Ontem teve lugar na Nave Oi a quarta edição do Descolagem que nos trouxe três especialistas (Maurício Mota, Geoffrey Long e Mark Warshaw) na arte de contar histórias através de várias mídias indo dos quadrinhos ao cinema, do videogame ao livro sem esquecer do mais novo domínio da sociedade do conhecimento, a Internet onde personagens ganham blogs ou contas no Twitter e empresas fictícias tem sites corporativos.
Tenho certeza que vários blogs terão resumos excelentes como o da Maffalda e o da Patrícia Haddad (sugiro a @prill: Descolagem 1 e Descolagem 2) além dos vídeos serem disponibilizados no canal do Descolagem no Videolog, portanto vou me concentrar em comentar os dois ou três pontos que mais me chamaram a atenção e destacar um tuíte ou outro que me instigaram.
O que mais me impressionou foi a ideia de que cultura contemporânea parece muito mais disposta a consumir histórias com lacunas do que as anteriores.
As lacunas já eram uma característica de várias histórias imortais como Senhor dos Anéis e Guerra nas Estrelas, afinal quem era Tom Bombadil, como funcionava a força e quem era Boba Feet? Essas lacunas estavam lá para serem discutidas pelos fãs e permitir a criação de todo um universo expandido em torno daquela obra de ficção.
No entanto, desde Matrix e depois em Lost (passando por Alias também de JJ Abrahams) o que temos visto são tramas onde a cada resposta somos apresentados a vários outros mistérios.
Desconfio que isso seja um movimento inerente à cultura do conhecimento: nossa mente anseia por oportunidades para exercitar a criatividade.
Pensando assim talvez seja uma tolice supor que Harry Potter seja o herdeiro de Guerra nas Estrelas como chegaram a sugerir durante o Descolagem apesar de todo seu sucesso (explicável ao meu ver pela semelhança com Cinderela, também presente em Matrix) e de uma grande quantidade de fanfics criadas para o universo HP.
A propósito, não posso deixar de lembrar de Joseph Campbell e o Poder do Mito: a capacidade de preencher o imaginário mítico ou onírico pode ser uma qualidade essencial para criar uma história imortal. Algum dia cometerei a imprudência de listar que pulsões míticas devem causar impressão ao imaginário da sociedade do conhecimento.
Voltando às narrativas transmídia todos pareceram unânimes a respeito de um nome: A Cultura da Convergência de Henry Jenkins (coloquei o link para comprar o livro no fim do post).
É dele a afirmação de que são as pessoas e não as tecnologias que convergem e essa é uma virada de paradigma de 180 graus na ideia que que tudo convergiria para computadores.
Vou forçar um pouco o sentido e propor que a convergência da criação de histórias e universos de histórias deve incluir a audiência que também executará o papel de co-autora de formas que ainda não podemos prever, mas desconfio que será uma evolução das fanfics.
Tweets interessantes:
#descolagem – Em resumo, como diz o Maurício, contar histórias em múltiplas plataformas de mídia é ver a marca como conteúdo. @deluca
#descolagem as novas gerações olharão para um filme sem conteúdo adicional e se perguntarão “é só isso mesmo?” @s1mone
Vale ver:
- Twitaround para iPhone – realidade aumentada que mostra onde tweets estão sendo escritos
- Dr. Horrible: seriado musical produzido por Joss Whedon (de Buffy) em sua casa com amigos durante a greve de roteiristas nos EUA
- Imagine This TV: Projeto de TV opensource e show de realidade (reality show) cuja missão é trazer benefícios para a comuniade escolhida







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