Imagem: Artigo El Pais

Em geral faço comentários rápidos a artigos na categoria Gotas aqui do blog, mas a entrevista recente do El País com Neil deGrasse-Tyson (ignore a manchete, manchetes são péssimas hoje em dia) merece um destaque maior.

Não se trata dele ter dito algo novo, mas na sequência de reflexões que se alinharam e me pareceram muito úteis para organizar uma linha de abordagem.

A ciência nos mostra uma realidade que não corresponde às nossas crenças ou tradições, mas somos apresentados apenas aos resultados da ciência. Confundimos o conhecimento descoberto cientificamente com a ciência e, sem entender o caminho, acabamos achando que a ciência nos mostra “uma” realidade.

Claro que há dois grupos de realidades: um subjetivo, que nós intuímos e outro objetivo que um conjunto de métodos chamado ciência nos ajuda a descobrir.

Realidades objetivas unem todos nós. Realidades subjetivas nos unem aos nossos semelhantes culturais ou sociais, mas nos afasta de outros.

Essa visão sozinha já vale a entrevista inteira muito embora não esteja muito clara nela porque ficou em outra ordem.

Nossa relação com as realidades deveria levar em conta o caráter pessoal ou universal delas.

Se estamos tratando de um assunto que concerne apenas ao nosso grupo social ou cultural podemos nos guiar pelas realidades subjetivas que compartilhamos: Em nossa comunidade todos usaremos chapéus. Quando somos chamados a decidir questões que dizem respeito a todos então temos o dever moral de nos guiar tanto quanto possível pelas realidades objetivas: Nossas leis não conterão nenhum princípio da religião “linha” porque haverá uma religião “traço” que tem outra realidade subjetiva.

Essa percepção já nos ajuda a perceber que há tribos pequenas e uma grande tribo global.

Humanos parecem ser tão tribais quanto os outros primatas, nós nos dividimos em tribos, mas podemos decidir definir nossa tribo não pela cor da pele ou por essa ou aquela realidade pessoal e sim por características universais como idade: todos os humanos com mais de 40 anos fazem parte de uma tribo que tem os mesmos cuidados de saúde para compartilhar.

Melhor ainda é entendermos que fazemos parte de uma grande tribo de Homo Sapiens passageiros e equipe de manutenção da astronave Terra.

É dever (e direito) de todos nós garantir que o ecossistema continue adequado para as formas de vida atuais já que a tecnologia para tornar lugares fora do planeta habitáveis está mais longe da necessária para recuperar e manter esse planeta.

Para ficar mais claro: antes de aprender a transformar Marte em uma Terra aprenderemos a recuperar e manter a Terra.

Mas o ponto mais importante da matéria, na minha opinião, é a construção de uma consciência tribal-global e o papel da abordagem científica e da educação para encontrarmos as ligações objetivas que nos ajudarão a construir essa consciência.

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