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Ateísmo para religiosos

Saturday, February 21st, 2009

Há alguns dias escrevi um post procurando explicar a religiosidade para ateus. Ele começa explicando porque acho que me qualifico para fazer isso. Os mesmos motivos me habilitam, eu creio, a tentar desmitificar e explicar o ateísmo para religiosos.

Quanto eu era criança, há uns trinta anos, era difícil encontrar um ateu. Lembro claramente de conversar com um amigo no ônibus enquanto voltávamos para casa e fui capaz de mostrar a ele que os ateus tinham raiva de Deus e portanto não eram ateus o que me parece bem óbvio e dispensa explicações.

Se vamos falar em ateísmo temos que falar das pessoas que simplesmente não enxergam diferença entre Zeus, fadas, o Ultramen ou Deus.

Por algum motivo hoje conheço vários ateus. Talvez eu fosse jovem demais, talvez não houvesse liberdade para se assumir ateu quando eu era criança ou simplesmente nos últimos 30 anos houve um intenso crescimento do pensamento materialista e humanista. É assunto para outros posts, mas irrelevante hoje.

O que importa é que realmente há muitos ateus genuínos e que eles causam espanto e preocupação entre quem crê em Deuses.

Preciso dizer mais uma vez que temos que separar o religioso insatisfeito que diz não crer em Deus porque não aceita a forma como ele trata o mundo e o ateu genuíno.

Muitas vezes o verdadeiro ateu tem posições agresisvas contra as religiões e os religiosos e isso pode ser confundido com raiva de Deus. Não é…

Discursos virulentos como o de Richard Dawkings, Crhistopher Hitchens ou Philip Pullman em parte são uma reação ao radicalismo religioso que usa os Deuses para justificar os mais terríveis atos contra a humanidade e em parte fruto da incapacidade deles de entender o pensamento religioso (talvez deva traduzir meu post anterior e mandar para eles).

O ateu verdadeiro é um apaixonado pela liberdade de consciência e pelo questionamento.

Para o verdadeiro ateu uma criança mulçumana deve ter a liberdade de ser cristã, taoista, espírita, wicca ou mesmo atéia.

Normalmente a grande objeção do ateu é contra a imposição do pensamento, seja religioso, político ou mesmo científico.

Dúvida. Devemos manter a humildade da dúvida.

Um ateu sensato só poderá pensar em crer em um ou mais Deuses quando todas as religiões chegarem a um senso comum ou admitirem que elas tem visões parciais e provavelmente imprecisas da religiosidade ou do misticismo.

Enquanto isso não acontece a mente analítica do ateu vê apenas um monte de superstições completamente inventadas por humanos que provavelmente não tem nenhuma relação com qualquer deidade que possivelmente exista.

Você, religioso, há de admitir que cada religião declara um grupo de outras religiões como afrontas ao verdadeiro Deus.

Na verdade o que vemos são grupos de interesses culturais e econômicos que e enfrentam aproveitando nossa tendência a perceber que há algo mais além da matéria.

O ateu vem nos perguntar: onde está Deus (ou os Deuses) entre o caldo de religiões que se enfrentam e procuram se exterminar?

Enquanto as religiões e religiosos não se entendem o ateu nos propõe que podemos resolver a maioria dos nossos problemas sem ter que decidir qual Deus é o verdadeiro. Não precisamos nem mesmo crer em qualquer Deus para perceber que:

  • Colaboração é mais lógico que egocentrismo
  • Enquanto houver miseráveis no mundo não haverá paz para nenhum de nós
  • Todos os humanos devem ter as mesmas oportunidades de crescimento cultural e de desenvolvimento da consciência
  • As nossas diferenças nos enriquecem, elas não são algo a ser tolerado, mas sim algo a admirar
  • Ninguém deve ser obrigado a pensar, amar ou crer de acordo com imposições externas, ou seja, devemos ter liberdade sexual, religiosa e cultural

Observando os ateus confessos observamos que a maioria deles não são pessoas sem moral. Muitas vezes ocorre justamente o contrário, são pessoas que mantem altos padrões de moral mesmo sem a necessidade de serem ameaçados pelo meno de um Deus vingativo ou de serem arremessados ao Inferno.

Acima de tudo o verdadeiro ateu pode ser o maior aliado do religioso.

Convença um ateu que sua crença te ajuda a estabelecer seus princípios de moral, que você não a usa para julgar os outros que não seguem sua crença, que não a considera a verdade única e absoluta enquanto as outras são absurdas e que jamais pretenderá impor sua própria visão a outros restringindo a liberdade de consciência alheia e o ateu defenderá seus pontos de vista com paixão.

Se eu tivesse que resumir o ateísmo em uma frase seria

O ateísmo é a humildade da dúvida e a paixão pela consciência questionadora

Cuidado apenas com os religiosos que tem raiva dos seus Deuses e se dizem ateus ;-)

Medo e superstição

Tuesday, November 25th, 2008

A esta altura eu devia estar morto. Ou talvez algumas pessoas que eu amo. Pelo menos pobre e miserável eu devia estar.

Tem dois dias que recebi um email com a imagem de uma santa, uma ameaça e uma promessa: quem não repassou morreu, quem repassou recebeu as bençãos da santa.

Não repassei, é claro!

Duvido muito que santos, anjos e deuses existam, mas se existem será que são assim tão mesquinhos? Como celebridades que se vingam do repórter que não anunciou que elas foram numa festa chique?

Minhas últimas 48h foram muito boas! Bem acima da média, para falar a verdade! Vai ver a corrente é parte de uma campanha de difamação feita por demônios e ao quebrar a corrente mostrei para a Santa que entendo mais de divindades que a pessoa que me enviou a fofoca.

Ironias à parte é curioso notar que muitas pessoas inteligentes e sensatas repassam essas maldições com medo, um medo totalmente irracional e atávico que vem de tempos em que tudo era estranho e inexplicável, desde o fogo e o raio até as nuvens no céu.

Este mesmo medo é usado para justificar a crença em um ou mais Deuses: se eles não existem e penso que existem não perco nada, mas se eles existem e eu penso que não existem eles podem ficar zangados e me mandar para o inferno.

É todo um sistema de princípios morais sustentado sobre os pilares do medo e da submissão.

Note-se que o medo raramente é de que os Deuses não gostem do que estamos fazendo, mas que não Lhes entreguemos nossa crença em oferenda.

Tratamos o Deus cristão como um Exú só que não Lhe damos farofa, e sim massagem no ego… Imagine… o criador do universo com problemas de auto-estima.

Tenho dito que a fé cristã morreu faz tempo.

É claro que há cristãos diferentes, mas o argumento do medo é um dos mais comuns e vem sendo usado cada vez com maior frequência.

Prefiro um mundo ateu, mas considero que um mundo verdadeiramente religioso também é bom, desde que seja a religião da conciliação e do amor e não a do medo que, como já dizia mestre Yoda, conduz ao ódio.