Archive for the ‘jornalismo’ Category

Soumaisweb 12: Esportes e Internet

Sunday, December 6th, 2009

O Sou Mais Web é um evento mensal organizado por Nino Carvalho da The Godfather no Rio de Janeiro.

Em cada edição são abordadas questões que giram em torno de marketing e Internet, mas sempre transitam por jornalismo, liberdade de expressão, direitos autorais ou de propriedade, padrões de comportamento em redes sociais online, enfim, acabam sendo debates sobre cibercultura, cultura digital e os rumos que nossa civilização está tomando.

Apesar disso, como sou um ignorante em esportes, fui a esta décima segunda edição do evento certo de que seriam duas horas enfadonhas. Ledo engano.

As transformações sociais, culturais, econômicas, morais e outras da emergente sociedade do conhecimento são tão intimamente ligadas à Internet que parece não ser possível um evento que envolva esse lugar (sim, tenho que insistir que a Internet é um lugar, praticamente uma dimensão que engloba a realidade offline) que não entre em interessantes questões mais amplas do que o tema proposto, no caso, a cobertura de esportes online.

Alguns pontos centrais do papo

  • Proteção do conteúdo: Devemos tentar impedir de alguma forma (mas sem jamais fechar o site apenas para assinantes) que o conteúdo de um site seja apropriado por outros como no caso de um site de um time de futebol que copie os artigos de outros sites sobre o seu time? Afinal isso é um serviço para o torcedor que encontra as melhores informações sobre seu time em um único lugar.
  • Modelos de negócios, ou seja, como tornar os sites economicamente viáveis?
  • A necessidade do jornalista online ou blogueiro ser tão respeitado quanto o jornalista offline
  • Sites esportivos não servem apenas para dar dinheiro: A construção de reputação e de marcas online

O que faltou a esse SouMaisWeb?

  • O que o jornalismo online pode fazer para tornar a cobertura esportiva que fuja da síndrome monotemática que faz parecer que só futebol é esporte no Brasil (via @S1mone)
  • Marketing esportivo online

Ideias para o jornalismo esportivo

Bons eventos nos dão boas ideias e creio que tive alguns insights interessantes que podem se aplicar até a outros casos e naturalmente vou compartilhá-los aqui.

  • A questão da cópia de conteúdo: Creio que é uma tendência inexorável e que cada vez mais veremos sites obtendo reputação e respeito justamente pela capacidade de selecionar o melhor conteúdo e trazê-lo para um lugar só. Lutar contra isso é inútil e ganhará quem souber se aliar a isso. Minha sugestão nesse caso é criar um botão que permita ao visitante publicar o seu conteúdo no próprio site. Isso seria feito (desculpem o linguajar técnico) inserindo um iframe no artigo do visitante. Esse iframe carregará o seu conteúdo. Dessa forma preservam-se as estatísticas de acesso e conteúdo publicitário.
  • Em 2016 a melhor cobertura em audio, video e texto certamente será feita pelo público e o veículo que souber se aliar a eles terá um diferencial ímpar. Creio que um caminho inverso ao anterior deveria ser providenciado: o veículo jornalístico criaria dispositivos para que o público possa publicar automaticamente seu conteúdo em suas páginas sendo que um sistema de karma ou avaliação dos visitantes selecoionaria o melhor conteúdo para figurar ao lado das matérias oficiais. Há diversas dificuldades técnicas nessa solução, mas é também uma forma de cumprir o papel abaixo
  • Esporte é muito mais que futebol e são poucos os jornalistas brasileiros preparados para falar dos demais esportes. Uma forma de compensar isso é desenvolver formas de atrair e reconhecer as pessoas no público que tem maior conhecimento sobre cada modalidade e captar seu conteúdo para o site. É importante que nesses dois casos o produtor do conteúdo seja claramente identificado e recompensado de acordo com o sucesso da matéria (talvez com um percentual dos lucros gerados por ela)

Mais material sobre o 12º Sou Mais Web

Internet e direitos do consumidor

Saturday, December 5th, 2009

A lei, através de códigos como o do Consumidor, nos garante o direito de reclamar quando nos sentimos mal atendidos, no entanto, se para muitos de nós a Internet é um espaço de convivência como qualquer outro, para a justiça talvez ela não seja.

A questão é saber se um dia teremos o direito de comentar com nossos amigos online o que achamos errado ou se esse recurso nos será negado e teremos que nos restringir ao boca-a-boca pessoalmente ou por telefone.

Creio que para a maioria das pessoas que usam a Internet (cerca de 70 milhões de brasileiros) ela é um espaço para exercer o direito de opinar, vedado, claro, o anonimato, a calúnia, a injúria ou a difamação.

Essa semana tive o privilégio de estar bem perto do centro de uma manifestação coletiva de que a liberdade de expressão é um desejo geral.

Em 2006 minha esposa escreveu em seu blog que não gostou do atendimento de um médico (esse link é para o post original no Internet Archive), caso que já comentei esse ano no post A Invisibilidade Corrompe.

A justiça considerou que não temos o direito de comentar online quando não gostamos de um atendimento e a condenou a pagar quase três mil Reais ao médico.

Na segunda feira passada saiu a sentença final e ela comentou com os amigos:

Demorou, mas saiu a sentença q me obriga a pagar R$2.940,00 de danos morais por ter criticado um médico no blog…

Link para o post original

Afinal de contas, se no passado nos comunicávamos com os amigos por voz ou carta, hoje usamos email, chat, blogs e Twitter.

O que ocorreu em seguida me parece muito significativo.

Dois amigos, @Lebravo e @S1mone (que conhecemos no ciberespaço) resolveram organizar uma Vakinha.com para nos ajudar a pagar a indenização e em pouco mais de 24h já foi arrecadado mais de 70% do valor e há pagamentos esperando confirmação que ultrapassarão os 100% ( valor excedente será doado a uma instituição de caridade e gostaria que o médico fizesse o mesmo com a sua parte).

Mais significativo do que isso são os números de pessoas que se solidarizaram com o caso e leram o post (preservado automaticamente pelo Internet Archive): mais de 8 mil no site da Vakinha e um número maior difícil de medir devido à repercussão no Twitter e em blogs.

A @claudiamello pode ser uma pessoa amada e respeitada por seus amigos, mas creio que a mobilização se deu com tamanha intensidade porque o desejo de poder expressar nossa opinião online não é um capricho, mas uma necessidade praticamente visceral, talvez sem saber tenhamos criado a Internet justamente para que o cidadão comum possa se liberdar das restrições das formas antigas de comunicação.

Ao meu ver esse caso, ao lado de muitos outros (vou adicioná-los ao fim desse artigo) são o grito de uma população que busca a maturidade da democracia e não aceita mais que as leis sejam usadas para proteger o erro e punir o acerto.

Nós estamos profundamente comovidos com o carinho a ajuda que recebemos para superar esse obstáculo e entendemos que, em respeito a todos, temos a responsabilidade de não nos calar e fazer por outros o que fizeram por nós.

O primeiro passo é nos mobilizarmos coletivamente pela criação de um marco civil na Internet brasileira que nos garanta nossos direitos para que nunca mais um cidadão seja punido por exercer o seu direito democrático ou de consumidor.

Links

Note-se que na maioria dos casos não há dúvida que o blog foi calado para privar a população em geral de informações a que ela tem direito.

Jornalistas sem diplomas

Thursday, June 18th, 2009

Apesar do poder da Internet a mídia offline continua sendo centenas de vezes mais importante na criação, propagação e mutação de memes e, atrás das cortinas da mídia estão os jornalistas (e roteiristas, produtores de cinema… mas essa é outra história) portanto não posso deixar de falar nisso aqui no Meme de Carbono.

Ontem o supremo tribunal federal derrubou a obrigatoriedade de ter um diploma em comunicação para exercer a profissão de jornalista.

Isso é bom ou é ruim?

As reações são, com toda razão, marcadas pela emoção e insatisfação de quem passou anos na faculdade e agora se vê obrigado a competir com um universo muito maior de pessoas.

Tenho mais perguntas do que respostas sobre esse assunto, mas, correndo o risco de contrariar muitos amigos (a blogosfera está cheia de jornalistas diplomados) o intenso #mimimi me desperta maus pensamentos.

Será que os temores são fundados? Um jornalista formado em comunicação terá dificuldades em concorrer com médicos, biólogos, historiadores ou mesmo leigos que se aventuram a  escrever sobre os mendigos do próprio bairro?

Se essa ameça é real não será bom para nós, leitores, que essas pessoas possam escrever notícias?

Principalmente nas áreas técnicas como física, astronomia, medicina, biologia, antopologia, psicologia… a obrigatoriedade de diplomas de comunicação pode ser responsável pela mediocridade dominante.

Não seria o caso de haver obrigatoriedade de dois diplomas para escrever sobre um determinado assunto? Um de comunicação e outro da área específica?

É fácil compreender a obrigatoriedade de um curso formal para ser médico, engenheiro e astrofísico apesar de algumas das maiores descobertas da astrofísica pertencerem a amadores apaixonados e os computadores pessoais serem obra de engenharia de um auto-didata (Wozniak).

E na comunicação? Que conhecimentos só podem ser obtidos na universidade?

A propósito, e a validade do diploma? Podemos confiar nos diplomas de comunicação? Sei que há até mesmo médicos (área, convenhamos, exponencialmente mais complexa do que jornalismo) que fazem a faculdade no bar da esquina e vão dando um jeitinho de passar até obter o diploma.

Outra pergunta que devemos nos fazer é “Por quê a obrigatoriedade do diploma de comunicação foi derrubada?

Até o momento só vi o @ocktock se fazer essa pergunta… e responder em seu blog (linkado no parágrafo acima):

É claro que essa história da queda da obrigatoriedade é “testa de ferro” para desviar os olhos dos jornalistas de outros assuntos que ocorrem por trás das cortinas de ferro da política brasileira

Este é um alerta importante.

Nossos amigos jornalistas estão sendo manipulados e, egos pela emoção, deixam passar uma oportunidade de mostrar sua força, articulação e, principalmente, que um jornalista não se deixa iludir por artimanhas maquiavélicas?

Resumindo as perguntas que foram surgindo no calor do meu texto e acrescentando mais algumas:

  1. De que forma os jornalistas formados serão ameaçados pela concorrência não qualificada?
  2. Se hoje o QI é grande determinante como alguns me disseram, que importância tem o diploma?
  3. Já não seria hora de deixar de aceitar o estabelecimento de maus jornalistas graças ao QI?
  4. Quais são as reais intenções por trás da derrubada da obrigatoriedade do diploma?
  5. Não é verdade que essa obrigatoriedade foi criada na ditadura para controlar melhor os jornalistas? Ela ainda é necessária?
  6. Será uma boa idéia lutar não pela obrigatoriedade de apenas um, mas de dois diplomas para exercer a profissão de jornalista? Um em comunicação e outro na área específica de atuação?
  7. Será que comunicação e jornalismo não deveria ser uma pós graduação?
  8. Será que não podemos aproveitar a abertura para criar novos canais de jornalismo na blogosfera onde jornalistas amadores disputam com os formados? E isso não seria bom para melhorar a qualidade do jornalismo como um todo? Isso me faz lembrar do overmundo.

Blog da Petrobrás: A velha mídia se perde

Wednesday, June 10th, 2009

Deixei o seguinte comentário no post do blog da Petrobrás em resposta ao #mimimi do jornal O Globo:

É com muita animação que recebo a criação desse blog!

Por décadas a mídia se acostumou a ser um porta voz acéfalo que repetia os fatos e dados, muitas vezes com erro.

Deveria caber à mídia analisar os fatos e dados construindo artigos críticos e inteligentes. O que temos visto é uma vasta galeria de matérias apressadas que parecem pagas hora por uma empresa, hora por sua concorrente.

Finalmente chegamos a uma era em que não precisamos de intermediários para compartilhar nossos fatos, dados e voz pessoal ou corporativa.

É triste ver a velha mídia preferindo chamar os blogueiros de chipanzés (não esqueci da propaganda do Bruno…) enquanto se comporta como um babuíno enfurecido.

A iniciativa da Petrobrás é louvável! Agora vamos observar duas coisas:

  1. Será que a velha mídia redescobrirá sua missão de aplicar inteligência aos fatos e dados?
  2. Quando os blogueiros fizerem o que a velha mídia não tem feito (e nós faremos) a Petrobrás saberá dialogar conosco sem apelar para a justiça com o intuito de restringir nossa liberdade de expressão como muitos tem feito?

A propósito faltou dizer no comentário que outra prática comum e irritante na velha mídia quando tenta atuar online é raramente fornecer links externos onde possamos ouvir o outro lado da matéria. Erro que o blog da Petrobrás também está cometendo e procuro corrigir aqui ao citar os dois.

Abordamos esse tema no Twitcast que irá ao ar ainda essa semana, mas há algo que precisa ser dito também em texto claro ;-)

Você abre o jornal para saber como vão seus pais? Liga a tv para saber se a sua rua está engarrafada?

Não precisamos da mídia para nos mostrar o que está acontecendo ao nosso lado, e na era da Internet absolutamente tudo acontece logo aqui do nosso lado, da consulta da Demi Moore no dentista ao acesso aos dados da Petrobrás.

Precisamos dela para dizer que aquele complexo vitamínico que nossos pais estão ingerindo não é eficaz apesar da grande propaganda de meia página na folha anterior do jornal.

Quem está cumprindo esse papel são blogueiros como a Denise Arcoverde em sua série de posts sobre aspartame (um caso antigo para mostrar que não é um fenômeno novo).

Há muitos anos não leio jornais, não preciso deles para saber horas ou dias depois o que vejo quase instantaneamente online e cada vez mais gente percebe isso.

Para sobreviver a velha mídia precisa compreender a nova sociedade.

É claro que a inclusão digital ainda é um projeto e que gente sábia como o Nepomuceno nos lembra que não estamos diante de uma nova sociedade, mas o fato é que as espectativas sobre a mídia mudaram.

Sim, sim, também comentamos no Twitcast que as pessoas se sentem atraídas por coisas toscas e que a velha mídia está apenas buscando consumidores ao fazer sensacionalismo ou reality shows toscos, mas isso promove uma corrida para longe da qualidade do conteúdo da mídia em direção a coisas que qualquer um pode fazer melhor (e faz) no Youtube ou em blogs.

Arrisco uma sugestão (entre muitas outras) para reavivar a velha mídia: Junte-se a nós. Não tente ser um facho de luz cercado de pessoas perdidas, veja-se como mais uma voz, caminhe lado a lado com os milhões de Brunos que copiam e colam informações somando uma ou duas linhas da própria opinião (sempre linkando a fonte original), use a vantagem da sua capacidade investigativa para descobrir o que não podemos e converse conosco!

Acima de tudo, nós pessoas, gostamos de ser tratadas com repeito, como iguais e seremos muito legais com vocês se notarmos que seu compromisso é conosco e não quem aquele anunciante da página central ou aquele grupo politico-corporativo com quem todos tem ligações estranhas.

Gripe Suína, o sinal dos tempos… Para a mídia

Friday, May 1st, 2009

Incomodado com o contraste entre o alarmismo da mídia velha, o pequeno número e extensão dos casos de Influenza A (vulgo gripe suína) e o estado de medo e quase pavor de pessoas que amo (minha sogra e vários amigos) decidi me mexer e me informar.

O Observatório de Imprensa aponta o Globo como principal tablóide alarmista de uma crise que não existe:

Embora os casos confirmados se restrinjam a cinco países – México, Estados Unidos, Canadá, Espanha e Escócia – o Globo entendeu que o vírus “se alastra no mundo”. É um caso de alto alarmismo e baixo jornalismo.

Leia o artigo completo

No entanto o fato é que a mídia em peso parece ansiosa por um caso no Brasil e aproveita cada suspeita de contaminação para lançar uma manchete do tipo “Gripe Suína na Argentina” depois de um simples caso confirmado ou nem isso, em alguns casos basta uma suspeita.

O blogueiro Leandro Vieira escreveu o post Muito alarmismo para pouca coisa de onde destaco:

Nunca é demais lembrar que a “ameaça global” da gripe aviária matou 200 pessoas no mundo todo. E esse número torna-se insignificante quando comparado ao total de habitantes no mundo: 6,5 bilhões.

(na verdade há indicações de 257, mas não muda o ponto)

E…

A Cidade do México – notem bem: falo apenas da capital do País, não do País inteiro – tem 20 milhões de habitantes.

(sete mortes até a publicação do post)

Não se trata de indiferença às mortes que ocorreram, mas o medo e o terror provocados pelo exagero da gravidade desta e de outras situações nos leva à desesperança e ao conformismo minando nossa capacidade de transformação e reação.

E porque a mídia velha faz isso? Parte de um complô mundial entre governantes e uma raça de alienígenas lagartos? Duvido.

A velha mídia não está conseguindo se adaptar aos novos tempos e ainda nos vende medo em vez de vender informação. Parece uma forma fácil e certa de garantir suas tiragens.

Outro fator determinante e muito sério para o comportamento da velha mídia: ela está apavorada! E é de você que ela tem medo!

Um artigo justamente no Globo Tecnologia deixa isso bem claro. Apesar de praticamente as únicas fontes de informação séria e livre de alarmismos estar em blogs e no Twitter ele nos avisa no artigo Gripe Suína também se propaga pela Internet:

blogs, microblogs e redes sociais se transformaram em uma importante fonte de informação sobre o vírus, ainda que boa parte das mensagens publicadas ganhem tons alarmistas…

Devem ser os leitores e espectadores da Globo e do Globo…

Provavelmente a rejeição de grandes grupos de mídia em relação à digitosfera seja justamente por se sentirem ameaçados em seu antigo monopólio da informação.

É hora de deixar de resistir aos novos tempos e se unir a quem realmente sabe lidar com informação.

Vale a pena ler também  Suine Flu: First, Show no Panic de um médico no NYT afirmando que o surto atual não é mais mortal que uma gripe comum.

Para informações de saúde sobre a Gripe Suína consulte meu blog pessoal.