questionar os valores e desafios de uma sociedade marcada pelo fluxo e criação de informação, a arte digital e a webarte sejam uma forma de alimentar a retroalimentação da cultura coletiva condizindo nossa espécie a novos valores que venham se contrapor ao individualismo da era industrial.

Webativismo

Onde há arte há ativismo, onde há poder há manipulação dos meios de comunicação.

Nossa civilização, amordaçada pela aliança entre o poder e a mídia encontra na Internet um ambiente para exercer a liberdade de expressão (e por isso tanta perseguição e demonização da Internet e cidadãos cibernéticos).

Assim como um dia um estudante chinês pode confrontar tanques na praça da Paz Celestial protegido pelas lentes da mídia televisiva agora essas imagens se reproduzem online e nos permitem desenvolver empatia pela moça desarmada que enfrenta a mira das metralhadoras para impedir o que considera um ataque injusto.

O ativismo online é mais lembrado quando testemunhamos políticos censurando jornais e jornalistas ou processos oportunistas de maus profissionais contra blogueiros (pois não temos o direito de opinar online quando nos vemos mal atendidos).

O webativismo, ou eu diria, o ativismo moderno parece mais atento às causas universais, à consciência de que estamos em um mesmo planeta e somos um mesmo povo.

A campanha do Obama reflete bem isso inclusive em seu discurso em Berlim:

O fato é que, se as novas tecnologias de comunicação (onde a Internet ocupa um lugar especial demonstrando-se praticamente como uma realidade online paralela ou até englobando a offline) não dão ao indivíduo mais voz do que dão aos atuais controladores da mídia, mas certamente dão esse poder à voz coletiva.

Esse é um ponto mal compreendido.

Acredita-se que a Internet dá poder ao indivíduo, mas ela dá poder à coletividade.

Se a sua necessidade individual encontra eco na coletividade nem a união das maiores agências de mídia poderão suplantar sua voz ecoada pela coletividade.

Links

O Futuro das Agências de Marketing: Sou Mais Web

Friday, October 23rd, 2009

O Sou Mais Web

Organizado por Nino Carvalho da The Godfather Estratégias Sociais é um dos eventos de tecnologia e marketing mais instigantes do Rio de Janeiro. Estou certo que os artigos que os artigos que anexei no fim desse post ajudarão a entender como foi a décima primeira edição do evento que acontece mensalmente.

O que eu estava fazendo lá?

Sou um apaixonado pelo processo do conhecimento, cultura e conhecimento humanos e creio que é no Marketig que as recentes mudanças de rumo da nossa civilização se fazem sentir com mais clareza por isso, mesmo não sendo um profissional de marketing tenho ido a todos os eventos que posso. O Sou Mais Web é um dos três que considero mais importantes.

Que post estranho é esse?

Se você vem sempre aqui (o que é pouco provável pois devo ter apenas uns 12 leitores frequentes) deve estar se perguntando porque estou escrevendo como se fosse o primeiro post.

Estou experimentando. A gente deve experimentar sempre!

A maioria dos visitantes de um blog são paraquedistas que chegam ao seu blog em busca de respostas rápidas às suas perguntas.

Qual será o delicado equilíbrio entre encher a paciência dos leitores fieis e ser útil para um universo muito maior de pesoas?

É bem provável que uma recomendação “Clique na aba Quem sou” no começo de cada post seja mais eficiente, mas resolvi fazer esse teste ;-)

O que ameaça o futuro das agencias?

Pessoas são pessoas e sempre serão então porque as agências de marketing, publicidade, acessorias de imprensa etc teriam que se preocupar com seu futuro?

Bem, as pessoas hoje não são exatamente como as pessoas na Idade Média, não é?

As pessoas mudam e, na opinião de algumas pessoas nunca mudaram tanto quanto estão prestes a mudar.

Como as pessoas estão mudando?

Humm.. Será que consigo responder isso de forma tão sucinta como as anteriores?

O ponto chave aqui é que as pessoas não estão sendo mudadas pela tecnologia, o que acontece é que finalmente elas (nós) conseguimos criar um poderoso instrumento para acelerar nossas mudanças: a rede mundial de comunicação (que inclui, mas não se remue à Internet).

Isso não mudará as pessoas, mas nos permitirá mudar como nuca mudamos antes, mas o que realmente importa não são essas mudanças (ao menos não agora), mas o impacto desse processo na estrutura atual da nossa civilização.

O que está mudando dramaticamente é a estrutura do poder sobre a comunicação como fica muito claro nessa apresentação (em Inglês):

Ou, resumidamente…

Até aproximadamente 2004 quando as redes sociais começaram a explodir nossa civilização tinha uma estrutura de comunicação muito clara: Fale com um grande distribuidor de informação e formador de opinião (que gostaria de chamar de distribuidor de cultura) e manipule, digo, passe seu recado ao seu mercado focal.

Já foi o Xamã, já foi a Igreja, depois o estado e, mais intensamente a partir dos anos 60 como bem notou Guy Debord (não sei pq ele é tão pouco citado), a chamada sociedade do espetáculo capitaneada pela mídia jornalista e cultura de entretenimento.

O que aprendi nesse Sou Mais Web?

As agências são a linha de frente de uma indústria acostumada a influenciar os consumidores para que se transformem em máquinas de consumir, eternamente insatisfeitos em busca de preencher o vazio interno com coisas externas.

Fiquei com a nítida impressão que a grande maioria das agências e profissionais de marketing continuam buscando aqueles grandes distribuidores de informação ou cultura que citei mais acima e acreditam que eles seriam os chamados “paizões” da blogosfera.

É claro que posso estar profundamente errado, mas a nova estrutura da comunicação não permite a formação de “paizões”.

Você sempre acreditará mais no seu amigo especialista do que no ator vestido de médico na propaganda da TV, ou mesmo do que no médico famoso.

Creio que se as agencias não perceberem que o desafio delas é se comunicar com uma voz coletiva onde não há grandes formadores de opinião, mas sim incontávels pequenos grupos influenciadores de opinião o futuro delas será negro.

Ponto alto desse Sou Mais Web

Leia nos links sugeridos e fique de olho nessa moça, a Rizzo Miranda da FSB Digital, ela foi brilhante e tenho certeza que só arranhou tudo que gostaria de ter exposto.

Referências

Cultura digital e capitalismo cognitivo 8/14: Economia da Cultura

Sunday, October 18th, 2009

Para saber do que esse post trata veja o primeiro da série que estou escrevendo sobre o curso de Capitalismo Cognitivo do Pontão Eco da UFRJ.

A palestrante foi a Oona Castro do Overmundo, uma das pessoas mais antenadas que encontrei quando se trata da economia alternativa baseada no que pode ser entendido como pirataria.

O objetivo era mostrar um modelo comercial alternativo partindo do exemplo do Tecnobrega de Belém e levantar algumas questões a respeito da pirataria.

Assim que a apresentação estiver no Slideshare coloco-a aqui.

Creio que as características centrais do Tecnobrega são

  • O modelo tradicional do gargalo das distribuidoras, altos custos dos jabas e a falta de atenção a setores muito segmentados era inviável para o movimento iniciado em 2002
  • Contratos de exclusividade comuns na industria fonográfica não é interessante para eles
  • A principal fonte de renda das bandas vem dos shows

Resumindo assim parece-me que o modelo de negócios do Tecnobrega seria melhor também para todos os outros setores da cultura, mas algo impede que o modelo seja largamente adotado.

Durante as entrevistas feitas em 2006 a Oona percebeu dois padrões de comportamento que me parecem dignos de destaque:

  • Apesar de não aceitar os contratos de exclusividade as bandas se sentem privilegiadas ao serem procuradas pelas distribuidoras, é um sinal de status e de sucesso
  • O discurso anti-pirataria está inserido entre eles apesar dela ser sua rede de distribuição

É bem provável que esses dois fatores sejam justamente o que impede a disseminação do modelo por outras regiões e talvez ele só tenha surgido lá em virtude de dificuldades (como o preconceito endêmico contra as regiões Norte e Nordeste) que os impedia o acesso ao filão das distribuidoras.

Inseridos em uma sociedade do espetáculo a promessa (ainda que ilusória) de ser alçado à fama internacional continua convencendo a maioria das iniciativas culturais a se enquadrar no esquema da indústria cultural. Bom exemplo é o “Faça você mesmo” que resumidamente transferia para as novas bandas o trabalho de prospecção de revelações, mas o objetivo ainda era atingir as grandes gravadoras e distribuidoras.

Além disso, como parte de um capitalismo monetário de consumo (em contraposição a um suposto capitalismo cognitivo) é natural que em algum momento o papel do camelô pirata seja visto como um desvio de vendas que poderiam ser revertidas para a banda.

Afinal de contas o Tecnobrega, assim como – desconfio -  a maioria das experimentações, não é um movimento revolucionário ou mesmo de protesto ideológico, é apenas o resultado da busca por um modelo de negócios que funcione visto que o atual não é viável para eles.

Uma breve gênese do combate à pirataria

Me chamou a atenção foi saber que a maior parte dos recursos para combater a pirataria não vem do governo, mas da própria indústria da propriedade intelectual e, apesar disso o confronto se estende às políticas internacionais quando um governo usa de sanções comercias para pressionar o outro a combater a pirataria em seu território.

É um tema que merece aprofundamento.

Notas de aula

  • Legal commons e Social Commons (Ronaldo Lemos) – Inglês
  • É comum atribuir o relacionamento da pirataria com o crime organizado ao livro Ilícito de Moisés Nain
  • O artigo 184 do código penal tipifica o crime de pirataria
  • As estimativas de prejuízos provocados estão inchados, por exemplo, pela idéia equivocada que a pessoa que compra um DVD de 10 Reais teria comprado o de 60 se não tivesse essa opção.

Cultura digital e capitalismo cognitivo 6 e 7/14: Propriedade intelectual

Tuesday, October 6th, 2009

Juntei duas aulas em um artigo por falta de tempo para escrever e por serem assuntos bem próximos.

A sexta aula foi sobre copyright e creative commons  e a sétima foi sobre copyleft.

Definindo os conceitos

As simplificações são perigosas, mas creio que podemos adotar as seguintes definições:

  • Copyright: uma pessoa ou empresa (geralmente a segunda) detém todos os direitos sobre um elemento cultural como o Mickey Mouse, a obra de Monteiro Lobato ou o design de uma cadeira. Se alguém quer usar ou adaptar esse elemento deve pagar, muitas vezes uma fortuna. É claramente uma forma e restringir a produção cultural obrigando quem não dispõe de recursos a reinventar tudo.
  • Pirataria: obviamente é a apropriação ilegal do que está protegido por copyright.
  • Creative Commons: licensa de uso que se coloca entre o copyright e a pirataria definindo regras que permitem, por exemplo, a reprodução ou adaptação da criação desde que não seja com fins lucrativos e sejam dados os créditos a aquem originou a ideia.
  • Copyleft é um tipo de resposta anárquica e radical ao copyright que defende que todo conhecimento deve ser livre e estar disponível para qualquer tipo de uso em qualquer condição.

O que aprendi

A propriedade intelectual pode ser de dois tipos: patronal e autoral.

O direito autoral independe de registro e é automático. Se houver prova que você é o autor de um vídeo, livro, música ou letra você será o autor dela, mesmo que não queira, mas isso não significa muito, pois quem recebe dinheiro é quem detem os direitos patronais.

Normalmente os contratos com editoras, gravadoras, estúdios de cinema etc. exigem a cessão dos direitos patronais sobre a obra, ou seja, te pagam 10 mil reais para você assinar um contrato de cessão e ganham 10 milhões.

Um ponto central da licensa Creative Commons é que ela deve ser viralizada.

Isso é feito definindo que ao copiar ou criar algo à partir da sua criação o resultado também deve ser licenciado nos mesmos termos. No caso desse blog tudo que for criado à partir dele deve permitir cópias, adaptações não comerciais.

Parece-me que a licença Creative Commons é a única forma de garantir o sucesso das nossas criações

Em primeiro lugar é uma licença de uso e não uma cessão de direitos.

Mais importante que isso é que a obra Creative Commons pode ser compartilhada livremente por pessoas. Seu conhecimento e criação pode ser usado para alimentar a consciência ou curar o corpo (no caso de conhecimento médico) de pessoas que não teriam condições de pagar por isso.

É uma forma de reduzir a miséria e um mundo com menos miséria é um mundo com maiores condições de recompensar quem produz conhecimento.

Creio que essa é uma das chaves para um capitalismo sem capital, mas vou deixar isso para outra ocasião.

Por hora digamos apenas que, se a sua produção intelectual se viraliza entre os que não poderiam pagar por ela, os produtores de conhecimento pago se interessarão em criar belos pacotes (CDs, livros, DVDs) para seus clientes ávidos por pagar.

E o Copyleft?

Durante a palestra sobre Copyleft alguém disse que não chegou ainda a tal elevação espiritual para abrir totalmente mão da sua produção intelectual.

Tenho minhas dúvidas de que o copyleft seja fruto de uma consciência mais sábia.

Aposto mais em uma forma de protesto que não se tornará um padrão a não ser em alguns casos muito específicos como a codificação do genoma humano cuja importância para o desenvolvimento da nossa civilização é tão alta que que deve ser um conhecimento absolutamente acessível a todos sem qualquer tipo de restrição.

No entanto admito que ainda tenho muito que pensar sobre essa modalidade de “licenciamento” do conhecimento.

Links

A reforma de Lutero e o século XXI

Friday, October 2nd, 2009

Quando Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta de uma igreja convidando os letrados a discutí-las poucos notaram, mas provavelmente estava dada a partida em uma série de mudanças que marcaria o fim de uma estrutura social, política e econômica que já durava séculos e o início da democracia, do capitalismo e da atual sociedade.

O Manifesto Cluetrain também com 95 teses é um novo marco? Estamos vivendo uma nova transição entre eras similar à dos tempos de Lutero (1514)?

A chamada cibercultura com seus princípios hacker nos apresenta um manifesto de apenas três teses tão poderoso quanto o de Lutero?

Essa é a tese que conheci nas palavras do Carlos Nepomuceno sobre a Reforma do Consumo e me sinto inclinado a adotar.

Resumindo Lutero

Filho de um mineiro que trabalhou duro para subir na vida (algo novo na época: subir na vida) Lutero teve formação em direito quando conheceu os humanistas da época (também algo novo). Depois que um raio caiu perto dele matando um amigo ele se volta para Deus, mas a fé cristã observada pela sua ótica influenciada pelo estudo de direito, do humanismo e do exemplo do seu pai fez dele um tipo de observador externo.

Além do pai de Lutero outro empreendedores já criavam uma economia (e cultura) à margem da nobreza e do poder religioso do Vaticano.

Por último temos a prensa de Guttenberg criada 50 anos antes, mas duvido que o poder de propagação de idéias em papel e tinta fosse de alguma utilidade se não houvesse apoio da latência (para usar a mesma terminologia do Nepomuceno) crescente tanto do cidadão comum que já sentia os ventos da liberdade quanto dos empreendedores.

A época de Lutero, por esse ponto de vista, reunia:

  1. Esgotamento do paradigma social, cultural e “espiritual” vigente
  2. “Caminhos econômicos” novos
  3. Nova tecnologia de comunicação

Arrisco supor que, de cima para baixo, cada ítem tornou o seguinte possível.

Como um paradigma se esgota?

Se os tempos de Lutero aconteceram porque as pessoas não aceitavam mais a religião e as hierarquias da época devemos nos perguntar porque isso aconteceu.

Sociedades são móbiles que se mantém em equilíbrio graças à existência de uma cultura padrão, comum à maioria dos indivíduos daquela sociedade e regulada por leis somente porque sempre há os transgressores.

Do ponto de vista adotado nesse blog as culturas são arranjos informacionais que, a exemplo dos genes, se multiplicam, transmitem suas características e sofrem mutações.

Informações e culturas inevitavelmente crescem em complexidade da mesma forma que os organismos vivos.

Conforme nossa arte, ciência e filosofia crescem em complexidade também muda a nossa cultura: a consciência está ligada ao conhecimento.

Conforme o conhecimento humano amadurece também amadurecem as sociedades.

Por amadurecimento não quero dizer aprimoramento moral, mas apenas ajuste à nova forma de comprender o nosso mundo e universo.

Para citar um exemplo recente temos a teoria da relatividade de Einstein que tem pouco ou nada a ver com a relatividade da moral, mas parece ter sido uma das influências nessa mudança de paradigma.

Uma cultura (e seus paradigmas) então se torna obsoleta conforme a consciência coletiva se desenvolve.

Desdobramentos da reforma de Lutero

Mesmo que não tenha sido a origem das transformações que se seguiram as 95 teses de Lutero e sua tradução da Bíblia para o Alemão são, no mínimo, o marco divisor ou estopim.

Depois que o poder central da época, o Vaticano, foi partido dando espaço aos protestantes, calvinistas e outros que se seguiram era inevitável que outros setores do poder fossem questionados e outros intermediários fossem postos em cheque: Se não precisamos do padre para falar com Deus porque precisamos do Imperador para tomar decisões que nos dizem respeito?

O que está acontecendo agora?

  1. Teoria das cordas, teoria M, psicologia evolutiva, decodificação do genoma humano, o poder da atração (desculpem, mas acho que essa pseudociência merece estar aqui): estamos passando por um salto científico similar ao dos tempos de Lutero
  2. Livros como Wikinomics, O que a Google faria e Free mostram que a alucinação hacker de um capitalismo cognitivo está se tornando real: as empresas mais influentes do planeta e que mais crescem seguem paradigmas simplesmente opostos ao das antigas onde o compartilhamento e não o segredo é a alma do negócio
  3. Um celular já custou 7 mil Reais, uma linha fixa já custou 7 mil reais na era dos produtos, agora são gratuitos pois a economia é de serviços e todas as tecnologias de comunicação antigas são velozmente rebaixadas ao status de papiros ou pinturas rupestres diante da avassaladora velocidade das novas tecnologias de informação e comunicação

Alguém discorda que vivemos exatamente o que ocorreu no tempo de Lutero?

A história se repete?

Na década passada a IBM, um dos maiores gigantes da economia de produtos, se transformou em uma empresa de serviços. Outras tem seguido o mesmo caminho e as que se recusam não parecem estar indo muito bem. Será que elas serão capazes de mudar para continuar existindo na próxima era?

O Vaticano ainda existe… Algumas empresas modernas (bem poucas é verdade) tem quase mil anos.

Desconfio que ainda não vimos nem a ponta do iceberg das mudanças que estão a caminho e o momento que vivemos é como se um grande volume de água se acumulasse do outro lado da barreira e não fosse possível impedir que ela rompesse restando a quem estiver atento procurar subir para terrenos mais altos ou preparar seus barcos…

O que provoca as mudanças?

Tudo nesse post (e nesso blog) está nos territórios da suposição e os parágrafos a seguir provavelmente vão às raias do delírio afinal essa é uma pergunta que talvez simplesmente não possa ser respondida: a mente (e cérebro) é capaz equacionar as variáveis que a fazem funcionar?

Cientes deste abuso da minha parte aqui vai a suposição. Pelo menos é simples.

Cultura é um fenômeno da informação e da necessidade que nossas mentes (ou cérebros) tem de aplicar sua criatividade sobre ela (a informação) para transmití-la e modificá-la.

Esse impulso nos leva a criar meios tecnológicos, sociais, culturais e jurídicos que garantam que a transmissão e modificação possam ocorrer cada vez mais livremente.

Em contrapartida há os velhos instintos regidos pelos genes que nos impelem a lutar pela sobrevivência e supremacia do nosso corpo acumulando fêmeas, comida, a melhor caverna ou a posse do fogo.

Conclusão

Vou copiar a conclusão do Carlos Nepomuceno:

Estamos vivendo uma mudança de eras tecnológicas e sociais. Resta saber se também caminhamos para uma nova era da consciência.

Não há dúvida que, se o acesso à Internet se espalhar como o livro de espalou no século XVI e se surgirem autores e obras como surgiram nos séculos seguintes estaremos diante de uma profunda mudança de eras que mudará radicalmente nossas formas de governo, nossa economia e praticamente todos os setores da civilização humana.

Compreender como e porque isso está acontecendo é útil para todos nós, mas é questão de vida ou morte para as chamadas pessoas jurídicas que afinal de contas, são seres que só existem dentro da cultura para a qual foram construídos.

Os memes de carbono, nós, os humanos, existimos independentemente da cultura em que vivemos (mesmo que a vida possa se tornar muito difícil como temos visto).

Referências