Posts Tagged ‘comunicação’

A síndrome do apocalipse e o fim do email

Thursday, November 19th, 2009

As intensas transformações por que estamos passando levam a uma insegurança que nos torna um tanto apocalípticos e saimos anunciando aos quatro ventos o fim de tudo! Fim dos blogs, fim dos emails, fim do mundo.

Quando uma lagarta se transforma em borboleta a lagarta não deixou de existir: ela mudou.

O que é o email?

Antes de saber se ele vai acabar é melhor definir o que ele é.

O email é uma forma não volátil, assíncrona e organizada de estabelecer diálogos restritos a um grupo de duas ou mais pessoas engajadas em uma atividade em comum.

Podemos dizer também que é um tipo de troca de cartas digitais.

Ele se diferencia dos chats por ser mais organizável (em pastas, categorias etc.), assíncrono (os participantes não precisam estar conectados ao mesmo tempo) e não volátil (a maioria dos chats desaparecem assim que o diálogo termina (ou o hd é formatado)

Há os scraps e depoimentos que também diferem muito do email. No primeiro caso são diálogos totalmente descartáveis pois não há um encadeamente de quem responde a que e no segundo caso não é possível envolver mais de duas pessoas no diálogo.

O email vai morrer porque as crianças não o usam?

Esse é o argumento mais comum que ouço para o fim do email: os jovens e crianças o consideram coisa de velho.

Bem, jovens e crianças não trabalham e a maior parte das suas atividades de comunicação envolvem o esforço para se incluir em grupos sociais: quanto mais aberta e volátil a forma de diálogo melhor. Por isso a migração para redes socias.

Se esse fosse um bom argumento, mesmo levando em consideração que a maioria dos adultos são infantis, poucas coisas do mundo adulto existiriam ;-)

Talvez os jovens sejam um bom termômetro para detectar novas tendências, mas duvido da utilidade da opinião deles para ferramentas de trabalho.

O que pode matar o email?

Há muitas falhas nos emails atuais (as crianças não gostarem dele não conta como falha).

  • Quando você troca vários emails com uma pessoa o mesmo trecho acaba se repetindo várias vezes enquanto a mensagem vai e vem. A coisa piora exponencialmente quando várias pessoas participam da conversação.
  • Inserir pessoas no diálogo é ineficiente pois os novos participantes precisam decifrar um emaranhado de mensagens repetitivas que se empilham
  • Ele não é colaborativo, ou seja, você envia um texto para as pessoas, cada uma faz comentários e sugestões em novos emails em vez de poder atuar dentro do texto que você escreveu originalmente
  • É difícil inserir conteúdo não textual em emails e eles são estáticos, não é possível, por exemplo, inserir mapas, enquetes, slideshows etc.
  • Ele está preso às nossas coisas postais. Se você quer tornar um email público na melhor das hipóteses teria que enviar a versão mais recente dele para o posterous.com. Agora imagine que você consiga unir três grandes diretores de cinema para bater um papo de forma que todos possam ver… Você nem pensará no email.
  • Não há qualquer possibilidade de integração do email com as redes sociais e, em alguns casos, isso poderia ser muito útil.

Isso anuncia a morte ou a transormação do email?

Quando as pessoas mandam DMs pelo Twitter, scraps ou depoimentos pelo Orkut, mensagens pela fazendinha do Facebook elas estão buscando novos emails e não o fim do email.

O que estamos vendo é um período de metamorfose. O email precisa se transformar em uma borboleta.

Ok, você pode dizer que a lagarta morreu se isso te fizer sentir que está entrando no século XXI :-)

Quem já se informou sobre o Google Wave ou o está usando deve ter percebido que ele resolve a maioria das falhas que citei mais acima. Será ele o novo email apesar de muitos se dizerem decepcionados? – provavelmente por procurarem nele um chat ou substituto para o Twitter -

Bem, talvez quando o mundo não acabar em 2012 finalmente nos tornemos menos apocalípticos e encontremos um sucessor para o email. O tempo nos dirá ;-)

O Futuro das Agências de Marketing: Sou Mais Web

Friday, October 23rd, 2009

O Sou Mais Web

Organizado por Nino Carvalho da The Godfather Estratégias Sociais é um dos eventos de tecnologia e marketing mais instigantes do Rio de Janeiro. Estou certo que os artigos que os artigos que anexei no fim desse post ajudarão a entender como foi a décima primeira edição do evento que acontece mensalmente.

O que eu estava fazendo lá?

Sou um apaixonado pelo processo do conhecimento, cultura e conhecimento humanos e creio que é no Marketig que as recentes mudanças de rumo da nossa civilização se fazem sentir com mais clareza por isso, mesmo não sendo um profissional de marketing tenho ido a todos os eventos que posso. O Sou Mais Web é um dos três que considero mais importantes.

Que post estranho é esse?

Se você vem sempre aqui (o que é pouco provável pois devo ter apenas uns 12 leitores frequentes) deve estar se perguntando porque estou escrevendo como se fosse o primeiro post.

Estou experimentando. A gente deve experimentar sempre!

A maioria dos visitantes de um blog são paraquedistas que chegam ao seu blog em busca de respostas rápidas às suas perguntas.

Qual será o delicado equilíbrio entre encher a paciência dos leitores fieis e ser útil para um universo muito maior de pesoas?

É bem provável que uma recomendação “Clique na aba Quem sou” no começo de cada post seja mais eficiente, mas resolvi fazer esse teste ;-)

O que ameaça o futuro das agencias?

Pessoas são pessoas e sempre serão então porque as agências de marketing, publicidade, acessorias de imprensa etc teriam que se preocupar com seu futuro?

Bem, as pessoas hoje não são exatamente como as pessoas na Idade Média, não é?

As pessoas mudam e, na opinião de algumas pessoas nunca mudaram tanto quanto estão prestes a mudar.

Como as pessoas estão mudando?

Humm.. Será que consigo responder isso de forma tão sucinta como as anteriores?

O ponto chave aqui é que as pessoas não estão sendo mudadas pela tecnologia, o que acontece é que finalmente elas (nós) conseguimos criar um poderoso instrumento para acelerar nossas mudanças: a rede mundial de comunicação (que inclui, mas não se remue à Internet).

Isso não mudará as pessoas, mas nos permitirá mudar como nuca mudamos antes, mas o que realmente importa não são essas mudanças (ao menos não agora), mas o impacto desse processo na estrutura atual da nossa civilização.

O que está mudando dramaticamente é a estrutura do poder sobre a comunicação como fica muito claro nessa apresentação (em Inglês):

Ou, resumidamente…

Até aproximadamente 2004 quando as redes sociais começaram a explodir nossa civilização tinha uma estrutura de comunicação muito clara: Fale com um grande distribuidor de informação e formador de opinião (que gostaria de chamar de distribuidor de cultura) e manipule, digo, passe seu recado ao seu mercado focal.

Já foi o Xamã, já foi a Igreja, depois o estado e, mais intensamente a partir dos anos 60 como bem notou Guy Debord (não sei pq ele é tão pouco citado), a chamada sociedade do espetáculo capitaneada pela mídia jornalista e cultura de entretenimento.

O que aprendi nesse Sou Mais Web?

As agências são a linha de frente de uma indústria acostumada a influenciar os consumidores para que se transformem em máquinas de consumir, eternamente insatisfeitos em busca de preencher o vazio interno com coisas externas.

Fiquei com a nítida impressão que a grande maioria das agências e profissionais de marketing continuam buscando aqueles grandes distribuidores de informação ou cultura que citei mais acima e acreditam que eles seriam os chamados “paizões” da blogosfera.

É claro que posso estar profundamente errado, mas a nova estrutura da comunicação não permite a formação de “paizões”.

Você sempre acreditará mais no seu amigo especialista do que no ator vestido de médico na propaganda da TV, ou mesmo do que no médico famoso.

Creio que se as agencias não perceberem que o desafio delas é se comunicar com uma voz coletiva onde não há grandes formadores de opinião, mas sim incontávels pequenos grupos influenciadores de opinião o futuro delas será negro.

Ponto alto desse Sou Mais Web

Leia nos links sugeridos e fique de olho nessa moça, a Rizzo Miranda da FSB Digital, ela foi brilhante e tenho certeza que só arranhou tudo que gostaria de ter exposto.

Referências

Microblogging

Thursday, November 13th, 2008

O que você está fazendo agora?

Enquanto o blog é um espaço para compartilhar momentos especiais, idéias originais, as coisas que mais gosta, notícias quentes ou tudo misturado o microblogging te pergunta o que está acontecendo exatamente agora.

Graças a esse mote o microblogging hoje é a mais clara ponte entre os aspectos físicos e mentais do mundo (não gosto da separação real e virtual já que ambos são o mesmo mundo e tem um pouco de real e um pouco de virtual).

A pergunta do Twitter, o primeiro microblog de sucesso, que iniciou esse texto teve desdobramentos como

O que você está ouvindo agora? (Lastfm)

Todos os sites modernos são uma forma de interação entre pessoas (só na antiga web 1.0 os sites eram meros folhetos em html), mas os microblogs atualmente são o máximo em ferramenta de interação.

Ao entrar no site do Last FM por exemplo você fica sabendo que tantas centenas de pessoas vão ao show do Tom Zé ou que outras tantas são fãs de Smash Pumpkins, mas em um site moderno (esqueça o rótulo 2.0, 3.0) o que voce vê ao olhar são pessoas pois elas estão ao alcance de um twitt (mensagem pelo Twitter) e esse grupo de centenas de pessoas que irão ao show do Tom Zé provavelmente se encontrarão por lá.

Como isso funciona?

A melhor explicação de todos os tempos é o Twitter in Plain English (legendado no vídeo abaixo)

Mesmo achando a explicação acima perfeita vou dar um exemplo prático.

Você combina de ir ao cinema com vários amigos, mas o primeiro a chegar vê que a sessão já está lotada e avisa no Twitter. Os outros recebem a mensagem em seus celulares, desktops, email ou onde preferirem e dão as suas opiniões. Uns não poderão ir na sessão seguinte, mas topariam um papo em um bar próximo e outros confirmam que podem ir na sessão seguinte e quem chegou mais cedo pode garantir os ingressos de todos e ainda escolher um bar mais vazio e já marcar uma mesa avisando com uma única mensagem o grupo todo.

As possibilidades dos microblogs são vastas, aliás é bom lembrar que a Internet inteira é um lugar em febril processo de construção e transformação.

Há microblogs para tudo, recentemente vi uma lista com 250 que surgiram depois do Twitter.

Alguns são mais intimistas graças à sua interface como o Plurk, outros se propõe a ser uma central de microblogs como o HelloTxt que publica o que você escreve em vários microblogs de uma vez só e há os que servem para compartilhar arquivos como o Pownce.

A propósito o Delicious e o StumbleUpon podem ser vistos como microblogs antecessores do Twitter, mas nenhuma ferramenta social da atualidade tem mais capacidade de reunir pessoas online e offline do que o modelo seguido pelo Twitter, pelo Plurk e pelos demais microblogs.

É comum se referir às pessoas que usam microblogs como @s pois a @ é usada quando queremos citar alguém como “Tem um post legal sobre microblogging no blog do @roneyb“.

Já está na hora de deixar de ver a Internet como uma rede de computadores atrás da qual as pessoas se escondem, ela é uma rede de pessoas que se encontram e compartilham idéias de uma forma que os não @s (que chamo de @turistas pois usam a Internet, mas não como rede de pessoas) não conseguem usando apenas as possibiliades de comunicação do mundo real.

Não usar a Internet como um passo além na comunicação humana é como se recusar a aprender a falar ou a escrever e os microblogs são parte vital dessa nova linguagem.

Gronk e Gronka

Monday, October 27th, 2008

Já contei essa história em outros lugares, mas vai aqui uma versão um pouco mais moderna.

Eu a conto para tentar explicar o que é a Internet para quem ainda não a enxerga como um vasto conjunto de formas de se comunicar e interagir com pessoas.

Era uma vez Gronk e Gronka. Um feliz casal de humanos da época das cavernas. Eles não sabiam falar e, toda vez que Gronk queria demonstrar seu amor por Gronka tavava-lhe uma tacapada na caebeça. Eles eram muito felizes!

Um dia Gronk foi caçar em outra planície onde entrou em contato com uma outra tribo e voltou uma semana depois com uma novidade.

Gronk olhou para Gronka, abriu a boca e disse “Gronk ama!”

Gronka ficou desesperada! Aquela nova comunicação virtual era terrível! Gronk continuava dando-lhe tantas tacapadas quanto antes (certos hábitos culturais, felizmente ou infelizmente, são são difíceis de largar), mas ela ficava pensando que logo ele pararia com as tacapadas para ficar apenas conversando com ela.

Mas Gronka não reclamou… Ela só sabia gesticular e se recusava a falar.

Gronk e Gronka foram se afastando, ela só queria tacapadas e ele queria saber o que ela achava do belo por do sol ou onde mais ela gostava de receber tacapadas além da cabeça. Mas ela não falava.

Com o tempo não teve jeito. Gronka subiu as montanhas e conheceu lá o Gronkotudo que também não falava e dizem que hoje seus descendentes são os simplórios, mas felizes, Pés Grandes.

Quanto a Gronk, você sabe, ele acabou conhecendo Gronkolina que também falava e foram logo conversando sobre tudo, tendo as idéias mais loucas! Inventaram os livro para guardar o que falavam e, não tem muito tempo, criaram um jeito de todo mundo falar com todo mundo como nunca antes foi possivel! Um lugar onde gronkinhos e gronkolinasinhas podem compartilhar tudo que são capazes de pensar, fotografar e filmar com todos os outros gronkolinhos e gronkolinasinhas.

Assim como a fala mudou os rumos da nossa civilização a Internet altera a pirâmide da comunicação e a velha mídia onde poucos falavam para muitos se transforma em um trapézio onde muitos falam para muitos.

Não só isso… Do mesmo jeito que as pessoas que não sabiam falar tinham dificuldade em transmitir aos outros todas as nuances do que eram e pensavam tornando-se pessoas que não existiam completamente hoje as pessoas que não existem na Internet parecem incompletas pois estamos limitados ao que somos capazes de compartilhar conversando no velho estilo oral: um para um.

Ao conhecer também as versões Internet das pessoas descobrimos muito mais sobre suas idéias, sonhos, convicções, dúvidas, amores e desamores.

Há somente que se tomar cuidade para não revelar aqueles recônditos que devem ser preservados apenas para a troca de tacapadas ou para não esquecer do contato pessoal afinal, os olhos são a janela para a alma e uma troca de olhares diz coisas sobre nós que nem mesmo mil blogs podem dizer.