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À diretora Eulália Maria Wanderley de Lima

Friday, January 8th, 2010

Essa mensagem é um apelo ao diálogo, ao bom senso e à liberdade de expressão.

É certo que a resposta correta a um ato público de difamação é o processo em busca de indenização moral (como se nossa honra pudesse se comprada, mas esse é um tema que pertence ao século XX e aqui eatamos diante de princípios para o século XXI).

A difamação a que me refiro é o comentário deixado no blog liberdade.blogueisso.com que culminou na condenação do blogueiro Emílio Moreno a pagar uma indenização de 5,5 mil Reais (após negociar o valor inicial de 16 mil).

Sou um observador externo, um cidadão como qualquer outro que só soube desse caso pelos ecos na mídia no boca a boca.

Tudo que pude saber do caso já que a agressão à senhora foi retirada do ar após solicitação legal, que criticaram sua atuação em uma briga entre alunos em sua instituição, que seus advogados a instruiram a abrir processo indenizatório e que a senhora não pode ir nas 4 primeiras audiências indo apenas na primeira em que o acusado não pode ir.

É claro que a decisão da justiça foi acertada e o comentário foi difamatório, mas quando as coisas acontecem online estamos lidando com uma nova cultuta emergente onde a sociedade se sente no dever de participar coletivamente das questões que envolvem a expressão de opiniões.

Caso a senhora tivesse mantido o comentário ofensivo e demonstrado que ele era improcedente a coletividade se colocaria ao seu lado, mas como a agressão não está mais disponível e portanto também o seu direito de resposta resta ao público julgar por suposição e comparação.

A comparação já se coloca contra a senhora pois, muito embora se diga que a Internet é uma terra sem lei, o que vemos mais frequentemente é justo o contrário: há inúmeros casos de políticos que censuram blogs e jornais, estabelecimentos ruins que procuram calar clientes insatisfeitos e pessoas que se aproveitam da indústria da indenização.

Estou certo que a senhora não está junto de nenhum desses grupos, mas por analogia muitos pensarão o contrário como se nota nos comentários no artigo do G1. Alguns provavelmente mais agressivos que o comentário original que inspirou o processo contra o Emílio Moreno. Outros sugerem que a senhora teria faltado propositalmente às audiências aguardando que o réu faltasse sem justificativa. Enfim, o processo envolto em dúvidas tem um poder difamatório muito maior do que o comentário que foi retirado do ar.

O segundo critério que ficará por conta da imaginação pública é: qual era o teor do comentário condenando sua atuação na briga? Continha difamação? Injúria? Calúnia? E se não era calúnia e o que está acontecendo realmente é que estão tentando encobrir um sério desvio de conduta da senhora?

As pessoas pensarão coisas assim e a melhor forma de impedir isso seria a publicação da ofensa acompanhada da decisão da justiça e do apoio dos seus alunos e outras pessoas que respeitam seu trabalho e personalidade.

No entanto não é justo dar tanto prestígio a alguém que não teve honra e fez a crítica anonimamente se aproveitando do blog alheio.

Aqui entra meu apelo que visa o melhor para todas as partes: A justiça já deixou claro que a ofensa à senhora foi indevida e ilegal, a senhora já obteve justiça e agora tem chance de mostrar que esse era seu único interesse abrindo mão da indenização ou permitindo que ela seja doada a uma instituição de caridade.

Isso apagaria todas as dúvidas sobre a questão e ainda nos deixaria a chance de transformar o incidente em uma oportunidade para beneficiar uma instituição que, sugiro, seria escolhida em votação online por moradores de Fortaleza.

Internet e direitos do consumidor

Saturday, December 5th, 2009

A lei, através de códigos como o do Consumidor, nos garante o direito de reclamar quando nos sentimos mal atendidos, no entanto, se para muitos de nós a Internet é um espaço de convivência como qualquer outro, para a justiça talvez ela não seja.

A questão é saber se um dia teremos o direito de comentar com nossos amigos online o que achamos errado ou se esse recurso nos será negado e teremos que nos restringir ao boca-a-boca pessoalmente ou por telefone.

Creio que para a maioria das pessoas que usam a Internet (cerca de 70 milhões de brasileiros) ela é um espaço para exercer o direito de opinar, vedado, claro, o anonimato, a calúnia, a injúria ou a difamação.

Essa semana tive o privilégio de estar bem perto do centro de uma manifestação coletiva de que a liberdade de expressão é um desejo geral.

Em 2006 minha esposa escreveu em seu blog que não gostou do atendimento de um médico (esse link é para o post original no Internet Archive), caso que já comentei esse ano no post A Invisibilidade Corrompe.

A justiça considerou que não temos o direito de comentar online quando não gostamos de um atendimento e a condenou a pagar quase três mil Reais ao médico.

Na segunda feira passada saiu a sentença final e ela comentou com os amigos:

Demorou, mas saiu a sentença q me obriga a pagar R$2.940,00 de danos morais por ter criticado um médico no blog…

Link para o post original

Afinal de contas, se no passado nos comunicávamos com os amigos por voz ou carta, hoje usamos email, chat, blogs e Twitter.

O que ocorreu em seguida me parece muito significativo.

Dois amigos, @Lebravo e @S1mone (que conhecemos no ciberespaço) resolveram organizar uma Vakinha.com para nos ajudar a pagar a indenização e em pouco mais de 24h já foi arrecadado mais de 70% do valor e há pagamentos esperando confirmação que ultrapassarão os 100% ( valor excedente será doado a uma instituição de caridade e gostaria que o médico fizesse o mesmo com a sua parte).

Mais significativo do que isso são os números de pessoas que se solidarizaram com o caso e leram o post (preservado automaticamente pelo Internet Archive): mais de 8 mil no site da Vakinha e um número maior difícil de medir devido à repercussão no Twitter e em blogs.

A @claudiamello pode ser uma pessoa amada e respeitada por seus amigos, mas creio que a mobilização se deu com tamanha intensidade porque o desejo de poder expressar nossa opinião online não é um capricho, mas uma necessidade praticamente visceral, talvez sem saber tenhamos criado a Internet justamente para que o cidadão comum possa se liberdar das restrições das formas antigas de comunicação.

Ao meu ver esse caso, ao lado de muitos outros (vou adicioná-los ao fim desse artigo) são o grito de uma população que busca a maturidade da democracia e não aceita mais que as leis sejam usadas para proteger o erro e punir o acerto.

Nós estamos profundamente comovidos com o carinho a ajuda que recebemos para superar esse obstáculo e entendemos que, em respeito a todos, temos a responsabilidade de não nos calar e fazer por outros o que fizeram por nós.

O primeiro passo é nos mobilizarmos coletivamente pela criação de um marco civil na Internet brasileira que nos garanta nossos direitos para que nunca mais um cidadão seja punido por exercer o seu direito democrático ou de consumidor.

Links

Note-se que na maioria dos casos não há dúvida que o blog foi calado para privar a população em geral de informações a que ela tem direito.

Carta aos senadores pelo nosso direito democrático

Monday, September 14th, 2009

Segue a carta que mandei há poucos minutos para os senadores que decidirão amanhã se temos direito a opinião política ou não:

Subject: Pelo direito de participar da democracia

Prezado Sanador(a),

Como cidadão comum fico muito preocupado diante do risco de sermos proibidos de conversar com nossos amigos sobre a política e candidatos políticos no Brasil.

A Internet não é uma forma de mídia restrita a agencias de notícias, ela é um espaço público, é a sala de estar e a varanda de mais de 60 milhões de brasileiros que tem o direito de conversar sobre política e democracia.

Hoje serão aprovadas regras que podem transformar esse direito democrático em crime o que, obviamente, é um absurdo.

Talvez os 60 milhões de brasileiros já conectados pela Internet não se lembrem de memorizar os nomes e votos de cada senador, mas alguns milhares certamente farão questão de manter esse registro para que todos os outros jamais se esqueçam.

Só pedimos que os senhores e senhoras decidam de acordo com os princípios da democracia e bom senso.

Atenciosamente,

Roney Belhassof,
memedecarbono.com.br

Seguem os destinatários e, assim que possível, os que votarem contra o direito de falar em política em nossos blogs estarão em vermelho, os a favor em verde e os indecisos em amarelo.

  • Eduardo Azeredo (PSDB-MG) – eduardoazeredo@senador.gov.br
  • Marco Maciel (DEM-PE) – marco.maciel@senador.gov.br
  • Adelmir Santana (DEM-DF) – adelmir.santana@senador.gov.br
  • Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) – acmjr@senador.gov.br
  • Efraim Morais (DEM-PB) – efraim.morais@senador.gov.br
  • Eliseu Resende (DEM-MG) – eliseuresende@senador.gov.br
  • Gilberto Goellner (DEM-MT) – gilberto.goellner@senador.gov.br
  • Heráclito Fortes (DEM-PI) – heraclito.fortes@senador.gov.br
  • Kátia Abreu (DEM-TO) – katia.abreu@senadora.gov.br
  • Maria do Carmo Alves (DEM-SE) – maria.carmo@senadora.gov.br
  • Rosalba Ciarlini (DEM-RN) – rosalba.ciarlini@senadora.gov.br
  • Inácio Arruda (PcdoB-CE) – inacioarruda@senador.gov.br
  • Flávio Torres (PDT-CE) – flaviotorres@senador.gov.br
  • Jefferson Praia (PDT-AM) – jefferson.praia@senador.gov.br
  • João Durval (PDT-BA) – joaodurval@senador.gov.br
  • Almeida Lima (PMDB-SE) almeida.lima@senador.gov.br
  • Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) geraldo.mesquita@senador.gov.br
  • Gerson Camata (PMDB-ES) – gecamata@senador.gov.br
  • Gilvam Borges (PMDB-AP) – gilvamborges@senador.gov.br
  • Jarbas Vasconcelos (PDMB-PE) – jarbas.vasconcelos@senador.gov.br
  • Leomar Quintanilha (PMDB-TO) – leomar@senador.gov.br
  • Lobão Filho (PMDB-MA) – lobaofilho@senador.gov.br
  • Mão Santa (PMDB-PI) – maosanta@senador.gov.br
  • Mauro Fecury (PMDB-MA) – webmaster.secs@senado.gov.br
  • Neuto De Conto (PMDB-SC) – neutodeconto@senador.gov.br
  • Paulo Duque (PMDB-RJ) – paulo.duque@senador.gov.br
  • Renan Calheiros (PMDB-AL) – renan.calheiros@senador.gov.br
  • Valdir Raupp (PMDB-RO) – valdir.raupp@senador.gov.br
  • Valter Pereira (PMDB-MS) – valterpereira@senador.gov.br
  • Wellington Salgado (PMDB-MG) – wellington.salgado@senador.gov.br
  • César Borges (PR-BA) – cesarborges@senador.gov.br
  • João Ribeiro (PR-TO) – joaoribeiro@senador.gov.br
  • Magno Malta – (PR-ES) magnomalta@senador.gov.br
  • Marcelo Crivella (PRB-RJ) – crivella@senador.gov.br
  • Roberto Cavalcanti (PRB-PB) – robertocavalcanti@senador.gov.br
  • Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) – antval@senador.gov.br
  • Cícero Lucena (PSDB-PB) – cicero.lucena@senador.gov.br
  • Flexa Ribeiro (PSDB-PA) – flexaribeiro@senador.gov.br
  • João Tenório (PSDB-AL) – jtenorio@senador.gov.br
  • Lúcia Vânia (PSDB-GO) – lucia.vania@senadora.gov.br
  • Marconi Perillo (PSDB-GO) – marconi.perillo@senador.gov.br
  • Mário Couto (PSDB-PA) – mario.couto@senador.gov.br
  • Marisa Serrano (PSDB-MS) – marisa.serrano@senadora.gov.br
  • Papaléo Paes (PSDB-AP) – gab.papaleopaes@senado.gov.br
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE) – tasso.jereissati@senador.gov.br
  • José Nery (PSOL-PA) – josenery@senador.gov.br
  • Serys Slhessarenko (PT-MT) – serys@senadora.gov.br
  • Epitácio Cafeteira (PTB-MA) – ecafeteira@senador.gov.br
  • Fernando Collor (PTB-AL) – fernando.collor@senador.gov.br
  • João Vicente Claudino (PTB-PI) – j.v.claudino@senador.gov.br
  • Mozarildo Cavalcanti – (PTB-RR) mozarildo@senador.gov.br
  • Osvaldo Sobrinho (PTB-MT) – webmaster.secs@senado.gov.br
  • Romeu Tuma (PTB-SP) – romeu.tuma@senador.gov.br
  • Sérgio Zambiasi (PTB-RS) – zambiasi@senador.gov.br
  • Flávio Arns (Sem partido-PR) – flavioarns@senador.gov.br
  • Demostenes Torres (DEM-GO) – demostenes.torres@senador.gov.br
  • José Agripino (DEM-RN) – jose.agripino@senador.gov.br
  • Raimundo Colombo (DEM-SC) – raimundocolombo@senador.gov.br
  • Cristovam Buarque (PDT-DF) – cristovam@senador.gov.br
  • Osmar Dias (PDT-PR) – osmardias@senador.gov.br
  • José Sarney (PMDB-AP) – sarney@senador.gov.br
  • Pedro Simon (PMDB-RS) – simon@senador.gov.br
  • Romero Jucá (PMDB-RR) – romero.juca@senador.gov.br
  • Francisco Dornelles (PP-RJ) – francisco.dornelles@senador.gov.br
  • Renato Casagrande (PSB-ES) – renatoc@senador.gov.br
  • Álvaro Dias (PSDB-PR) – alvarodias@senador.gov.br
  • Arthur Virgílio (PSDB-AM) – arthur.virgilio@senador.gov.br
  • Aloizio Mercadante (PT-SP) – mercadante@senador.gov.br
  • Augusto Botelho (PT-RR) – augusto.botelho@senador.gov.br
  • Delcídio Amaral (PT-MS) – delcidio.amaral@senador.gov.br
  • Eduardo Suplicy (PT-SP) – eduardo.suplicy@senador.gov.br
  • Expedito Júnior (PR-RO) – expedito.junior@senador.gov.br
  • Fátima Cleide (PT-RO) – fatima.cleide@senadora.gov.br
  • Garibaldi Alves Filho -(PMDB-RN) garibaldi.alves@senador.gov.br
  • João Pedro (PT-AM) – joaopedro@senador.gov.br
  • Paulo Paim (PT-RS) – paulopaim@senador.gov.br
  • Tião Viana (PT-AC) – tiao.viana@senador.gov.br
  • Marina Silva (PV-AC) – marinasi@senado.gov.br
  • Sérgio Guerra (PSDB-PE) – sergio.guerra@senador.gov.br
  • Ideli Salvatti (PT-SC) – ideli.salvatti@senadora.gov.br
  • Gim Argello (PTB-DF) – gim.argello@senador.gov.br

Fora Sarney: um grito desajeitado

Tuesday, June 30th, 2009

A história resumida…

Ontem o time brasileiro de futebol ganhou de virada um campeonato de futebol contra os Estados Unidos.

Ashton Kutcher, ator e marido da Demi Moore festejava no Twitter cada gol do seu time (EUA, claro).

Quando houve a virada uma vasta onda de brasileiros alagou o ator com a tag #chupa que vem sendo usada como sinônimo de “toma” ou um tipo de “agora engole essa”.

O bom humor da ação e do ator garantiram a propagação da palavra chave e sua colocação em primeiro lugar na lista de palavras mais usadas no Twitter por algum tempo.

Animadas com isso e mal conformadas em ver que o Irã e Moldávia se mobilizam politicamente pelo twitter enquanto nós parecemos nos limitar a brincar, várias pessoas iniciaram uma campanha para colocar a palavra chave #forasarney na mesma lista.

Hoje perto da meia noite isso aconteceu. É uma das primeiras vezes que nos destacamos politicamente no Twitter e talvez até online.

Mas…

Porque fora Sarney?

A maioria não sabe e repete simplesmente porque é o que todos, embalados por @rafinhabastos, estão repetindo desde o dia 16/07/2009 e pensam que é pelas recentes denúncias envolvendo o senador José Sarney, mas há razões mais antigas para a escolha deste político para um dos primeiros gritos por um governo limpo.

O primeiro movimento “Fora Sarney” foi em 2006 quando ele utilizou a justiça para tirar do ar o blog da jornalista Alcineia que o criticava. A propósito, agora Alcinea Cavalcante mantém seu blog no Blogger.

Desde então o atual senador faz parte do imaginário do Internauta cidadão como um símbolo do cerceamento da liberdade de expressão.

Vários cidadãos mais atentos tem observado como o @inagaki que

essa “mobilização” está para o exercício da cidadania na mesma proporção dos álbuns de Vanilla Ice para o hip hop.”

Eles provavelmente estão certos pois os fatos acima devem ser desconhecidos (ou esquecidos) pela maioria, entretanto não creio que seja um movimento vazio e por isso até me uni a ele e agora escrevo esse post (mais uma vez correndo o risco de algum político achar que não tenho direito a dar essas opiniões…) para contextualizar e sugerir que o #forasarney não seja meramente uma ferramenta de repetição acéfala e sim um primeiro passo para o #governolimpo.

No estágio atual é bem provável que estejamos mais para a massa de zumbis que entoava o mantra Imhotep-Imhotep no filme A Múmia[bb] do que para a sociedade engajada que levanta sua voz clamando por democracia.

Soma-se a isso a interferência de celebridades bacalhau (sub-celebridades) que tentam esmolar um pouco de evidência sequestrando a idéia que não é deles, mas isso é assunto para outra ocasião.

Corremos o risco de ser massa de manobra de interesses políticos contrários a José Sarney que não serão necessariamente mais confiáveis.

Em todo caso, mesmo que seja irrelevante o fato de colocarmos uma palavra chave na lista de tópicos atuais do Twitter, faço questão de não concordar que a mobilização seja irrelevante!

O importante é a direção que está sendo tomada.

Amanhã saberemos que não adianta gastar 38 segundos para enviar um post com vários #forasarney para o Twitter e faremos o que estou fazendo: indicaremos um artigo em jornal ou blog, acrescentaremos alguma opinião ou sugestão pessoal.

Assim, a pequenos passos, a massa se movimenta até que ganha momentum e passa a acelerar cada vez mais.

Atos simbólicos não param trens

Sunday, March 29th, 2009

Ontem dezenas de milhares de pessoas, talvez até muitos milhões, apagaram as luzes da sala por uma hora em um gesto simbólico pela redução da nossa interferência nociva em nosso próprio habitat. Várias iluminações públicas ostensivas foram apagadas também como o Arco do Triunfo e nosso senado.

Os 1,6 bilhões de pessoas que não tem acesso a luz elétrica se desculpam por não ter parcipado.

Que impacto tem um gesto simbólico?

Nós praticamos gestos simbólicos quando não podemo agir, quando nossas vozes foram silenciadas ou nossas mãos foram atadas.

No início desse ano houve um “debate” sobre a lei de cibercrimes (chamada lei Azeredo) na campus party e não pudemos falar… No momento das considerações finais do representante do senador Azeredo nos levantamos e viramos as costas em gesto simbólico de protesto.

… E corremos para nossos blogs depois para falar!

Lá se vão três meses e além de falar estamos agindo, você também devia agir! Agora mesmo mandei a sugestão abaixo para o Aulete Digital:

Saudações,

A palavra vigilantismo ainda não existe nem mesmo no Aulete Coletivo (estou em outra aba sugerindo a sua inclusão), mas já atinge todos nós.

Talvez vocês já estejam cientes do PL 84/1999  chamado Lei Azeredo e do impacto negativo que ele terá sobre todos nós, inclusive a viabilidade do Aulete Digital ou mesmo o em papel uma vez que um país cuja liberdade de expressão é restrita as palavras são as primeiras vítimas…

Estou aqui portanto para sugerir que vocês abordem esse assunto uma ou duas vezes por mês no serviço “palavra do dia”. Há várias que abrem espaço para isso como democracia, senador, deputados, governo, fascismo etc.

Sugiro a leitura do blog do Sérgio Amadeu.

Escrevi recentemente um artigo que pode servir de ponto de partida para sua pesquisa: Campus Party – Levante sua Voz

E quando ao aquecimento global?

Nossos gestos simbólicos vão deter o trem? Eles são tudo que nos resta? Não há uma palavra que possamos dizer, uma ação que possamos iniciar para efetivamente preservar o habitat mais adequado à vida humana?

E quanto às condições mínimas para uma pessoa se considerar humana como o acesso a água potável, energia e educação que mais de um bilhão de pessoas não tem? O que faremos efetivamente por isso?

  • Você consome além do que precisa?
  • Você pressiona seu prédio para fazer coleta coletiva?
  • Já se aproximou das organizações civis que procuram melhorar as condições de vida na comunidade mais próxima da sua casa?
  • Quantas vezes por ano você escreve sobre o que pensa sobre meio ambiente e justiça social?
  • Quantas horas por semana apaga as luzes e se dedica a pensar no que você pode fazer pelos outros?
  • Quantas vezes por semana ajuda alguém?
  • O que você ensina com seu exemplo a quem te conhece…
  • O que o seu exemplo ensina a quem não te conhece?

A lista de quês, quantas, porquês e quandos é infinita e por isso uma hora de gesto simbólico por ano significa absolutamente… nada.