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Campus Party: Fábio Malini e ética blogueira

Wednesday, January 21st, 2009

Acabo de assistir o blogueiro e jornalista Fábio Malini falar sobre sua visão a respeito de O que nós, blogueiros, somos.

Li o post inteiro que é enorme e isso por si só já é um fato notável pois o tempo aqui na Campus Party é escasso e os estímulos incontáveis, no entanto o texto é imperdível para quem está interessado em tentar entender para onde estamos caminhando.

A essência do artigo do Malini é que o blog é fruto do rompimento com a estrutura de poder e, nas palavras dele, da ótica do escravo onde uns poucos detem a prerrogativa de donos do conhecimento e o negam à pessoa comum condenando os blogs de diversas formas.

O blog seria o começo de uma nova democracia representativa.

Concordo com tudo isso, mas discordo da visão romântica que ele apresentou onde os blogueiros estariam em busca de uma ética.

Espero que todos que vierem a ler este post ou o post dele apontado mais acima adotem ideais éticos como criticar a informação antes de reproduzí-la, citar as fontes que divergem da sua opinião e aceitem seu papel coadjuvante em uma grande coletividade de idéias que ganham corpo sem que qualquer indivíduo obtenha destaque.

Imagino que em uma blogosfera de blogueiros éticos como os que Malini apresenta não haja celebridades e sim uma infinidade de grupos de amigos por onde transitam ideias (memes) que podem se reproduzir, modificar e crescer entre essas infinitas microesferas de forma que os memes mais aptos se tornem um consenso norteando assim a nossa consciência coletiva.

Pessoalmente creio que analizando os blogueiros individualmente (incluindo eu mesmo provavelmente) o que buscamos não é compartilhar, mas a sensação de que não somos vozes anônimas.

Escrevemos blogs para nos sentirmos alguém e nos alegramos quando somos reconhecidos ou agradados como nas cada vez mais frequentes ações de marketing em mídias sociais digitais.

Muito embora concorde plenamente que a Internet é um instrumento criado por uma nova sociedade do conhecimento que revolucionará nossa civilização como não acontece a talvez cinco mil anos não compartilho da sua visão otimista do indivíduo humano.

Teremos, em minha opinião, uma grande massa de blogueiros repetidores, uma massa igualmente grande de blogueiros que buscam reconhecimento acima da multidão, ou seja, ser o próximo personagem de um Big Brother digital e uma minoria ínfima, talvez 5%, de blogueiros que pensam e seguem idéias como as que ele apresenta no post linkado lá em cima (eu realmente estou querendo que vc o leia).

Isso não é ruim.

Pode ser ruim individualmente pois o blogueiro que lutar para se destacar dentro da massa provavelmente não conseguirá mais do que ser uma microcelebridade que tem a ilusão da fama ou no máximo uma celebridade relâmpago que cai na midia antiga e massificada para logo depois desaparecer para sempre.

Coletivamente o processo de formação de uma sociedade do conhecimento onde as vozes coletivas determinam os rumos da civilização e os antigos detendores do poder se tornam meros atores coadijuvantes está garantido e, sempre gosto de repetir, é inevitável: processos evolutivos são irremediáveis.

Isso, ao meu ver, define a ética blogueira: a ética dos memes. Reproduzir (citando a fonte), transformar (citando a fonte), combinar informações (citando a fonte). E seja reproduzindo, transformando ou combinando sempre seguir a ética do compartilhamento realizado pela citação das fontes. A ética blogueira é comunitária e colaborativa.

No final das contas concordo com o ponto central do discurso de Malini: não podemos admitir que se diga que não há uma ética blogueira.

Vale a pena ler também o artigo da Prill sobre outros olhares sobre a blogosfera brasileira.

Quem matou a blogosfera?

Wednesday, November 19th, 2008

Com um pouco de atraso resolvi comentar o artigo do Nicholas Car: Who killed the blogosphere?

O que ele aponta no artigo na verdade é a transformação da blogosfera em uma nova mídia formal, com a mesma estrutura, compromisso com os anunciantes etc.

Mesmo no Brasil isso já está acontecendo, mas vejo como parte do processo e como um evento extremamente benigno já que muitos desses blogs são mantidos por indivíduos ou pequenos grupos que não fazem parte da grande mídia e pressionam as mudanças delas.

Além do mais, quando se tornam imprensa marrom seus compromissos são com outros poderes e muitos fatos que a grande mídia não cobre acabam sendo cobertos por estes blogs.

Outro ponto de destaque no artigo é a pequena quantidade de blogs ativos: apenas 1,7 milhões de blogs do Technorati são atualizados semanalmente.

É claro que o Technorati não tem todos os blogs do planeta cadastrados (ele a propósito se recusa a aceitar este blog), mas é uma boa amostra e creio que podemos supor que o número de blogs ativos não passa dos 7 milhões.

Isso não quer dizer que a blogosfera está diminuindo, pode ser apenas o reflexo da sua expansão para outros meios, afinal o mesmo exercício de livre expressão que praticávamos apenas em blogs agora pode ser feito em microblogs como o Twitter, comunidades e forums online apenas para citar alguns.

Lugares como sites de compartilhamento de vídeo, de fotos e de apresentações também são espaços de manifestação pessoal e não são blogs.

Afinal de contas porque a blogosfera é algo importante? Nunca foi! O que é importante é a possibilidade de uma pessoa comum se fazer ouvir globalmente impulsionando um tipo de hiperdemocracia onde todos tem voz!

Por um tempo o blog foi a única forma de fazer isso. Não é mais.

A blogosfera termina? Duvido, acho mais provável que ela se divida em dois grupos diferentes (e minoritários em relação à algaravia de vozes espalhadas pela Rede): corporativos e pessoais.

Os blogueiros corporativos são os que Nicholas comentou, os que se profissionalizaram tanto que já não diferem muito do blog de um grande jornal. Os pessoais são os que mantém a… bem, a pessoalidade em seus textos ;-)

No final das contas o que estamos vendo não é o fim da blogosfera, mas a expansão das formas como nós, pessoas comuns, podemos exercer nosso direito à livre expressão na Rede. A evasão de pessoas da blogosfera para outras esferas é natural, mas o fenômeno da hiperdemocracia permanece.