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#cafe22: Uma estrutura para viralizar a cultura do conhecimento

Monday, March 1st, 2010

Nesse sábado ocorreu a segunda edição do Café 22.

Os eventos focados em criatividade, Internet, tecnologia e outros setores do conhecimento humano tem se tornado cada vez mais comuns no Rio e em diversas outras cidades, mas o Café 22 faz parte de uma categoria especial e importantíssima.

Decidi falar dele e não dos outros por dois motivos: estou tendo a honra de ajudar na sua produção e, até onde sei, é  um dos mais opensource (explico mais adiante).

A enorme maioria dos eventos reúnem dezenas e até centenas de palestrantes e platéias proporcionais e, apesar da maioria ser excelente, não são de fácil reprodução e, até onde sei, apenas o Sou Mais Web consegue manter uma boa peridiocidade (um por mês exceto nas festas de fim de ano).

O que ocorre na categoria de eventos onde o Café 22 pretende se colocar como um modelo é que sua essência é viral. Ele é projetado para ser barato e facilmente organizado em uma estrutura descentralizada e colaborativa.

Além disso, e talvez o ponto mais importante, todas as pessoas que participam do evento podem submeter falas e o grupo vota com antecedência em quais serão apresentadas em cada edição.

É um passo adiante na estrutura do Sou Mais Web onde o palestrante deve estar preparado para uma platéia que participa da construção da palestra.

Por passo adiante não entenda passo evolutivo, o modelo que vem sendo moldado no Café 22 provavelmente é até um passo anterior, um tipo de encubadora de platéias e palestrantes para eventos como o Sou Mais Web.

O que é mais importante ao meu ver nesse tipo de estrutura é seu potencial viralizante.

Qualquer grupo de amigos pode alugar um salão em um playground ou até buscar espaços mais criativos e montar seu próprio evento onde cada um trará mais duas ou três pressoas novas para o grupo a cada edição, mas mantendo um número pequeno de participantes.

Nada é certo ou garantido na evolução da nossa espécie, no entanto creio que é importante que finalmente percebamos que devemos aprender a fazer de cada século a base do século seguinte assumindo as rédeas da nossa evolução cultural.

Modelos como o do Café 22 – espero – são a semente de uma cultura que girará em torno da criatividade e do conhecimento e não da propriedade e poder aquisitivo.

Fique de olho no site do Café 22 onde, além dos vídeos de cada edição, haverá artigos sobre os erros e acertos que vão modificando sua estrutura de funcionamento.

Em todo caso compartilho aqui duas dicas que considero importantes:

  • Mantenha as falas com no máximo 20 minutos
  • Não faça sessões de perguntas pois. Isso evita que se quebre o ritmo e pode estimular os comentários e debates online

Para concluir… Me parece que esse tipo de evento não deve existir como um perfil no Twitter, mas apenas como uma hashtag

Espero que esse meu texto estimule você a criar seu próprio evento de conhecimento. Ah! É essencial fazer um botecamp logo em seguida!

Café 22: O Piloto

Wednesday, January 20th, 2010

Planejado e organizado pela @Maffalda o #cafe22 procura inspirar uma cultura em torno do conhecimento onde pequenos grupos de pessoas se reúnem para apresentar ideias inovadoras sobre sua área de pesquisa considerando que todos nós pesquisamos alguma coisa, mesmo que não seja na mesma área em que trabalhamos.

No sábado passado ocorreu o piloto do evento com o objetivo de buscar o melhor modelo para os próximos. Quando chegarmos a um modelo funcional ele deve ser publicado em cafe22.com.br para que outros grupos possam copiá-lo, modificá-lo para o seu ambiente ou desenvolvê-lo.

Mesmo sendo apenas uma experiência o resultado foi muito bom.

Vinte e cinco pessoas participaram do evento e seis apresentaram ideias:

  1. @Maffalda: Simplicidade voluntária
  2. Halime Musser (@limejovi): O bestseller e a popularização da cultura (adorei)
  3. Spark (@dj_spark): Como fazer backup online e não ficar de cabelos brancos antes do tempo
  4. Antonio Azevedo (antonioazevedo.com.br): Suportes para uma vida feliz
  5. Cristiano Ferreira dos Santos (@cristianoweb): Síndrome de Asperger

A palestra da Heloísa me fez lembrar do tempo que cursei a Universidade Holística e os questionamentos sobre luxo essencial e simplicidade voluntária. Temas muito propícios a uma sociedade mudando rapidamente de valores.

O que era luxo ontem tem se tornado essecial como o acesso à Internet, a formas sofisticadas de cultura e a atividades profissionais desafiadoras e mais complesas. Temos que lembrar que até poucos anos as mulheres, por exemplo, não tinham direito a opinar politicamente ou trabalhar usando sua inteligência. Memeticamente falando ao buscar a simplicidade física podemos nos dedicar a complexidades da razão, da consciência ou do espírito.

O Cristiano e sua história de vida com o filho sempre me fazem pensar em como algumas síndromes da mente são vistas como limitações, mas escondem habilidades impressionantes que poderiam ser usadas para que esses indivíduos fossem até mais produtivos que os ditos normais. O Nicolas, filho do Cristiano e portador de Asperges, aprendeu a ler aos dois anos…

Fiquei especialmente interessado na fala da Halime que, além de trazer algumas informações sobre o surgimento dos best sellers que eu não conhecia, nos fez perceber sua importância para levar a cultura a massas que até então nem eram alfabetizadas.

As considerações dela me remeteram à ideia de que a cultura erudita está condenada ao esquecimento se não é transportada para grandes porções da nossa civilização pela cultura pop como Jornada nas Estrelas, Fronteiras do Universo (a trilogia literária) e até Tom e Jerry.

Enfim, esse post está mais adequado ao meu site pessoal onde falo de cultura apesar de estar claro em cada uma das palestras acima que há um fator memético unindo-as, em todo caso não falarei mais até porque espero que todos os palestrantes liberem seus vídeos para serem divulgados no Videolog e outros sites de vídeo que vieram depois.

O objetivo ao escrever sobre o Café 22 é lançar uma pequena gota de água no vasto campo repleto de sementes que é a nossa sociedade da informação. Espero que outros se inspirem a fazer encontros semelhantes e compartilhem os resultados online criando verdadeiras encubadoras criadoras de conhecimento.

Twestival: Sociedade Viva Cazuza e ações sociais

Thursday, September 3rd, 2009

clique-doe-vakinhaO Twestival é um evento para reunir pessoas que se comunicam pelo Twitter e, como surgiu na Inglaterra, um país com forte tradição em ação social, aproveita-se para ajudar alguma instituição.

No Rio de Janeiro a instituição escolhida foi a Sociedade Viva Cazuza, que dá lar e família para 22 crianças que, de outra forma, teriam poucas razões para crer na humanidade.

Esse tema pode parecer um pouco deslocado nesse blog, mas além de eu fazer parte da organização da edição carioca, as ações sociais em geral também mudarão caso estejamos de fato diante de uma nova forma de cultura.

É comum pensarmos que não adianta ajudar os outros pois essas sociedades existem por falta de eficiência do governo e que não cabe a nós assumir seu papel, mas…

Já não se trata de sustentar ações assistencialistas (coisa que entendo que a Sociedade Viva Cazuza não é), mas de passar para aquelas 22 crianças, e para todas as outras pessoas, a mensagem de que talvez a política e os jogos de poder das corporações sejam uma vergonha para a humanidade, mas nós, indivíduos não somos uma vergonha e nem somos mais indivíduos isolados.

Ao nos organizarmos via Twitter, Orkut, Facebook, blogs e outras redes sociais mostramos nosso poder.

Ao usar esse poder para ajudar um pequeno grupo de 22 crianças estamos mostrando que, mais que poder, temos compaixão.

Espero que essa mobilização ajude também a mobilizar autoridades ou setores da sociedade carioca que se interessem em ajudar a manter o lar dessas crianças.

Outras cidades brasileiras estão criando suas próprias versões do evento e ajudarão outras entidades (retirado do Twitcast):

Outros posts sobre o Twestival RJ:

Campus Party Dia 2: Uma tribo de tribos

Tuesday, January 20th, 2009

De um lado estão os 6 mil campuseiros (ainda que campuseiro seja um nome de péssima sonoridade) e de outro há uma área de estandes de negócios e batismo digital dedicados ao publico em geral, mas o que seria campuseiro e o que seria público em geral?

É claro que os campuseiros não se confundem com o Gmail, sabem fazer buscas no Google e tem uma boa noção do que são blogs mesmo que sejam campuseiros desenvolvedores ou jogadores de WOW, mas entre o público em geral há diversas pessoas iguais que simplesmente não estão no Campus Party por achar que essas coisas não devem ter um papel central em suas vidas.

Como disse antes esta provavelmente é a grande diferença entre os campuseiros e o dito público em geral: a tecnologia tem um papel central na vida dessas seis mil pessoas acampadas ou imersas nos mais de 30 mil metros quadrados de Campus Party.

Lá na área dedicada a este misterioso “público em geral” os estandes apostam em tudo para garantir que vão conquistar sua atenção e quase sempre oferecem jogos ao lado da sua atividade real.

Há estandes de soluções de segurança (firewall, antivirus, anti-spyware e controle de conteúdo) com uma grande arena de jogos e outros dedicados a conteúdo online cheios de notebooks e consoles de videogame

É curioso notar que um deles trouxe duas lindas moças vestidas de coelhinho, mas a multidão se agrupava mesmo em volta do Rock Band que estava no mesmo estande.

Enquanto isso, no Campus Party propriamente dito palestrantes internacionais falam de uma Internet formada de pessoas apesar de grande parte dos campuseiros ainda estar deslumbrada com seus iPhones e estonteante gráficos ou pageranks.

Qual quer que seja o rumo da cibercultura ele está sendo moldado entre esse caos de tribos que se misturam anualmente e, afinal de contas, uma sociedade do conhecimento é justamente isso: a interconexão de culturas, idéias, informações e conhecimento.

Campus Party Brasil 2009: construindo a sociedade do conhecimento

Thursday, January 15th, 2009

Na semana que vem ocorre o Campus Party em São Paulo. As inscrições para participar estão esgotadas (mais de 4.800 pessoas), mas ainda é possível visitar a área Batismo Digital.

Fui gentilmente convidado pelo Clube do Hardware para fazer a cobertura do evento junto com a Cláudia Belhassof e este post deve ser reproduzido lá.

É preciso explicar o que é Campus Party.

Em breve sua televisão falará no:

“Evento de tecnologia onde mais de 4 mil internautas e maníacos por tecnologia acampam por uma semana para falar das novidades e tendências”

No entanto isso não explica o que é um evento moderno que reúne pessoas que usam, moldam e planejam a tecnologia e a Internet do futuro próximo.

O Campus Party é um evento sobre sociedade do conhecimento suas ferramentas e elementos culturais (jogos, lugares etc)

A Internet e a cibercultura são a base e a linha de frente das mudanças sociais e culturais que estão transformando a sociedade de consumo em sociedade do conhecimento. As implicações disso não são pequenas…

Por isso me atrevo a dizer que este (o Campus Party) é um dos mais importantes eventos da atualidade.

Para quem olha de fora pode parecer um bando de nerds, mas ali estão sendo experimentados modelos sociais e culturais que nortearão os próximos passos da nossa civilização (essa é uma opinião minha). Para quem olha de dentro é uma reunião de gente interessante falando sobre coisas interessantes.

IMPORTANTE

Haverá uma área somente para Batizado Digital onde pretende-se apresentar essas idéias de redes sociais a quem ainda não entrou nessa onda, e acredite, todos entraremos! E isso não nos tornará virtuais e sim mais reais do que antes. Voltarei a falar nisso em outras ocasiões. Se você estiver em São Paulo na semana que vem não deixe de dar um pulo lá.

Se você é uma pessoa mais curiosa ou se interessa em mergulhar na cibercultura vai gostar de saber que se encontrarão lá gente como:

Esses são alguns nomes conhecidos, mas os nomes menos conhecidos não deixam nada a desejar em relação a eles. Essa é uma das maiores belezas de uma sociedade em rede: todos nós podemos nos destacar. Dê uma olhada na lista de palestras do Campus Party 2009 e você encontrará um monte de gente que vale a pena ouvir.