Antes de mais nada, não seja demasiadamente cruel com o título, tentei resumir o melhor possível o que vem a seguir, mas estava difícil traduzir em um título. Ficará claro no terceiro parágrafo, tá?

Sei que o Youtube está longe de estar estagnado, pelo contrário, ele está cada vez borbulhando mais de vida memética, de novos canais e antigos canais fazendo novas experiências.

No entanto existem os Youtubers. Aqui no sentido de “pessoas que se sustentam principalmente com o que recebem do Google e de anunciantes”. E eles estão passando por uma crise: para serem economicamente viáveis precisam cada vez de mais assinantes, views e se encaixar nos planos de marketing de grandes empresas.

Lorelay fez o melhor vídeo sobre isso que vi até agora:

Esse é o tipo de problema que não deve passar (no final do post vou aproveitar para falar de um que pode passar).

A questão é que a mídia de massa não surgiu por um acaso.

Da mesma forma que há mais vida às margens de lagos ou grandes rios, há mais informação, cultura, conteúdo, memes em torno das mídias de massa.

Conforme a Internet chega a cada vez mais gente, mais surgem pontos de mídia de massa online.

A dinâmica seria mais ou menos assim:

  • Atraio atenção na forma de inscritos e views
  • Me torno interessante para propagandas (de nicho talvez)
  • Procuro ter mais alcance para me tornar mais interessante para anunciantes (esse é o ponto de virada)
  • Sou achado por cada vez mais gente e atraio cada vez mais anunciantes
  • Posso viver com anúncios, mas grande parte do meu negócio passa a ser pautado pelos interesses de massa

A situação é piorada com as flutuações do mercado ou da política de propaganda do YouTube. Nesse momento, aliás, alguns dos maiores Youtubers perderam 90% dos seus recebimentos de AdSense por causa de um artigo no Wall Street Journal (vídeo do Felipe Neto explicando).

Problemas como esses devem se resolver, se o YouTube perder o espaço da cauda longa surgirá outro para ocupar e o Google não vai querer isso.

No entanto ficamos com o outro problema, que considero crônico.

Como resolver?

Bem, uma opção é decidir ficar em paz com o papel de mídia de massa, de TV 2.0, e fazer conteúdo similar. Do tipo que atrai o máximo de pessoas.

Há quem se sinta perfeitamente bem fazendo isso, muito embora não seja o perfil dos Youtubers mais antigos que procuravam justamente a liberdade criativa.

Certo, para esses não há problema, mas e quem gosta de fazer conteúdo para nichos como steampunk, causas LGBT, filosofia, ciências e até religiosidade (sim, na prática são nichos por serem muito pulverizadas).

Vejo duas opções:

  1. Buscar anunciantes e parcerias em seus nichos o que, a propósito, abre um grande espaço para empresas pequenas. O grande problema é despertar o interesse dessas empresas, normalmente antiquadas;
  2. Usar seu canal (ou blog) como parte de um ecossistema. Pode ser para facilitar shows ou workshops ou talvez para atrair patronos.

E, é claro, nem todos nós precisamos ser Youtubers no sentido de retirar nossa renda dos canais. Podemos usar apenas para exercer nosso papel de pessoas engajadas em nossa sociedade e civilização.

Francamente, essa sempre foi e creio que sempre será a grande beleza da Internet.

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