Imagem: Jason Eppink – Tug of War Cc

Esse provavelmente é o maior título de post que fiz até hoje…

As ideias a seguir estavam se organizando, mas foram catalisadas por esse artigo no Medium intitulado The Web We Have to Save. Vão lá ler pois vale muito a pena.

Um esclarecimento necessário: esse blog não entra em teorias da conspiração, então esse não é um artigo sobre forças obscuras e escondidas que querem estrangular sua voz.

O que acontece no mundo com certeza é apenas a movimentação natural de um tipo de cabo de guerra que tem de um lado gente como você e eu e do outro grupos que conseguem controle sobre uma parte maior dos meios de comunicação. Isso é tão antigo quanto as primeiras vilas humanas há uns 30 mil anos.

Então qual é a novidade? Bem, a novidade é que, quando a Web surgiu parecia que dessa vez tudo ia mudar, que as pessoas comuns teriam sua própria voz, que políticos se tornariam obsoletos, empresas não poderiam mais mentir para nós pois algum blogueiro descobriria tudo e colocaria a boca na web sendo replicado em milhares de outros blogs.

Bem… E isso aconteceu realmente. Ainda acontece! Mas quem tinha controle antes não desistiria gentilmente e sempre haverá alguém tentando obter o controle que outros perderam.

Mas voltemos à metáfora.

As pessoas comuns travam um cabo de guerra com grandes corporações disputando lugar na mídia e hoje a Internet abriga vários veículos de mídia.

Até pouco tempo havia apenas um veículo de mídia online: a Web. E isso era muito bom. E isso mudou.

Primeiro veio o anúncio da morte da Web por causa dos apps. Já era uma tentativa de retomar controle do fluxo de comunicação. Eu mesmo comentei aqui que isso não daria certo, e não deu. Só que “não dar certo” não significa que fracassou totalmente e os apps realmente comeram uma parte da Web. Todo grande veículo de mídia tem seus apps e há apps como o Zite que procura reunir os artigos e fontes mais relevantes o que já é uma forma de filtrar e restringir a Web.

O ponto catalisador do artigo que recomendei lá no começo foi perceber que as redes sociais também são aplicativos que concorrem com a Web e procuram derrotá-la no cabo de guerra. Basta ver como links externos são tratados nelas(leia o artigo lá de cima, sério), principalmente na maior delas, o Facebook, que segue um modelo mais próximo da mídia de massa do que o modelo Internet.

Além de teorias da conspiração, outra coisa que não tem espaço nesse blog, é o fatalismo (que, convenhamos, é quase um tipo de teoria da conspiração) e não vou concluir que está tudo acabado. O mundo será dividido entre Google, Facebook e o Über e que, você, eu e nossos amigos continuaremos sendo escravos, mudando apenas nossos senhores.

O artigo que catalisou esse post já é por si um sinal de que existe consciência do que está acontecendo.

É comum entramos em sites que imploram por nossos likes no Facebook, mas já começa a surgir um número quase tão grande quanto esse que implora, também com janelas popup, que nos inscrevamos em suas malas diretas.

Os dois desesperos vem do mesmo lugar: o esforço para ser visto em um mundo onde a Web perdeu muito espaço, mas o segundo é muito interessante.

Aliás esse blog também terá em breve a sua mala direta, só não vou implorar para que ninguém se inscreva nela pois essa é a terceira coisa que não fazemos aqui: implorar por audiência 😉 eu quero a SUA audiência, você que se interessa por esses assuntos a ponto de ler um artigo deste tamanho e não qualquer audiência.

Isso é algo que a blogosfera em geral ainda não percebeu: mais valem mil olhos, ouvidos e bocas realmente engajados no nosso tema do que 100 mil com vago interesse, mas isso é assunto para outro post.

Voltando à mala direta.

Sabemos que a estratégia certamente vem do sucesso da chamada “fórmula de lançamento”, mas estou convencido de que há mais do que isso, que os produtores de conteúdo estão percebendo que precisam construir uma relação direta com quem tem interesse no que eles produzem, que as redes sociais online são ambientes filtrados por critérios que não favorecem nem o produtor de conteúdo e nem quem busca bom conteúdo.

As pessoas em busca de conteúdo também estão percebendo isso, vide a existência de vários produtores que são sustentados pelo patronato de alguns milhares de pessoas que se dispões a colaborar mensalmente ou por trabalho.

A civilização é um cabo de guerra sem vencedores. Quando um grupo se vê na desvantagem recebe ajuda de outros que tem os mesmos interesses e assim por diante.

Nesse momento a voz da sociedade está perdendo o cabo de guerra depois de um período de euforia entre 2010 e 2013, mas o pessoal já está correndo para ajudar. E assim, passo a passo, vamos construindo uma civilização mais justa para todos ainda que algumas vezes seja difícil perceber isso.

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