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Redes sociais são a boca do Inferno?

Wednesday, April 29th, 2009

O governo de SP proibiu por Decreto n.49.914, de 14 de agosto de 2008, o uso de ferramentas sociais em telecentros. Um absurdo!

@pollyanaferrari em 28/04/2009

Já em setembro de 2008 o @samadeu comentou que o Twitter, MSN e Orkut estavam sendo bloqueados em escolas em São Paulo por conta dessa lei.

Pedofilia, drogas, sexo, armamento, violência,  pornografia e perda de tempo.

Esses são os estigmas das redes sociais online. Assim a interação humana é vista por políticos, pais, professores e juristas.

Aliás, acrescente-se à lista as calúnias, injúrias, difamações e toda sorte de organizações terroristas.

Nós que habitamos a digitosfera (a realidade que pode ser acessada por dispositivos digitais como celulares, computadores, pdas e outros) não vemos assim.

Para nós o ciberspaço é como as ruas das nossas cidades e aprendemos a reconhecer suas ruas escuras, grupos suspeitos e becos sem saída.

Há muitas dúvidas sobre o futuro, mas uma coisa é certa sobre ele: a digitosfera como chamo ou ciberspaço são um tipo de realidade online inevitável e todos habitaremos nela, mesmo que não saibamos disso.

Impedir nossos jovens de adquirir experiência nesses ambientes é como mantê-los presos em casa alienados dos perigos – e deslumbramentos – do mundo real lá fora.

Grande parte da confusão acontece porque muitas pessoas apenas acessam a Internet sem realmente habitá-la e acabam por não compreender as regras dessa sociedade. Elas enxergam apenas “sites” e não pessoas.

O restante da confusão fica por conta do fato da grande maioria, pelo menos dos políticos, juristas e educadores sequer acessarem a Internet mantendo com ela uma relação totalmente equivocada, como se ela fosse uma biblioteca de livros, jornais e revistas onde qualquer um tem direito de adicionar sua obra.

Veremos um período de transição que pode ser longo ou curto, mas onde as grandes vítimas serão nossos jovens. E não serão vítimas dos perigos online, mas do seu despreparo para enfrentá-los.

A rua está ali fora. Nossos filhos precisam ir ao colégio e sair para encontrar com os amigos, se divertir, fazer pesquisas… Se eles não souberem andar nas ruas se perderão, serão vítimas fáceis.

O tempo de restringir o acesso à Internet já ficou muito para trás, lá na década de 90, o tempo agora é de compreender a Rede e aprender a reconhecer suas ruas, vilas, becos, praças…

Vou listar então algumas das suas características que tenho percebido

Anonimato

Sim, é possível e sempre será possível estar totalmente anônimo na Internet, assim como é possivel caminhar pela rua totalmente encapuzado.

Quando você vê uma pessoa encapuzada na rua você confia nela?

Na Internet também não.

Os anônimos são vistos com precaução e até rejeição. O anonimato online é um mito.

Em redes sociais há os contatos da pessoa atestando quem ela é.

Os que possuem blogs antigos tem um status diferenciado pois possuem uma identidade mais clara e redes de contatos.

A propósito são raras as amizades virtuais. Elas transitavam entre a realidade online e offline desde os tempos dos BBS no iníncio dos anos 90 quando literalmente centenas de amigos online levavam suas amizades para o espaço offline.

Pedofilia

Não é possível tocar pessoas pela Internet.

Um dos maiores problemas com a pedofilia online são as fotos e filmes envolvendo sexo com crianças, o que é e deve ser crime, mas antes disso há o crime de fato: alguém produziu os filmes e fotos! De nada adianta tapar o sol com a peneira escondendo o fruto do crime que está online. Na verdade rastrear esse material pode ser uma das melhores formas de chegar aos criminosos… Normalmente familiares ou pessoas muito próximas das víticas

O segundo maior problema seria o assédio a crianças, mas além das pesquisas apontarem que isso é um mito (as crianças simplesmente não se interessam) é mais sensato preparar as crianças para reconhecer os perigos do que aliená-las, afinal como eu já disse: é inevitável que a digitosfera alcance todos nós, nem que seja na casa de um amigo.

Calúnias, injúrias e difamação

No início desse anos vi um rapaz difamar e injuriar uma moça em seu blog e se oferecer para apagar o post quando ela reclamou, mas a resposta dela foi “Não apaga, só aprove meu comentário e deixe lá”.

Trata-se de uma nova moral em formação. Nada é mais sagrado para as pessoas que habitam o ciberespaço do que a liberdade de expressão e estão dispostas a conceder e usar o direito de resposta.

As disputas judiciais ficam para os casos estremos em que uma das partes não compreende essa nova moral.

Esse tópico pede um ou mais posts e portanto vou deixá-lo como está para voltar a ele no futuro ou nos comentários.

Violência

Realmente há sites que fazem apologia a violência, preconceito, racismo e todo tipo de ódio. Há também sádicos que encontram prazer estimulando suicidas. Esta é uma das regiões mais assustadoras da Rede, mas é um preço que devemos pagar para garantir que a democracia possa subir para um novo patamar.

Além do mais este é mais um caso em que a vivência e orientação dos pais ajuda a transformar em oportunidade para discutir a realidade.

Sim… Realidade… Esqueça essa coisa de mundo virtual. Como já disse o que temos visto é realidade online e offline. E a discussão online tem se mostrado mais profunda.

Sexo

Humm… Sexo não é aquilo que garante a sobrevivência da nossa espécie? Ele é ruim porque mesmo?

Tá, digamos que estamos falando em perversão sexual ou em ter contato com informações sobre sexo saudável antes do tempo.

Errr… Você ligou a TV ou andou pela rua recentemente e olhou para as bancas de jornal? Já conversou com seus filhos e descobriu que está cheio de pais moderninhos que falam tudo para os próprios filhos, os amigos dos seus filhos?

Boa parte do que tenho a dizer se resume a isso: o acesso à informação é irremediável. Nossas crianças terão acesso a ela mesmo que não tenhamos luz em casa. O melhor a fazer é ajudá-las a lidar com essas informações.

Drogas

Bem, não há como transferir produtos químicos pela Internet.

Sabe-se que há um certo comércio de drogas e já vi alguns casos de pessoas que foram presas depois de vender drogas pelo Orkut.

Acontece que, como eu disse lá no ítem anonimato, as redes sociais estão cheias de pistas das identidades dos criminosos e, claro, eles precisam fazer as vendas offline.

Sim, é claro que crianças podem esbarrar em páginas ou pessoas que tentarão convencê-las a usar drogas, mas raramente as coisas chegam às pessoas na Internet, somos nós que vamos às coisas.

Mesmo que seja o contrário, volto a dizer que a alienação não é uma forma de defesa e sim a consciência.

Armamento

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Sou contra armas, acredito que nossa espécie simplesmente devia deixar de fabricá-las. Simples assim!

Mas não entendo o problema de se falar em armamento online, offline ou onde quer que seja.

Vigilantismo, essa palavra feia

Sunday, November 16th, 2008
Selo da blogagem coletiva

Selo da blogagem coletiva

Ontem – estava com amigos jogando Wii e perdi o dia – foi a data escolhida para uma blogagem coletiva contra as tentativas de impor uma vigilância aos nossos passos na Internet. Teve até este selo de divulgação.

O vigilantismo na Rede é visto como uma semente da intromissão fascista do estado e outros poderes suspeitos em nosso direito à privacidade. Algo que lembra bem os alertas de George Orwell em 1984.

O Wii não foi o único responsável por eu não ter participado da blogagem coletiva. É que eu não sou assim tão contra alguma forma de registrar por onde as pessoas estão andando pela Internet.

Do jeito que está hoje qualquer um com conhecimentos mínimos de Internet pode comercializar drogas, marcar com amigos para sair pela rua espancando as vítimas dos seus desafetos (gays, mulheres, negros, pobres etc.), entrar em salas de chat para crianças e tentar assediá-las sexualmente, cobrar resgate, estimular o suicídio alheio ou qualquer outra coisa estranha que possa vir às suas cabeças. Resta aos agentes da lei contar com algum outro vacilo para conseguir identificar essas pessoas.

No mundo não digital nós somos vistos, deixamos digitais, fios de cabelo, imagens em sistemas de segurança… E na Internet? Na Internet somos invisíveis. E H.G. Wells já nos avisava dos riscos da invisibilidade em seu livro de 1897…

Por outro lado é inegável que a liberdade de expressão possível na Internet tem incomodado tanto a mídia que não se atreve a contrariar seus proprietários (os anunciantes) quanto as corporações e políticos corruptos, ou seja, só três dos três poderes…

Então é claro que, nas entrelinhas das leis contra cibercrimes podem tentar inserir armadilhas contra a liberdade de expressão e a democracia e é contra isso que devemos estar atentos!

O que está em jogo não é o nosso direito de baixar filmes e seriados ilegalmente (direito, a propósito, que não existe…), mas a Internet como espaço sério de manifestação do livre pensamento e do poder da mídia espontânea e o anonimato é uma invisibilidade que polui a beleza da Internet.

Creio que o nosso papel deve ser tanto o de vigiar e debater os projetos contra cibercrimes garantindo que não passem entrelinhas anti-democráticas e vigilantistas, quanto o de garantir que sejam criadas formas legítimas de restringir a invisibilidade online.

Um dos melhores artigos que li a respeito foi o da Lu Monte: Projeto de Cibercrimes – Colocando os pingos nos Is. Leia lá também o comentário de J.F. Mitre, é uma visão contrária e interessante.

Leia também o post do Inagaki que resume tudo em poucas palavras.

A parte que mais incomoda na lei é o registro de tudo que você acessa enquanto navega pela Rede dando a quem tem acesso a esses registros um poder perigoso e contrário ao seu direito à privacidade. Isso é fato. Também é fato que a lei não impede que a pessoa com intenção criminosa use um anonymouse.org na hora de cometer seus crimes tornando-se assim invisível e com isso somente as pessoas comuns acabarão sendo vigiadas e apenas os criminosos leigos serão rastreáveis graças aos dispositivos criados por essa lei.

Relendo tudo que escrevi acabei percebendo que a lei não terá qualquer efeito útil no combate ao crime online. Continuo achando que é necessário atualizar os textos das leis deixando claro que o crime online também é crime, mas o vigilantismo me parece uma tolice.

Talvez a melhor forma de combater o anonimato e a invisibilidade na rede esteja, como me disse o Antonio Azevedo, no desenvolvimento da cultura de Internet no sentido de desqualificar os sites anônimos, ou seja, você confia no blogueiro ou no email que faz acusações sem jamais se identificar? Você procura o “quem sou” ao entrar em um novo site?

Resta agora saber o que fazer quando um invisível usar a Internet para nos difamar, assediar, ameaçar ou importunar de qualquer outra forma. Se fosse por telefone teria o identificador de chamadas…