Archive for the ‘Virais’ Category

O sentido da vida é compartilhar

Sunday, June 14th, 2009

Em 1940 Charles Chaplin[bb] nos entregou um dos mais belos discursos da história do cinema no filme O Grande Ditador.

Sessenta e nove anos se passaram e ainda vemos discursos inflamados negando o tratamento humanista a criminosos, homossexuais, seguidores dessa ou daquela religião.

Para muitos ainda há pessoas que não são humanas… O fascismo de Hitler é um espectro que nos acompanhará por muito tempo ainda.

“A voz do povo é a voz de Deus”

Não sei muito sobre Deus, mas creio que nossa voz coletiva é a voz da razão, é a voz da compaixão e do amor.

O problema é que essa voz não vinha sendo ouvida.

A voz de Chaplin não é a voz do povo, era a voz de um homem que conquistou o povo com sua arte. A voz de Hitler não era a voz do povo, era a voz de um grupo que conquistou a opinião pública pela força de uma mídia subjugada e pela promessa do fim do medo.

Uma civilização com medo é uma civilização facilmente controlada exatamente como nos alertou Michael Ende em História Sem Fim.

Olhar de frente e sem se entregar ao medo para os obstáculos que nossa espécie precisa superar não é nada fácil e além disso estamos acostumados a ser espectadores da nossa própria história e a acreditar que os governos, a mídia e as corporações cuidarão de tudo enquanto nos ocupamos em seguir ordens, formar famílias e nos divertimos com os amigos, afinal o que uma pessoa sozinha pode fazer?

Bem, nenhum desses três pode fazer muita coisa por nós.

As corporações são míopes precisam manter muita atenção no aumento da produção e do consumo para se preocupar com direitos humanos ou mudanças climáticas.

Os governos e a mídia se tornaram muito dependentes dos recursos das poderosas corporações e servem antes às necessidades delas do que as nossas.

Sim… é verdade que sem humanos as corporações não podem produzir e não terão consumidores, mas reflita um pouco, você acha que elas se comportam como se tivessem essa consciência? Mesmo sendo administradas por humanos nós mesmos podemos facilmente ficar míopes no esforço de atender as necessidades imediatas da empresa onde trabalhamos.

“As human beings, we are endowed with freedom of choice, and we cannot shuffle off our responsibility upon the shoulders of God or nature. We must shoulder it ourselves. It is our responsibility.” Toynbee

Hoje estamos deslumbrados com a tecnologia que criamos, principalmente a Internet (muito embora pessoalmente eu me anime mais com os estudos do Cern e a psicologia evolutiva) e achamos que ela será a solução para o empasse desse milênio: as pequenas vozes individuais esmagadas pelos megafones da indústria do espetáculo preconizada por Guy Debord.

Não irá.

Também não podemos colocar nos ombros da tecnologia o peso da nossa responsabilidade.

O fato das últimas tecnologias de comunicação permitirem que cada ser humano venha a ter sua voz ouvida (e ainda falta muito para isso em um planeta onde cerca de 20% sequer tem luz)  não mudará nada.

O que está mudando nossa sociedade e é hasteado na maioria das bandeiras da cibercultura não tem absolutamente nada a ver com tecnologia embora talvez seja mais visível para quem está mais mergulhado nas redes sociais online e outros ambientes similares.

Nós queremos compartilhar cultura, arte, lazer, sonhos, literatura, conhecimento…

O crescimento vertiginoso do twitter onde são compartilhadas as pequenas coisas do dia-a-dia como a alegria de ver uma bela lua cheia ou passar algumas horas com amigos queridos é somente a prova mais recente do que já temos visto nos blogs, fotologs e youtubes da vida.

No entanto não basta compartilhar isoladamente, não basta ter um blog jogado em algum lugar onde meia dúzia de amigos alimenta nosso ego ao nos deixar alguns comentários.

O que nós queremos é nos misturar na multidão de terráqueos, queremos ser mais um em um flashmob com milhares de pessoas.

A primeira grande mudança que estamos observando conforme a sociedade industrial do espetáculo cede espaço para a sociedade do conhecimento (provavelmente centrada em serviços) é que negros, brancos, vermelhos, amarelos, azuis, mulçumanos, cristãos, ateus, moradores de rua, crianças, idosos, afinados ou desafinados podemos cantar juntos a mesma música e criar um mundo de igualdade e não mais um onde estamos presos a castas.

Yahoo! Meme

Tuesday, May 26th, 2009

logo_ymemeO Yahoo!Meme foi entregue na semana passada ainda em fase alfa (antes mesmo da fase de testes chamada de Beta) e muitos esperavam que fosse uma resposta ao Twitter. Não creio que seja.

Para falar sobre o Meme do Yahoo! é necessário lembrar de duas coisas:

  1. Microblog é um adjetivo impróprio para descrever esses novos espaços da Rede
  2. Memes são unidades de informação cultural ou comportamental sugeridas por Richard Dawkins em 1976 (google isso)

Além disso é bom lembrar que o Twitter vem se caracterizando como uma fronteira entre online e offline sendo usado como um tipo de praça, mesa de bar, lounge ou veículo para obter informações diretamente na fonte. Estas não parecem ser vocações ou mesmo a intenção do Meme do Yahoo!

O Y!Meme se assemelha visualmente ao Twitter, Pownce e já vi alguém chamá-lo de Plurk vertical.

Essas redes são redes sociais focadas em conversa (todas mais que o Twitter, mas isso é outra história) e há um foco intenso em sua utilização em trânsito (via celular).

O Y!Meme parece ter sido projetado para ser um tipo de incubadora de Memes (e por isso é importante ler o conceito do Dawkings).

Dois memes no Y!Meme

Dois memes no Y!Meme

Na tela acima (clique para ver no tamanho original) vê-se uma barra cinza com as opções texto, foto, vídeo e música que servem para o frequentador criar memes desses tipos (eu incluiria link na lista o quanto antes).

Logo abaixo há um meme que é uma imagem de duas latas de lixo satirizando a TV digital brasileira e do lado direito do meme há dois ícones: um “v” indicando que já “repostei” esse meme  e uma bola com o número de vezes que ele foi “repostado” e aqui está a diferença entre o Y!Meme e outros lugares online.

Se você cria ou encontra uma idéia, imagem, música ou vídeo que acha que pode interessar a todos e tem um potencial viral você pode postá-la no Y!Meme e assistí-la se replicando e transformando já que cada pessoa que reposta pode acrescentar um comentário agregando algum significado ou valor ao meme.

Publicar coisas como “Vou ao cinema na quarta-feira” é ótimo no Twitter, mas no Y!Meme pode não ser tão interessante. Por outro lado “Radfaher faz uma comparação brilhante entre os nerds de The Big Bang Theory e a relação das empresas com o consumidor” pode se desenvolver de formas inesperadas e interessantes enquanto em qualquer outra rede social o meme se dispersaria sem controle (embora ainda de maneira eficaz).

A ferramenta pode vir a se mostrar excelente se usada dessa forma, mas são os frequentadores que definem o perfil de cada lugar e até agora um dos usos mais comuns tem sido uma mistura de Twitter com Plurk e poucos memes tem sido publicados e menos ainda replicados.

Ainda é muito cedo para dizer como o Y!Meme será usado e se ele se tornará mais atraente para as pessoas que hoje estão em redes como o Plurk.

Pessoalmente gostaria muito de vê-lo como uma encubadora de memes.

Publicidade online: Agradando blogueiros

Tuesday, January 13th, 2009

Ao longo dos últimos meses várias campanhas publicitárias tem agradado blogueiros para que eles falem dos seus produtos.

A Coca Cola deu geladeiras portáteis (para meia dúzia de latinhas) a vários blogueiros para que eles falassem do isotônico i9. Pena que não lembro de alguém ter aproveitado a ocasião para lembrar da polêmica exploração que a Coca Cola e a Nestlê tem feito em Poços de Caldas.

Esta semana a LG levou 16 blogueiros e twitteiros para um final de semana luxuoso para promover o celular Renoir. Cada um dos participantes levou um aparelho além dos dois dias de lazer.

Depois de cada ação deste tipo imediatamente surgem os dois grupos de “mimimis”: os invejosos que gostariam de ter sido chamados (onde me incluo “LG NA PRÓXIMA CHAMA EU!”) e os que se questionam a respeito da imparcialidade dos comentários depois de tanto agrado. Provavelmente o segundo grupo iria feliz caso fosse convidado (eu iria! “LG NA PRÓXIMA CHAMA EU!”).

Em termos de publicidade a verdade é que isso não importa.

Se o produto é bom e houver um hipe em torno dele as pessoas vão gostar do produto, vão comprá-lo e vão indicá-lo. Se o produto é ruim não importa se o hipe foi positivo ou negativo, o produto fracassará.

Temos que lembrar que poucos brasileiros são twitteiros ou blogueiros, a maioria transita pela estreita faixa continental da Internet: Orkut, Chat, email e buscas no Google.

Estes usuários vão cair nos posts sobre o LG Renoir e vão se animar com o produto sem se importar que tem um monte de blogueiros (0,0000000001% dos Internautas) irritados com a LG e/ou com os convidados.

Apesar disso eu não gosto deste tipo de campanha. Creio que ela é fruto de uma visão trata a digitosfera (blogs, sites, twitter, comunidades e demais meios digitais onde circulam idéias, imagens, vídeos, podcasts etc.) como se fosse a mídia antiga.

Nessas ações vemos grandes empresas recompensando ou agradando de alguma forma uma forma de mídia. Se fosse uma revista elas pagariam uma propaganda. Sempre foi comum também chamar jornalistas para grandes eventos com salgadinhos e outros luxos para apresentar seus produtos. Por muito tempo isso foi normal e simpático.

De uns 20 anos para cá isso começou a incomodar muita gente. Lembro que há uns 7 anos a Apple deu vários iPods para jornalistas e muita gente chiou.

Creio que isso é reflexo de uma das grandes causas da existencia da Internet como é hoje: Não queremos mais nos sentir números na multidão. Queremos sentir que nossa voz pode ser ouvida. Então uma voz fala dentro da nossa cabeça “Porque o jornalista ganhou o iPod e não eu?”, “Porque a empresa está mimando aquele blogueiro e não a mim?”.

Neste exato momento as campanhas que paparicam as pessoas mais inseridas nas bolhas de celebridade da Rede (e até dá para tentar advinhar que agencia fez cada ação pelas pessoas escolhidas) dão certo pois a grande maioria dos consumidores mal conhece a Internet e saberá apenas que “O produto tal foi um sucesso porque todo mundo falou nele na Internet”.

No entanto acredito que a médio prazo (e cuidado com o que acontecerá na blogosfera brasileira agora que a novela terá um personagem blogueiro) as empresas devem aprender a se colocar não como algo acima dos consumidores, mas como mais um deles.

Hoje há várias pessoas no Twitter por exemplo que são representantes de empresas. Há uma para uma peça, outra para promover livros. Todos sabem que elas são partes de campanhas de marketing de alguma agência, mas cada uma delas se comporta estritamente como uma pessoa chegando a participar de amigos ocultos.

Colocar a empresa ao lado do consumidor, conversando com ele em pé de igualdade me parece uma necessidade inevitável nos próximos anos, ou meses… A velocidade das coisas online é imprevisível.

Fungos, cândida bicarbonato e a cura do câncer

Wednesday, November 12th, 2008

A história do médico italiano Tullio Simoncini que diz ter descoberto que o câncer não existe, mas é apenas uma reação do nosso corpo a uma infestação de um fungo, mais especificamente o da cândita, tem tudo para se tornar uma notícia viral com jeito de hoax.

Todas as características estão lá no email que recebi:

  • O nome do médico não é citado
  • A paranóia “eles não querem que você saiba”
  • Links para vários artigos, mas nenhum científico

Esse caso é meio complicado pois o médico realmente existe e afirma mesmo ter descoberto que o câncer pode ser curado simplesmente lavando o tecido atingido com uma solução aquosa com 20% de bicarbonato de sódio.

Aqui vão os links:

Me faz lembrar o cara nos EUA que afirma que a maioria das doenças modernas são simplesmente porque bebemos pouca água…

Perdi um dos meus melhores amigos de infância para o câncer, a gente brincava em Cabo-Frio quando tinhamos uns 11 ou 12 anos, ele não chegou aos 15… Tenho parentes que estão enfrentando o câncer agora mesmo.

É claro que a gente deseja imediatamente que a solução seja assim tão simples!

Pode até ser, mas é necessário pensar claramente e desconfio que há algo errado na teoria do Dr. Tullio Simoncini.

Aliás ele mesmo utiliza bastante o argumento da teoria da conspiração (“eles não querem que você saiba”) que é uma ótima ferramenta quando você não tem como provar o que está dizendo: “eles estão encobrindo”

Pensei nas seguintes perguntas a serem respondidas:

  1. Se o câncer ocorre ao redor de uma infestação de cândida qual é a dificuldade em demonstrar que ela sempre está ali? Deveria ser fácil provar a teoria
  2. Qual é o interesse em abafar o fato? Suponho que seria o de impedir a queda das vendas dos medicamentos para quimioterapia, mas gostaria que ele apontasse isso claramente
  3. Entendo a indústria farmacêutica impedir o governo e a mídia, mas o que tem impedido os médicos e associações de vítimas do câncer?
  4. Mesmo que se comprove a presença de cândida em todos os casos de câncer é necessário explicar como o fumo ou certos alimentos favorecem a infecção por cândida (que à propósito é parte da nossa flora natural até onde sei).

Pesquisei um pouco e encontrei um artigo no SCIELO (que costuma ser bem sério) demonstrando que menos de um terço dos casos de câncer na boca estão associados ao fungo cândida (que a propósito faz parte da nossa flora normal).

No Yahoo! Answers tem uma resposta desqualificando sensatamente as suposições do dr. Tullio Simoncini.

O golpe mais duro está no blog Dokter Lutser (em Inglês) que expõe denúncias de fraude e conta boa parte da trajetória do médico..

Além disso dar falsas esperanças pode ser um veneno mortal, por isso eu seria cauteloso ao repassar essa informação e mais ainda em indicar esse tratamento.

Faça sua prórpria pesquisa, consulte seu médico e use seu próprio senso crítico.

Tem um post muito bom no Lablogatórios intitulado Bicarbonato de sódio NÃO cura o câncer.

Daft Punk e os virais mentais

Wednesday, October 29th, 2008

Ontem estava conversando com um amigo que é dono de uma produtora de vídeo e disse querer fazer um vídeo viral e passei a compartilhar com ele um pouco do que eu penso a respeito.

Bem, antes de mais nada, já que é a primeira vez que falo em memes virais e o caro visitante pode não ter idéia do que é isso aqui vai uma descrição bem sucinta:

Um vídeo, imagem, melodia, texto ou notícia que se propaga descontroladamente é um meme viral. Pode facilmente ser meramente uma expressão que alguém disse na rua como “Pô, o cara é esperto ao último“, mas os memes virais mais comentados são os que se propagam pela Internet porque está na moda falar em Internet.

Um dos tipos de memes virais que eu mais gosto ó o que chamo de mentais porque nos oferece um desafio de atenção ou velocidade de raciocínio.

Creio que um dos exemplos mais divertidos começou com as mãos que mostram a letra da música Harder, Better, Faster, Stronger do Daft Punk:

Que depois gerou essa versão feita por uma dupla de estudantes de medicina.

Na minha opinião há duas coisas notáveis sobre esse meme.

A primeira é que dá vontade de assistir várias vezes pois nosso cérebro gosta do exercício de tentar acompanhar a letra e ver se não houve um erro. Não vejo necessariamente como um ato de sadismo tipo “erra! erra!”, apesar de poder ser o caso para algumas pessoas, mas uma mistura de admiração pela habilidade que somos capazes de demonstrar e vontade de ver se é capaz de copiar ou melhorar a performance.

E esta é a segunda e talvez mais importante característica desse meme: ele não é meramente repassado como alguns outros, ele se transformou e se adaptou criando um exemplo perfeito de como o meme é semelhante ao gene como afirma Susan Blackmore.

Acredito que o meme metal nos desafia a ser melhores e mais rápidos e por isso são importantes.

Nem todo meme nos impulsiona para um estado melhor para nós humanos, memes são apenas sequências de informação que se reproduzem, transormam e transmitem sua hereditariedade tornando-se mais complexos o que não significa que nos tornam humanos melhores…