Posts Tagged ‘blogosfera’

Tudo na Terra pertence aos seres vivos, inclusive a Nokia

Monday, January 11th, 2010

O fechamento do blog NokiaBR sob ameaça de processo feita pela Nokia me fez quebrar um pouco a minha linha editoria para somar minha voz aos protestos.

E ainda outro dia eu falei que só faltava sermos processados por falar bem, pois aconteceu.

O que acontece é que as corporações desenvolveram a visão psicopata de que elas podem ter posse sobre o que não lhes pertence: fórmulas de remédio pertencem à humanidade, o carbono no petróleo pertente a todos os seres vivos, marcas pertencem aos consumidores.

Exato, as marcas Nokia, Apple, Globo, Paramount, Nasa, Monsanto não passam de nomes de grupos cuja causa e função são as pessoas que consomem seus produtos e as consequências das suas ações as tornam servas de todos os seres vivos no planeta.

A lei não nos permite, mas o fato é que, nós humanos, temos direito moral de usar as marcas que nos servem como desejarmos desde que não embuídos de interesses escusos.

Nós temos o direito de usar as marcas para criticar suas falhas, sugerir novos rumos e elogiar o que admiramos.

Falta agora as corporações entenderem o fantástico universo de possibilidades diante delas se entenderem isso.

Blog da Petrobrás: A velha mídia se perde

Wednesday, June 10th, 2009

Deixei o seguinte comentário no post do blog da Petrobrás em resposta ao #mimimi do jornal O Globo:

É com muita animação que recebo a criação desse blog!

Por décadas a mídia se acostumou a ser um porta voz acéfalo que repetia os fatos e dados, muitas vezes com erro.

Deveria caber à mídia analisar os fatos e dados construindo artigos críticos e inteligentes. O que temos visto é uma vasta galeria de matérias apressadas que parecem pagas hora por uma empresa, hora por sua concorrente.

Finalmente chegamos a uma era em que não precisamos de intermediários para compartilhar nossos fatos, dados e voz pessoal ou corporativa.

É triste ver a velha mídia preferindo chamar os blogueiros de chipanzés (não esqueci da propaganda do Bruno…) enquanto se comporta como um babuíno enfurecido.

A iniciativa da Petrobrás é louvável! Agora vamos observar duas coisas:

  1. Será que a velha mídia redescobrirá sua missão de aplicar inteligência aos fatos e dados?
  2. Quando os blogueiros fizerem o que a velha mídia não tem feito (e nós faremos) a Petrobrás saberá dialogar conosco sem apelar para a justiça com o intuito de restringir nossa liberdade de expressão como muitos tem feito?

A propósito faltou dizer no comentário que outra prática comum e irritante na velha mídia quando tenta atuar online é raramente fornecer links externos onde possamos ouvir o outro lado da matéria. Erro que o blog da Petrobrás também está cometendo e procuro corrigir aqui ao citar os dois.

Abordamos esse tema no Twitcast que irá ao ar ainda essa semana, mas há algo que precisa ser dito também em texto claro ;-)

Você abre o jornal para saber como vão seus pais? Liga a tv para saber se a sua rua está engarrafada?

Não precisamos da mídia para nos mostrar o que está acontecendo ao nosso lado, e na era da Internet absolutamente tudo acontece logo aqui do nosso lado, da consulta da Demi Moore no dentista ao acesso aos dados da Petrobrás.

Precisamos dela para dizer que aquele complexo vitamínico que nossos pais estão ingerindo não é eficaz apesar da grande propaganda de meia página na folha anterior do jornal.

Quem está cumprindo esse papel são blogueiros como a Denise Arcoverde em sua série de posts sobre aspartame (um caso antigo para mostrar que não é um fenômeno novo).

Há muitos anos não leio jornais, não preciso deles para saber horas ou dias depois o que vejo quase instantaneamente online e cada vez mais gente percebe isso.

Para sobreviver a velha mídia precisa compreender a nova sociedade.

É claro que a inclusão digital ainda é um projeto e que gente sábia como o Nepomuceno nos lembra que não estamos diante de uma nova sociedade, mas o fato é que as espectativas sobre a mídia mudaram.

Sim, sim, também comentamos no Twitcast que as pessoas se sentem atraídas por coisas toscas e que a velha mídia está apenas buscando consumidores ao fazer sensacionalismo ou reality shows toscos, mas isso promove uma corrida para longe da qualidade do conteúdo da mídia em direção a coisas que qualquer um pode fazer melhor (e faz) no Youtube ou em blogs.

Arrisco uma sugestão (entre muitas outras) para reavivar a velha mídia: Junte-se a nós. Não tente ser um facho de luz cercado de pessoas perdidas, veja-se como mais uma voz, caminhe lado a lado com os milhões de Brunos que copiam e colam informações somando uma ou duas linhas da própria opinião (sempre linkando a fonte original), use a vantagem da sua capacidade investigativa para descobrir o que não podemos e converse conosco!

Acima de tudo, nós pessoas, gostamos de ser tratadas com repeito, como iguais e seremos muito legais com vocês se notarmos que seu compromisso é conosco e não quem aquele anunciante da página central ou aquele grupo politico-corporativo com quem todos tem ligações estranhas.

Campus Party: Fábio Malini e ética blogueira

Wednesday, January 21st, 2009

Acabo de assistir o blogueiro e jornalista Fábio Malini falar sobre sua visão a respeito de O que nós, blogueiros, somos.

Li o post inteiro que é enorme e isso por si só já é um fato notável pois o tempo aqui na Campus Party é escasso e os estímulos incontáveis, no entanto o texto é imperdível para quem está interessado em tentar entender para onde estamos caminhando.

A essência do artigo do Malini é que o blog é fruto do rompimento com a estrutura de poder e, nas palavras dele, da ótica do escravo onde uns poucos detem a prerrogativa de donos do conhecimento e o negam à pessoa comum condenando os blogs de diversas formas.

O blog seria o começo de uma nova democracia representativa.

Concordo com tudo isso, mas discordo da visão romântica que ele apresentou onde os blogueiros estariam em busca de uma ética.

Espero que todos que vierem a ler este post ou o post dele apontado mais acima adotem ideais éticos como criticar a informação antes de reproduzí-la, citar as fontes que divergem da sua opinião e aceitem seu papel coadjuvante em uma grande coletividade de idéias que ganham corpo sem que qualquer indivíduo obtenha destaque.

Imagino que em uma blogosfera de blogueiros éticos como os que Malini apresenta não haja celebridades e sim uma infinidade de grupos de amigos por onde transitam ideias (memes) que podem se reproduzir, modificar e crescer entre essas infinitas microesferas de forma que os memes mais aptos se tornem um consenso norteando assim a nossa consciência coletiva.

Pessoalmente creio que analizando os blogueiros individualmente (incluindo eu mesmo provavelmente) o que buscamos não é compartilhar, mas a sensação de que não somos vozes anônimas.

Escrevemos blogs para nos sentirmos alguém e nos alegramos quando somos reconhecidos ou agradados como nas cada vez mais frequentes ações de marketing em mídias sociais digitais.

Muito embora concorde plenamente que a Internet é um instrumento criado por uma nova sociedade do conhecimento que revolucionará nossa civilização como não acontece a talvez cinco mil anos não compartilho da sua visão otimista do indivíduo humano.

Teremos, em minha opinião, uma grande massa de blogueiros repetidores, uma massa igualmente grande de blogueiros que buscam reconhecimento acima da multidão, ou seja, ser o próximo personagem de um Big Brother digital e uma minoria ínfima, talvez 5%, de blogueiros que pensam e seguem idéias como as que ele apresenta no post linkado lá em cima (eu realmente estou querendo que vc o leia).

Isso não é ruim.

Pode ser ruim individualmente pois o blogueiro que lutar para se destacar dentro da massa provavelmente não conseguirá mais do que ser uma microcelebridade que tem a ilusão da fama ou no máximo uma celebridade relâmpago que cai na midia antiga e massificada para logo depois desaparecer para sempre.

Coletivamente o processo de formação de uma sociedade do conhecimento onde as vozes coletivas determinam os rumos da civilização e os antigos detendores do poder se tornam meros atores coadijuvantes está garantido e, sempre gosto de repetir, é inevitável: processos evolutivos são irremediáveis.

Isso, ao meu ver, define a ética blogueira: a ética dos memes. Reproduzir (citando a fonte), transformar (citando a fonte), combinar informações (citando a fonte). E seja reproduzindo, transformando ou combinando sempre seguir a ética do compartilhamento realizado pela citação das fontes. A ética blogueira é comunitária e colaborativa.

No final das contas concordo com o ponto central do discurso de Malini: não podemos admitir que se diga que não há uma ética blogueira.

Vale a pena ler também o artigo da Prill sobre outros olhares sobre a blogosfera brasileira.

A morte da blogosfera

Monday, November 24th, 2008

Pois é… Um blog da Wired diz que o blog está morrendo e se faz uma polvorosa na blogosfera! ;-)

Os argumentos do cara até são razoáveis, mas o que mata um meio é outro melhor. O livro matou o contador de histórias, bem na verdade ele o tirou do centro do cenário cultural, mas ai estão os mestres de rpg e os tradicionais contadores de história que continuam encantando adultos e crianças.

O email também vai morrer porque vamos deixar de usá-lo para repassar vídeos, ppts, fotos e correntes virais… Tolice! Vamos usá-lo menos e para coisas mais específicas.

Os blogs serão destruídos pelas redes sociais?

A questão é que o blog não é “a coisa”. A Coisa é a transformação da Internet em uma rede de pessoas mais ou menos comuns (o acesso à Rede ainda não é tão democrático assim) que se manifestam e trocam informações eliminando fronteiras que eram intransponíveis até o final da década de 90.

Tenho preferido o termo memesfera a blogosfera. A memesfera seria todo meio propício à troca de memes (idéias, costumes, culturas etc) e começaria ali na sua sala de estar onde você pensa com seus botões, passaria pela mesa de bar ou pelo auditório da faculdade e explodiria em milhões de possibilidades na digitosfera (acabo de inventar isso, não sei se outros já o fizeram) que é a esfera digital onde os memes se propagam: Internet, televisão, rádio, CDs etc.

A melhor coisa que acontecerá à blogosfera é sua morte, ou seja, a migração de todos que não tem nada a dizer para meios mais especializados em copy&paste. Isso deixará a blogosfera para quem prefere tentar ser original.

Quem matou a blogosfera?

Wednesday, November 19th, 2008

Com um pouco de atraso resolvi comentar o artigo do Nicholas Car: Who killed the blogosphere?

O que ele aponta no artigo na verdade é a transformação da blogosfera em uma nova mídia formal, com a mesma estrutura, compromisso com os anunciantes etc.

Mesmo no Brasil isso já está acontecendo, mas vejo como parte do processo e como um evento extremamente benigno já que muitos desses blogs são mantidos por indivíduos ou pequenos grupos que não fazem parte da grande mídia e pressionam as mudanças delas.

Além do mais, quando se tornam imprensa marrom seus compromissos são com outros poderes e muitos fatos que a grande mídia não cobre acabam sendo cobertos por estes blogs.

Outro ponto de destaque no artigo é a pequena quantidade de blogs ativos: apenas 1,7 milhões de blogs do Technorati são atualizados semanalmente.

É claro que o Technorati não tem todos os blogs do planeta cadastrados (ele a propósito se recusa a aceitar este blog), mas é uma boa amostra e creio que podemos supor que o número de blogs ativos não passa dos 7 milhões.

Isso não quer dizer que a blogosfera está diminuindo, pode ser apenas o reflexo da sua expansão para outros meios, afinal o mesmo exercício de livre expressão que praticávamos apenas em blogs agora pode ser feito em microblogs como o Twitter, comunidades e forums online apenas para citar alguns.

Lugares como sites de compartilhamento de vídeo, de fotos e de apresentações também são espaços de manifestação pessoal e não são blogs.

Afinal de contas porque a blogosfera é algo importante? Nunca foi! O que é importante é a possibilidade de uma pessoa comum se fazer ouvir globalmente impulsionando um tipo de hiperdemocracia onde todos tem voz!

Por um tempo o blog foi a única forma de fazer isso. Não é mais.

A blogosfera termina? Duvido, acho mais provável que ela se divida em dois grupos diferentes (e minoritários em relação à algaravia de vozes espalhadas pela Rede): corporativos e pessoais.

Os blogueiros corporativos são os que Nicholas comentou, os que se profissionalizaram tanto que já não diferem muito do blog de um grande jornal. Os pessoais são os que mantém a… bem, a pessoalidade em seus textos ;-)

No final das contas o que estamos vendo não é o fim da blogosfera, mas a expansão das formas como nós, pessoas comuns, podemos exercer nosso direito à livre expressão na Rede. A evasão de pessoas da blogosfera para outras esferas é natural, mas o fenômeno da hiperdemocracia permanece.