O Sou Mais Web é um dos eventos que faz do Rio uma imprtante encruzilhada das considerações sobre as transformações que estamos assistindo enquanto saímos da era industrial para um tipo de sociedade do conhecimento.

O evento (mensal) é totalmente gratuito e sempre atrai algumas das mentes mais instigantes para apresentar ideias para uma platéia igualmente inovadora.

Essa edição foi sobre E-Branding.

Como logo surgirão vários posts resumindo o evento como o E ai dona marca, já conversou com seu cliente hoje? do Cristiano Web vou me dedicar mais aos insights que tive, sim, todo #soumaisweb deixa nossas mentes fervilhando de ideias 🙂

O meu ponto de vista sempre tende para as teorias da informação, antropologia e memética e foi assim que juntei as três apresentações e os papos durante e depois do Sou Mais Web.

A primeira a falar foi a Daniella Meirelles da DBrand que frisou a importância de compartilhar além de ouvir e interagir com o cliente.

Em seguida Andrei Scheiner fez uma instigante demonstração de até onde nós estamos dispostos a abraçar as marcas: até o ponto de tatuá-las na testa.

Por último, mas não menos brilhante, Gabriel Rossi da Digital Branding reuniu uma sequência de máximas como “A próxima bolha a ser estourada tem de ser do pensamento equivocado e pré-internet de muitas empresas”.

Do meu ponto de vista influenciado pelas teorias dos memes a construção da percepção das marcas (o tal branding) é mais um exemplo de como nossas mentes naturalmente adotam comportamentos, crenças, culturas e outras formas de informação e as modificam.

Sei que esse tipo de ideia soa como ficção científica (e na verdade estou resistindo à tentação de extrair exemplos de Battlestar Galactica ou de Caprica), mas adotando uma abordagem mais prática me lembro de meados da década de 90, ainda na era da Internet a vapor (BBS) quando a IBM viu seu sistema operacional sair de seu controle e ser adotado por um grupo de usuários que acabou se auto-definindo como team OS/2.

O Team OS/2 é apenas um de vários exemplos de redes sociais que extrapolam os limites da realidade offline e se tornam globais. Eu estava entre eles e éramos usuários perfeitamente comuns e sem qualquer ligação com a IBM, ela na verdade não gostava da nossa intromissão modificando o branding do seu sistema e até nos considerando no direito de criticar o dela.

O OS/2 passou (como disse Gabriel Rossi, tecnologia é mato, observe comportamentos), mas a IBM mudou e o mundo está cheio de teams (Nokia, Apple, Coca-Cola).

Vemos como as empresas mais bem sucedidas em geral são as que aprendem a construir branding colocando-se no papel de receptoras (o “escute” da Danielle Meirelles) e abraçando as pessoas que se apaixonam por seus produtos a ponto de tatuá-los em seus corpos.

Uma outra demonstração do fenômeno está nas empresas digitais que muitas vezes começam com um objetivo (o Twitter era para amigos falarem para outros amigos o que estavam fazendo e não um tipo de porta para o fluxo da realidade offline para a online) e foi profundamente transformado conforme era adotado por tribos digitais. Há diversos bons exemplos disso no livro Startup.

No entanto, se esse fenômeno de criação coletiva de branding segue um comportamento memético temos que ficar atentos.

Na revolução industrial fomos transformados em engrenagens de uma cultura que não estava interessada no bem estar humano e Chaplin nos lembrará sempre disso em Tempos Modernos.

Agora, em uma era onde a informação é a engrenagem da civilização corremos o risco de sermos reduzidos e reuitadores, tuitadores e processadores de dados.

Não que isso seja ruim, provavelmente é parte do que nos torna humanos, únicos e maravilhosos, mas precisamos desenolver a nossa própria consciência e realizar essas tarefas de uma forma que crie uma civilização melhor para os humanos e não para os espaços de experimentação de marcas.

Contra nós está o fato das empresas, que são as gestoras do branding, não serem máquinas genéticas limitadas pela velocidade e capacidade de processamento do nosso cérebro ou da nossa capacidade de adaptação física: elas se movimento à velocidade digital e nós talvez sempre sejamos analógicos.

Se não quisermos um mundo onde humanos tenham que enfrentar uma guerra sem esperanças contra a inteligência digital dos cilônios (acabei não resistindo) temos que aprender a lidar com a civilização digital.