Estou fazendo uma pesquisa sobre os objetivos, usos e alcance da Internet grátis que está sendo instalada no Rio de Janeiro.
Em breve escreverei um post completo, por hora gostaria muito que você respondesse esse rápido questionário:
Estou fazendo uma pesquisa sobre os objetivos, usos e alcance da Internet grátis que está sendo instalada no Rio de Janeiro.
Em breve escreverei um post completo, por hora gostaria muito que você respondesse esse rápido questionário:
Mário Brandão é dono de Lan House, moderador de uma das maiores comunidades de empresários do setor e participante ativo de várias iniciativas de reunião e melhorias do setor.
O que ele tinha a dizer não caberia nas duas horas que tínhamos disponíveis, mas foi bastante ilustrativo para mim.
De todos os fatos que ele nos trouxe o que mais me chamou a atenção é a falta de pesquisas e estatísticas desse setor que chega a ser responsável pela inclusão digital de mais de 70% da população em algumas regiões.
Finalmente tive uma pergunta antiga parcialmente respondida: o que as classes C, D e E fazem online.
Parcialmente justamente porque não há pesquisas formais a respeito, mas fiquei satisfeito com o insight do Mário Brandão afinal somente a comunidade que ele modera no Orkut conta com mais de 11 mil donos de Lan Houses.
Fiquei com a firme impressão que a média do cidadão pejorativamente apelidado de “povão” usa a Internet para se socializar, sim Orkut e MSN, mas note-se que ao estabelezer um relacionamento entre outros inclusive fora da sua área geográfica nosso povo reduz o relacionamento virtual que mantinha com a televisão.
Até a Internet se popularizar entre as classes menos privilegiadas a TV era o elo de ligação cultural e essa massa podia ser, digamos… manipulada.
A partir do momento que são estabelecidos espaços de interação externos à grande mídia esses estratos sociais passam a poder se organizar de forma autônoma. Não importa que seja para organizar festas de funk ou jogar futebol: eles operam sua própria rede de mídia.
A anos tenho ouvido dizer “Povão só quer acessar Orkut, Youtube e MSN” como se isso fosse uma tolice ou uma aplicação menos nobre do que… O que a chamada elite faz mesmo online? Ela colabora com a Wikipedia? Faz blogs sérios? Organiza ações sociais ou… acessa Orkut, Youtube e MSN?
Também ouço críticas ao fato (suposto) de que a maioria dos Internautas assiste online as mesmas coisas que assistiria na TV (as novelas são publicadas no Youtube e assistidas antes que o sistema as apague).
No entanto essa forma de consumo da mídia é totalmente diferente e não só pelo fato (inegável) do espectador decidir quando assistirá o programa, mas pela forma como ele faz isso inserindo comentários, “favoritando” fragmentos etc.
Dados Interessantes
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Há momentos em que é preciso berrar…
A Campus Party não é o maior evento de tecnologia da atualidade (embora seja isso também), ela é a encubadora de uma nova cultura que clama antes de mais nada por democracia e liberdade de expressão.
Internet e cibercultura se tratam de interlocução, de pessoas comuns que podem exercer sua cidadania de forma direta.
Ontem assistimos aqui a um debate sobre o projeto de lei dos cibercrimes, também conhecido como projeto Azeredo pois este senador tem se mobilizado para aprovar o projeto que tramita há 12 anos.
Este com certeza foi o momento mais importante da Campus Party 2009 pois o projeto é um ataque direto ao principal instrumento da democracia participativa e direta que nasce agora no início do século XXI.
Até ontem nossa voz só era ouvida por nossos amigos mais próximos. Quando víamos uma notícia ou uma decisão política eramos apenas espectadores sem possibilidade de interferência, de interlocução.
Agora, neste exato momento, se você vê algo importante a compartilhar você PODE. Você sempre poderá pois não há como impor censura prévia na Internet, mas…
… Caso o projeto de lei de cibercrimes seja aprovado você terá medo de se expressar.
A liberdade de expressão apoiada pela Internet é uma grande ameaça a uma estrutura de poder estabelecida entre mídia, governos e corporações.
O poder estabelecido está acostumado a comunicar e não a interagir com seu ouvinte, mas nós queremos ser interlocutores do nosso tempo.
A pressa em aprovar a criminalização dos cibercrimes não vem de um apelo popular, mas dos interesses do poder estabelecido que defende uma forma de democracia que não é mais suficiente.
Estamos vivendo a transição da democracia representativa para a democracia participativa ou hiperdemocracia como alguns tem chamado.
O clamor popular é que nós desejamos ser ouvidos! Nós queremos produzir nossas próprias notícias e vídeos.
O que já vemos hoje são pessoas comuns sendo processadas por políticos, empresas e oportunistas por terem OPINADO online. Depois da aprovação das novas leis esses processos não serão mais processos civis, serão processos criminais. A mera cópia de uma música poderá ser punida com pena de 1 a 3 anos de prisão.
As leis são criadas e modificadas de acordo com o desenvolvimento da moral, elas não podem jamais ser usadas como uma forma de impedir esse desenvolvimento. Está na hora de estabelecer leis civis garantindo os nossos direitos e limites de cidadania online e não de criar dispositivos penais que limitem nossos direitos.
O projeto de leis contra os cibercrimes é absolutamente incapaz de impedir ou mesmo desestimular o crime online, ele só será eficaz contra o cidadão comum que usa a Internet para exprimir suas opiniões.
Até mesmo um adolescente é capaz de instalar uma rede TOR em seu computador e navegar absolutamente incognito na Internet ficando além do alcance dos braços da lei que se não foi criada para isso propositalmente na prática só poderá ser usada para desestimular a prática da democracia.
Duvido que os palestrantes que defenderam o projeto de lei estejam agindo de má fé, mas agem sem compreender plenamente a tecnologia moderna e menos ainda as transformações sociais e culturais que hoje são chamadas de cibercultura.
É necessário limpar tanto o discurso que defende a criação das medidas repressoras quanto os que mostram suas falhas então aqui vou eu.
Entre os slides apresentados durante a defesa do projeto apareceram rapidamente algumas imagens de adolescentes e pessoas aparentemente comuns ao redor de computadores: eram imagens ilustrativas dos criminosos.
De acordo com Ronaldo Lemos, mestre em Direito pela Universidade de Harvard, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo e Diretor do Projeto Creative Commons no Brasil.
De acordo com Sérgio Amadeu da Silveira (sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo)
Mesmo aqui na Campus Party 2009, onde se reúnem mais de 6 mil que estão entre as mais atendas à cibercultura muitos não fazem idéia de que esta lei está tramitando no congresso.
Pode-se dizer que os internautas não são uma massa politizada, que na verdade estão mais interessados em baixar filmes, músicas, seriados e jogar online. É verdade.
No entanto não é ncecessário ser politizado para fazer parte do processo que está moldando uma nova forma de cultura. Ela é forjada naturalmente conforme a sociedade se movimenta. Rosa Parks, quando sentou no ônibus para brancos talvez não tenha pensado em política, ela simplesmente estava em uma cultura onde o racismo já começava a não fazer sentido.
Da mesma forma hoje não faz mais sentido que nós, cidadãos comuns, não possamos nos apropriar da nossa própria voz.
Esse post vai ficar enorme…
Hoje tive um compromisso e não pude acompanhar o programa Roda Viva entrevistando o Engenheiro Valdemar Setzer sobre o uso da tecnologia na educação.
Fui informado que o vídeo estará disponível aqui: http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/
Só pude acompanhar posteriormente os comentários no Twitter (a cada semana ficará mais difícil achar os de hoje) e no streaming de texto disponibilizado por tempo limitado no Radar Cultura.
Setzer é autor da seguinte frase:
Deixe as crianças serem infantis: não lhes permita o acesso a TV, jogos eletrônicos e computadores/Internet!
Com a qual até concordaria não fosse a clara contradição entre deixar e impedir, ou seja, se a conclusão fosse: leve-as a parques, para brincar na rua ou vá com elas a aventuras no mato.
Seria insensato comentar algo que só vi pelos reflexos online, mas creio que a experiência pode ser interessante então digamos que vou comentar os ecos das opiniões do sr. Setzer.
A julgar pelo impacto que ele causou a impressão que ele passou é de total desconhecimento do que é Internet. Ele parece ter parado em meados da década de 90 quando ela era uma infinidade de textos sem possibilidade de interação.
Hoje a Internet é um dos mais vastos campos de exercício de interação e criatividade. Vide, a título de exemplo, o Nóvoa em Folha, o Nepô ou o Lablogatórios, mas a lista seria infinita e selecionei esses por terem sido os primeiros em que pensei. Aliás, não posso deixar de citar o Simbiótica que é uma das mais ricas fontes de informação sobre biologia e começou da paixão de uma portuguesa chamada Curly Girl e sua relação com a Internet.
Outro problema seríssimo da posição que Setzer parece defender ferrenhamente é: o crescimento da Internet é inevitável. Alienar a criança deste processo é como (lembrando de Carlos Nepomuceno) impedí-la de aprender a falar, escrever ou ler livros. E o uso da Internet no Brasil ainda se limita ao telefone: Scraps e MSN (agora recorrendo a Luli Radfahrer). O problema é muito sério.
Enquanto ainda precisamos nos alfabetizar em livros e Saramago grita lá do outro lado do oceando que a Internet veio salvar a palavra escrita que a TV quase destruiu ainda há quem pretenda criar um brasil socialmente analfabeto.
Sim! Socialmente, pois a Internet já se tornou há muito, uma rede de pessoas que interagem debatem e se alimentam de informação e criatividade para construir conhecimento.
Apesar de tudo isso não é difícil apontar problemas no videogame, na tv e na Internet (computador não existe, é apenas um acesso e ninguém discute a importância de uma porta).
A tv tem grande potencial de padronizar nossas idéias e esmagar nossas necessidades individuais como observou o Nepomuceno no primeiro Manhãs Digitais. A propósito toda mídia de poucos para muitos tem esse efeito.
É necessário criar boa programação para a TV, discutir com o jovem o que ele está vendo, desenvolver o senso crítico… A propósito, depois bons pais, nada é melhor para isso do que a Internet…
Videogames podem prejudicar a socialização, potencializar o défcit de atenção em crianças com essa tendência ou até mesmo ser fator de aumento da obesidade (a menos que se trade do Wii hehehe!). No entanto também pode ter um papel crucial no desenvolvimento lúdico e capacidade de abstração sem falar na atenção dispersa que, creio, será uma qualidade essencial ao adulto do futuro diante do constante e incomensurável fluxo de informação.
Isso nos leva à Internet que será a mãe de fantásticos danos causados pelo volume de informação que nossas mentes não estão prontas para processar. Usada como espaço meramente virtual também é um meio para potencialização de perversidades e neuroses auto-destrutivas. Todavia não é tentando ignorá-la que ensinaremos a nossos filhos como lidar com isso! Imagine uma pessoa deparando com a Internet pela primeira vez aos 16 ou 18 anos!? É devastador para um adulto (e pode ser o que aconteceu ao Setzer) imagine em alguém que precisa absorver tudo aquilo em um ou dois anos para acompanhar a Universidade e entrar no mercado de trabalho!
As discussões a que devemos nos ater neste momento é como apresentar a Internet a uma criança, em que idade, como cuidar delas enquanto caminham por lá, como conversar com elas a respeito, como inserí-la no currículo escolar (uma matéria ou uma ferramenta?) e tantas outras questões que ficarão completamente esquecidas enquanto nos debatemos contra o inivitável!
Lembre-se, a Internet não está inventando nosso mundo, nós a inventamos porque nossa evolução pede por ela para que possamos dar novos passos como uma provável hiperdemocracia.