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Yahoo! Meme

Tuesday, May 26th, 2009

logo_ymemeO Yahoo!Meme foi entregue na semana passada ainda em fase alfa (antes mesmo da fase de testes chamada de Beta) e muitos esperavam que fosse uma resposta ao Twitter. Não creio que seja.

Para falar sobre o Meme do Yahoo! é necessário lembrar de duas coisas:

  1. Microblog é um adjetivo impróprio para descrever esses novos espaços da Rede
  2. Memes são unidades de informação cultural ou comportamental sugeridas por Richard Dawkins em 1976 (google isso)

Além disso é bom lembrar que o Twitter vem se caracterizando como uma fronteira entre online e offline sendo usado como um tipo de praça, mesa de bar, lounge ou veículo para obter informações diretamente na fonte. Estas não parecem ser vocações ou mesmo a intenção do Meme do Yahoo!

O Y!Meme se assemelha visualmente ao Twitter, Pownce e já vi alguém chamá-lo de Plurk vertical.

Essas redes são redes sociais focadas em conversa (todas mais que o Twitter, mas isso é outra história) e há um foco intenso em sua utilização em trânsito (via celular).

O Y!Meme parece ter sido projetado para ser um tipo de incubadora de Memes (e por isso é importante ler o conceito do Dawkings).

Dois memes no Y!Meme

Dois memes no Y!Meme

Na tela acima (clique para ver no tamanho original) vê-se uma barra cinza com as opções texto, foto, vídeo e música que servem para o frequentador criar memes desses tipos (eu incluiria link na lista o quanto antes).

Logo abaixo há um meme que é uma imagem de duas latas de lixo satirizando a TV digital brasileira e do lado direito do meme há dois ícones: um “v” indicando que já “repostei” esse meme  e uma bola com o número de vezes que ele foi “repostado” e aqui está a diferença entre o Y!Meme e outros lugares online.

Se você cria ou encontra uma idéia, imagem, música ou vídeo que acha que pode interessar a todos e tem um potencial viral você pode postá-la no Y!Meme e assistí-la se replicando e transformando já que cada pessoa que reposta pode acrescentar um comentário agregando algum significado ou valor ao meme.

Publicar coisas como “Vou ao cinema na quarta-feira” é ótimo no Twitter, mas no Y!Meme pode não ser tão interessante. Por outro lado “Radfaher faz uma comparação brilhante entre os nerds de The Big Bang Theory e a relação das empresas com o consumidor” pode se desenvolver de formas inesperadas e interessantes enquanto em qualquer outra rede social o meme se dispersaria sem controle (embora ainda de maneira eficaz).

A ferramenta pode vir a se mostrar excelente se usada dessa forma, mas são os frequentadores que definem o perfil de cada lugar e até agora um dos usos mais comuns tem sido uma mistura de Twitter com Plurk e poucos memes tem sido publicados e menos ainda replicados.

Ainda é muito cedo para dizer como o Y!Meme será usado e se ele se tornará mais atraente para as pessoas que hoje estão em redes como o Plurk.

Pessoalmente gostaria muito de vê-lo como uma encubadora de memes.

Redes sociais são a boca do Inferno?

Wednesday, April 29th, 2009

O governo de SP proibiu por Decreto n.49.914, de 14 de agosto de 2008, o uso de ferramentas sociais em telecentros. Um absurdo!

@pollyanaferrari em 28/04/2009

Já em setembro de 2008 o @samadeu comentou que o Twitter, MSN e Orkut estavam sendo bloqueados em escolas em São Paulo por conta dessa lei.

Pedofilia, drogas, sexo, armamento, violência,  pornografia e perda de tempo.

Esses são os estigmas das redes sociais online. Assim a interação humana é vista por políticos, pais, professores e juristas.

Aliás, acrescente-se à lista as calúnias, injúrias, difamações e toda sorte de organizações terroristas.

Nós que habitamos a digitosfera (a realidade que pode ser acessada por dispositivos digitais como celulares, computadores, pdas e outros) não vemos assim.

Para nós o ciberspaço é como as ruas das nossas cidades e aprendemos a reconhecer suas ruas escuras, grupos suspeitos e becos sem saída.

Há muitas dúvidas sobre o futuro, mas uma coisa é certa sobre ele: a digitosfera como chamo ou ciberspaço são um tipo de realidade online inevitável e todos habitaremos nela, mesmo que não saibamos disso.

Impedir nossos jovens de adquirir experiência nesses ambientes é como mantê-los presos em casa alienados dos perigos – e deslumbramentos – do mundo real lá fora.

Grande parte da confusão acontece porque muitas pessoas apenas acessam a Internet sem realmente habitá-la e acabam por não compreender as regras dessa sociedade. Elas enxergam apenas “sites” e não pessoas.

O restante da confusão fica por conta do fato da grande maioria, pelo menos dos políticos, juristas e educadores sequer acessarem a Internet mantendo com ela uma relação totalmente equivocada, como se ela fosse uma biblioteca de livros, jornais e revistas onde qualquer um tem direito de adicionar sua obra.

Veremos um período de transição que pode ser longo ou curto, mas onde as grandes vítimas serão nossos jovens. E não serão vítimas dos perigos online, mas do seu despreparo para enfrentá-los.

A rua está ali fora. Nossos filhos precisam ir ao colégio e sair para encontrar com os amigos, se divertir, fazer pesquisas… Se eles não souberem andar nas ruas se perderão, serão vítimas fáceis.

O tempo de restringir o acesso à Internet já ficou muito para trás, lá na década de 90, o tempo agora é de compreender a Rede e aprender a reconhecer suas ruas, vilas, becos, praças…

Vou listar então algumas das suas características que tenho percebido

Anonimato

Sim, é possível e sempre será possível estar totalmente anônimo na Internet, assim como é possivel caminhar pela rua totalmente encapuzado.

Quando você vê uma pessoa encapuzada na rua você confia nela?

Na Internet também não.

Os anônimos são vistos com precaução e até rejeição. O anonimato online é um mito.

Em redes sociais há os contatos da pessoa atestando quem ela é.

Os que possuem blogs antigos tem um status diferenciado pois possuem uma identidade mais clara e redes de contatos.

A propósito são raras as amizades virtuais. Elas transitavam entre a realidade online e offline desde os tempos dos BBS no iníncio dos anos 90 quando literalmente centenas de amigos online levavam suas amizades para o espaço offline.

Pedofilia

Não é possível tocar pessoas pela Internet.

Um dos maiores problemas com a pedofilia online são as fotos e filmes envolvendo sexo com crianças, o que é e deve ser crime, mas antes disso há o crime de fato: alguém produziu os filmes e fotos! De nada adianta tapar o sol com a peneira escondendo o fruto do crime que está online. Na verdade rastrear esse material pode ser uma das melhores formas de chegar aos criminosos… Normalmente familiares ou pessoas muito próximas das víticas

O segundo maior problema seria o assédio a crianças, mas além das pesquisas apontarem que isso é um mito (as crianças simplesmente não se interessam) é mais sensato preparar as crianças para reconhecer os perigos do que aliená-las, afinal como eu já disse: é inevitável que a digitosfera alcance todos nós, nem que seja na casa de um amigo.

Calúnias, injúrias e difamação

No início desse anos vi um rapaz difamar e injuriar uma moça em seu blog e se oferecer para apagar o post quando ela reclamou, mas a resposta dela foi “Não apaga, só aprove meu comentário e deixe lá”.

Trata-se de uma nova moral em formação. Nada é mais sagrado para as pessoas que habitam o ciberespaço do que a liberdade de expressão e estão dispostas a conceder e usar o direito de resposta.

As disputas judiciais ficam para os casos estremos em que uma das partes não compreende essa nova moral.

Esse tópico pede um ou mais posts e portanto vou deixá-lo como está para voltar a ele no futuro ou nos comentários.

Violência

Realmente há sites que fazem apologia a violência, preconceito, racismo e todo tipo de ódio. Há também sádicos que encontram prazer estimulando suicidas. Esta é uma das regiões mais assustadoras da Rede, mas é um preço que devemos pagar para garantir que a democracia possa subir para um novo patamar.

Além do mais este é mais um caso em que a vivência e orientação dos pais ajuda a transformar em oportunidade para discutir a realidade.

Sim… Realidade… Esqueça essa coisa de mundo virtual. Como já disse o que temos visto é realidade online e offline. E a discussão online tem se mostrado mais profunda.

Sexo

Humm… Sexo não é aquilo que garante a sobrevivência da nossa espécie? Ele é ruim porque mesmo?

Tá, digamos que estamos falando em perversão sexual ou em ter contato com informações sobre sexo saudável antes do tempo.

Errr… Você ligou a TV ou andou pela rua recentemente e olhou para as bancas de jornal? Já conversou com seus filhos e descobriu que está cheio de pais moderninhos que falam tudo para os próprios filhos, os amigos dos seus filhos?

Boa parte do que tenho a dizer se resume a isso: o acesso à informação é irremediável. Nossas crianças terão acesso a ela mesmo que não tenhamos luz em casa. O melhor a fazer é ajudá-las a lidar com essas informações.

Drogas

Bem, não há como transferir produtos químicos pela Internet.

Sabe-se que há um certo comércio de drogas e já vi alguns casos de pessoas que foram presas depois de vender drogas pelo Orkut.

Acontece que, como eu disse lá no ítem anonimato, as redes sociais estão cheias de pistas das identidades dos criminosos e, claro, eles precisam fazer as vendas offline.

Sim, é claro que crianças podem esbarrar em páginas ou pessoas que tentarão convencê-las a usar drogas, mas raramente as coisas chegam às pessoas na Internet, somos nós que vamos às coisas.

Mesmo que seja o contrário, volto a dizer que a alienação não é uma forma de defesa e sim a consciência.

Armamento

??

Sou contra armas, acredito que nossa espécie simplesmente devia deixar de fabricá-las. Simples assim!

Mas não entendo o problema de se falar em armamento online, offline ou onde quer que seja.

Twitter no Fantástico, o que poderia ter sido

Monday, April 20th, 2009

A mídia antiga como o Fantástico tem dificuldade em entender o fenômeno das mídias sociais e costuma olhar com receio um ambiente onde seus antigos espectadores podem ter mais voz do que ela e o resultado são as matérias superficiais e até simplórias e infantís que ela (a mídia antiga) tem apresentado.

A que vimos ontem no fantástico acabou retratando as mídias sociais como um espaço onde podemos ser seguidos por estranhos, enganados por senhoras que se dizem jovens e, tinha que haver algo de bom, marcar reuniões com amigos e arranjar empregos.

Nós sabemos que redes sociais são muito, mas muito mais que isso então resolvi adaptar a pauta da matéria do Fantástico mostrando o que ela poderia ter sido ocupando o mesmo exíguo minuto de atenção que recebeu.

Redes Sociais escolha a sua

Você sabia que as redes sociais já são mais usadas como forma de comunicação do que o email? Estamos saindo da era em que conversávamos com uma pessoa de cada vez e entrando em um mundo fascinante onde as conversas são coletivas.

Entra cena da mesa com os tuiteiros de Sampa

Essa reunião de amigos foi combinada pelo Twitter, uma rede social onde escrevemos mensagens curtas que são vistas por todos que nos acompanham por lá.

- Pois é, eu tuitei ontem que seria legal nos encontrarmos aqui hoje e um foi falando com o outro e cá estamos. Hoje somos só uns 12, mas quando a causa é mais nobre como foi no caso do Twestival foram 300 pessoas e agariamos mais de 250 mil dólares em todo o mundo para construir poços de água na África – fala de um dos tuiteiros

Recentemente o Twitter foi usado na moldávia para organizar um protesto popular que reuniu mais de 10 mil cidadãos.

Além de facilitar o encontro de amigos, flashmobs e mobilizações  o Twitter tem sido adotado por várias celebridades como Marcelo Tas, Maria Rita[bb], Leo Jaime, Demi Moore e seu marido, Ashton Kutcher que já é seguido por mais de um milhão de pessoas superando a CNN.

O Twitter é a rede de maior crescimento da atualidade, mas ainda tem muito caminho a percorrer para alcançar o Facebook que é a maior rede depois de ter superado o MySpace recentemente. São redes com mais de 100 milhões de pessoas.

Tanta gente reunida em poucos lugares dando opiniões, reclamando de produtos, sugerindo soluções e debatendo sobre todos os assuntos apresenta um novo mundo de possibilidades para as empresas conhecerem seus consumidores que passam a ser seus interlocutores.

É nisso que @missmoura trabalha pendurada nas redes sociais mais de 8h por dia (entra fala da @missmoura)

Além das grandes empresas pequenos e grandes artistas podem usar as redes para encontrar seu público.

Leo Jaime foi um dos primeiros a usar a rede social do Orkut para facilitar a comunicação com seus fãs e organizar seus shows sem precisar de caros esquemas de publicidade. Hoje ele não usa mais aquela rede e alerta para os chatos que se escondem atrás do anonimato.

Além dos chatos há os que se fazem passar por outras pessoas (entre a senhora falando que tem dois namorados online e duas idades), os fakes de famosos (alerta que o @drauziovarella é um fake)

A solução para esses problemas está nas próprias redes sociais online onde a cada dia se valoriza mais o amigo do amigo relegando os que se mantém anônimos a um certo distanciamento.

Bastidores

A Globo não poderia, mas a nova mídia certamente mostraria o vídeo não oficial dos bastidores do bloco sobre o Twitter:

Twitter

Monday, December 15th, 2008

Nossa! Esse post ficou horrível! Não o leia! Escrevi outro que publiquei um dia depois com o título O que é Twitter. Deixo esse post aqui apenas como testemunho da minha “falhabilidade”! :-)

Se você não faz idéia do que é o Twitter sugiro que leia antes o post que escrevi recentemente sobre o que é micro-blog.

Como usar, o que é, como vem sendo usado e para que serve o Twitter? Você deve ter um Twitter?

Quando o Twitter foi criado a proposta era responder “O que você está fazendo agora” (uma tolice). Os criadores devem ter se inspirado na onda de reality shows, mas ele foi sequestrado pelas necessidades da sociedade do conhecimento que vem se desenvolvendo lentamente.

Tem muita gente boa como a Rachel Recuero refletindo sobre os rumos do Twitter e sua importância nas redes sociais e capital social. Vou fazer uma análise um pouco diferente.

O que é o Twitter afinal?

Acredito que o ponto central do Twitter é sua essência móvel, ou seja, é Internet para ler e escrever longe do computador usando um celular ou algum outro dispositivo conectado (como um iTouch).

Graças a isso o Twitter é uma ponte de ligação do real e do virtual (uso virtual aqui apenas para simplificar o entendimento, mas não concordo com essa divisão).

É claro que o status nele em geral é definido pela qualidade das informações que cada um é capaz de criar ou replicar, no entanto ele acaba sendo usado também para mediar encontros físicos como “gente, já estou aqui, perto do vendedor de cachorro quente” ou em “trânsito engarrafado, pegue o metrô”.

Além disso ele tem um potencial de propagação de informações muito superior ao dos blogs e outras ferramentas justamente por não estar tão preso ao computador podendo chegar até você também por seu celular.

E eu com isso?

Juntando as duas características:

  1. Ponte de ligação entre online e offline
  2. Propagação viral de informações

Eu diria que o Twitter se tornou uma ferramenta essencial para humanizar o convívio online e aproximar pessoas com interesses em comum, ou seja, quem não deseja ficar escondido atrás de uma tela de computador deve dar uma espiada no Twitter.

Isso não é uma ode ao Twitter, ele é o mais usado e portanto o melhor microblog do momento.

Onde o Twitter perde?

Muitas coisas feitas no Twitter podem ser feitas com mais eficiência com outras ferramentas.

Um dos usos mais comuns dele é para divulgar links para fotos, videos, músicas e artigos interessantes e um lifestream como o que uso aqui no blog seria mais eficiente.

Ele pode ser um grande ladrão de tempo caso você siga muitas pessoas que falam de generalidades, mas essa é uma falha nossa e não da ferramenta.

Onde o Twitter ganha?

Ele é perfeito como apoio para os papos paralelos em uma desconferência.

Antes de enfrentar o trânsito sempre busque por #trânsito no Twitter (mesmo que você não o use para mais nada).

Alguns links que você compartilha em seu lifestream são mais importantes e merecem ser compartilhados imediatamente com sua rede de contatos no Twitter.

Ele tem se mostrado inbatível na cobertura de fatos em tempo real apesar de haver críticas à sua falta de confiabilidade… Como se alguma mídia em tempo real fosse confiável…

Capital social

Deixei para o final e merece um post específico, mas não posso falar em rede social sem falar dos seus wuffies (tm @crisdias), ou seja, o seu capital social.

O tema é complexo pois a princípio parece ótimo para você caso 8 mil pessoas decidam seguir tudo que você escreve no Twitter, mas será que as 8 mil clicam em um link que você sugere?

Hoje tenho pouco mais de 100 seguidores, mas tenho notado que apenas 12 seguem os links que indico e raramente os replicam… Preciso sugerir links mais interessantes (hehe)

Outro fator a lever em consideração é: se entre meus 100 seguidores tenho o Neil Gaiman, o Jo Soares e a Drew Barrymore posso ter mais wuffies do que outra pessoa seguida por 8 mil pessoas.

Ou para ser mais prático: se vendo camisas é melhor ser seguido pelas 3 maiores lojas de camiseta do que por 10 mil físicos nucleares…

NO final das contas, para medir o capital social das redes sociais é necessário desenvolver formas de medir a sua penetração e os segmentos da sociedade que cada rede alcança e ainda é cedo para ter um quadro concreto do Twitter.

#Descolagem

Saturday, November 22nd, 2008

Se você não faz idéia do que aquele “#” está fazendo no título desse post dê uma lida no que escrevi sobre Microblogging.

Acabo de chegar do evento Descolagem na Nave Oi.

O Descolagem é um evento mensal que segue mais ou menos a mesma proposta do ted.com: idéias que merecem ser multiplicadas, geralmente sobre as fronteiras do nosso conhecimento.

O tema dessa edição foi a escola do futuro.

Você encontra a cobertura ao vivo em texto no blog da @Maffalda.

No palco apresentando idéias tivemos a Patrícia Konder, o Paulo Blikstein e o Radfahrer que se apresentaram nessa ordem. Além deles teve o som do pessoal da Lens Kraftone que faz música com o Wii.

Na platéia um fervilhante debate simultâneo que mais da metade da audiência talvez nem tenha percebido que aconteceu e certamente não aproveitou.

Calculo que, das 200 pessoas não mais que 100 delas estavam comentando e acompanhando pelo Twitter, o restante eram professores, muitas vezes assustados como um que se levantou para perguntar sobre o fim da sua profissão agora que o aluno pode obter informação sem ele e do fim do toque já que nos comunicamos virtualmente pela Internet… Ele não leu a história do Gronk e da Gronka: nós humanos sempre nos comunicamos virtualmente! Mais à frente o Luli comentaria que Platão não gostava de livros pois as pessoas não se comunicariam mais e não produziriam conhecimento. Ridículo, mas não mais ridículo do que o medo da Internet.

Outro medo que me pareceu bem comum entre a platéia de @turistas (como chamo as pessoas que ainda não enxergam a Internet como uma rede de idéias e de pessoas) é a transformação da sociedade pela tecnologia! Gente! Leiam Pierre Levy! Ou o meu post sobre Cloverfield, tanto faz! Nós criamos essas tecnologias porque algo nos impulsiona a expandir as nossas capacidades de comunicação, integração e interação! Ou seja, foi a sociedade que mudou e criou as redes sociais digitais como o Twitter e os Blogs!

Ouvir a palestra da Susan Blackmore no Ted também ajudaria a esses professores desconectados que precisam urgentemente entender as transformações que estão ocorrendo ao redor.

A palestra da Patrícia foi conceitual, um brainstorm sobre a escola do futuro que teria brilhado se o debate online tivesse feito parte do processo, mas suscitou insights como a meta-aprendizagem ser parte do papel do novo professor e de como lidar com o fluxo avassalador de informação ou que a nova escola será totalmente diferente, não por ter paredes diferentes ou computadores em cada mesa, mas talvez por não ter sala, lugar no espaço ou no tempo.

A princípio odiei a segunda palestra (do Paulo Blinkstein) que era sobre pensamento computacional, as que não tocou nesse tema. Talvez ele tenha achado que as mentes ali eram lentas para os conhecimentos febris de Stanford e se limitou a dar exemplos práticos de trabalhos que ele faz que foram perfeitamente descritos pela @S1mone: Livro do escoteiro mirim na sala de aula!

No final das contas a palestra dele me deu a sensação de estar em um escafandro dentro de um ipotético mar de mercúrio em IO em vez da nave da Oi!

Felizmente o @Lebravo me chamou a atenção do cara ser o único ali que realmente colocava em prática algo que aponta rumos para o futuro e vamos combinar que o trabalho do cara é fantástico! Ele leva experimentos de robótica para alunos carentes até em Angola! Gente que se deslumbra com o conhecimento e a tecnologia e se tornam, como prova o email de um ex-aluno que ele mostrou, engenheiros de fato.

Também fiquei com uma má impressão do Paulo pois ele fez uma afirmação totalmente @turista: O pesquisador que quer sequenciar o genoma do tomate não entra no Google para ver se alguém já fez isso para copiar e colar, ele vai e produz.

Deu a impressão de que acredita que a Rede é uma massa de conhecimento antigo mofando… Ele definitivamente deveria ter aproveitado o tempo nos EUA para ir ao TED!

O pesquisador que não vai à Rede antes e durante sua pesquisa vai trabalhar sozinho e descobrir, desconsolado, ao publicar seu trabalho que um grupo de 389 pesquisadores espalhados pelo mundo trabalhando colaborativamente via Internet não só sequenciaram o genona do tomate como o adaptaram para ser plantado em Marte! Mais à frente o Luli falaria sobre o OpenSource…

Depois do Paulo teve música. Muito legal, dê page up ai e vá lá no Myspace dos caras!

A essa altura eu estava twittando obcessivamente! Lá pelo meio do evento cheguei a levantar a voz e perguntar “Só pode fazer pergunta ou pode opinar?”. Eu queria contar para aqueles 100 excluídos na platéia o que estava acontecendo! Que enquanto os caras falavam lá na frente expondo suas idéias (memes, estudem isso POR FAVOR) elas eram imediatamente reproduzidas, transformadas e entravam na ciranda de seleção natural (ou informacional) fazendo que o evento acontecesse multidimensionalmente!

Não deu para falar e por isso cheguei aqui tão “pilhado” para escrever esse longo post antes de sair para o #BOD (Bloggers on Dance).

Foi então que entrou o Luli Radfahrer, um sujeito famoso na blogosfera que no entando, tive a impressão, era um anônimo para boa parte das pessoas na platéia. Tenho que admitir que, como nunca tinha visto uma palestra dele, não entendia muito bem sua fama. Ah! Mais ai ele começou a falar tudo que eu e outros tantos estávamos berrando no Twitter sem sermos ouvidos. E falava na nossa velocidade, umas 10 vezes mais veloz que a Patrícia e umas 500 que o Paulo. Não só nos acordou como nos deu voz! O Beto Largman tinha razão em insistir pela presença dele!

Pena que a essa altura uns 10% dos @turistas tinham saído, perderam uma palestra que teriam que valeria 1000 Reais e foi grátis.

No final das contas creio que o @Lebravo disse bem: juntar as três palestras torna o evento absolutamente memorável.

Não dá para resumir tudo em uma palavra, mas eu me atrevo a dizer que um conceito permeou as três palestras, um que sempre defendo:

A escola do futuro se trata de consciência, senso crítico.

E já que falei tanto no debate silencioso online aqui vão alguns comentários:

  • Rafaelfilos: e o questão ñ é linguagem do debate, mas o ponto dele. o Blikstein foi brilhante na liguagem e no trato da temática
  • Claudiaruiva (assistiu online): Ok, educação do futuro é critério, é senso crítico. Mas o que temos no Brasil é o oposto, vide sistema de cotas.
  • Alescar: discordo do Luli, qto ao professor. Não é fácil o prof mudar uma instituição enraizada….
  • Alescar: apenas com a dica do Luli sobre o pai, descobri o nome do prof no Google..rs … :) Prof. Celso Antunes, quase 200 livros!
  • Deluca: “Idéias nascem a partir do diálogo, da troca”. Quase sempre das discordâncias, da argumentação.

Teria mais umas 50 dignas de nota, mas a idéia é dar uma noção de como uma palestra acontece no mundo real moderno e o que é uma desconferencia: quem só viu as palestras não teve acesso a muito mais do que 10% das informações e conhecimentos gerados à partir e ao redor delas!

Atualizando um dia depois…

Lendo a cobertura da Maffalda percebi que caí na armadilha do preconeito. Como o Paulo Blikstein se apresentou dentro de um estereótipo que transmite (ao menos para mim) idéias cimentadas e retrógradas, acabei pré-julgando e não vi algumas coisas boas que ele disse.

Além disso ele explicou sim o que é pensamento computacional: raciocinar fora das fórmulas encontrando soluções alternativas e criativas para problemas que antes só podíamos resolver com decorebas mecânicas. Nesse sentido tenho que retirar a minha crítica lá em cima sobre o pesquisador que não vai ao Google… Mas reafirmo que não se pode, em momento algum, esquecer de citar o poder colaborativo e integrador da Internet.

Outras repercussões