Acabo de assistir o blogueiro e jornalista Fábio Malini falar sobre sua visão a respeito de O que nós, blogueiros, somos.

Li o post inteiro que é enorme e isso por si só já é um fato notável pois o tempo aqui na Campus Party é escasso e os estímulos incontáveis, no entanto o texto é imperdível para quem está interessado em tentar entender para onde estamos caminhando.

A essência do artigo do Malini é que o blog é fruto do rompimento com a estrutura de poder e, nas palavras dele, da ótica do escravo onde uns poucos detem a prerrogativa de donos do conhecimento e o negam à pessoa comum condenando os blogs de diversas formas.

O blog seria o começo de uma nova democracia representativa.

Concordo com tudo isso, mas discordo da visão romântica que ele apresentou onde os blogueiros estariam em busca de uma ética.

Espero que todos que vierem a ler este post ou o post dele apontado mais acima adotem ideais éticos como criticar a informação antes de reproduzí-la, citar as fontes que divergem da sua opinião e aceitem seu papel coadjuvante em uma grande coletividade de idéias que ganham corpo sem que qualquer indivíduo obtenha destaque.

Imagino que em uma blogosfera de blogueiros éticos como os que Malini apresenta não haja celebridades e sim uma infinidade de grupos de amigos por onde transitam ideias (memes) que podem se reproduzir, modificar e crescer entre essas infinitas microesferas de forma que os memes mais aptos se tornem um consenso norteando assim a nossa consciência coletiva.

Pessoalmente creio que analizando os blogueiros individualmente (incluindo eu mesmo provavelmente) o que buscamos não é compartilhar, mas a sensação de que não somos vozes anônimas.

Escrevemos blogs para nos sentirmos alguém e nos alegramos quando somos reconhecidos ou agradados como nas cada vez mais frequentes ações de marketing em mídias sociais digitais.

Muito embora concorde plenamente que a Internet é um instrumento criado por uma nova sociedade do conhecimento que revolucionará nossa civilização como não acontece a talvez cinco mil anos não compartilho da sua visão otimista do indivíduo humano.

Teremos, em minha opinião, uma grande massa de blogueiros repetidores, uma massa igualmente grande de blogueiros que buscam reconhecimento acima da multidão, ou seja, ser o próximo personagem de um Big Brother digital e uma minoria ínfima, talvez 5%, de blogueiros que pensam e seguem idéias como as que ele apresenta no post linkado lá em cima (eu realmente estou querendo que vc o leia).

Isso não é ruim.

Pode ser ruim individualmente pois o blogueiro que lutar para se destacar dentro da massa provavelmente não conseguirá mais do que ser uma microcelebridade que tem a ilusão da fama ou no máximo uma celebridade relâmpago que cai na midia antiga e massificada para logo depois desaparecer para sempre.

Coletivamente o processo de formação de uma sociedade do conhecimento onde as vozes coletivas determinam os rumos da civilização e os antigos detendores do poder se tornam meros atores coadijuvantes está garantido e, sempre gosto de repetir, é inevitável: processos evolutivos são irremediáveis.

Isso, ao meu ver, define a ética blogueira: a ética dos memes. Reproduzir (citando a fonte), transformar (citando a fonte), combinar informações (citando a fonte). E seja reproduzindo, transformando ou combinando sempre seguir a ética do compartilhamento realizado pela citação das fontes. A ética blogueira é comunitária e colaborativa.

No final das contas concordo com o ponto central do discurso de Malini: não podemos admitir que se diga que não há uma ética blogueira.

Vale a pena ler também o artigo da Prill sobre outros olhares sobre a blogosfera brasileira.

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