Ontem teve lugar na Nave Oi a quarta edição do Descolagem (o link morreu) que nos trouxe três especialistas (Maurício Mota, Geoffrey Long e Mark Warshaw) na arte de contar histórias através de várias mídias indo dos quadrinhos ao cinema, do videogame ao livro sem esquecer do mais novo domínio da sociedade do conhecimento, a Internet onde personagens ganham blogs ou contas no Twitter e empresas fictícias tem sites corporativos.

Geoffrey Long, Beto Largman, Mark Warshaw e Maurício Mota

Geoffrey Long, Beto Largman, Mark Warshaw e Maurício Mota (foto de Victor Pencak)

Tenho certeza que vários blogs terão resumos excelentes como o da Maffalda além dos vídeos serem disponibilizados no canal do Descolagem no Videolog (outro link que morreu), portanto vou me concentrar em comentar os dois ou três pontos que mais me chamaram a atenção e destacar um tuíte ou outro que me instigaram.

O que mais me impressionou foi a ideia de que cultura contemporânea parece muito mais disposta a consumir histórias com lacunas do que as anteriores.

As lacunas já eram uma característica de várias histórias imortais como Senhor dos Anéis e Guerra nas Estrelas, afinal quem era Tom Bombadil, como funcionava a força e quem era Boba Feet? Essas lacunas estavam lá para serem discutidas pelos fãs e permitir a criação de todo um universo expandido em torno daquela obra de ficção.

No entanto, desde Matrix e depois em Lost (passando por Alias também de JJ Abrahams) o que temos visto são tramas onde a cada resposta somos apresentados a vários outros mistérios.

Desconfio que isso seja um movimento inerente à cultura do conhecimento: nossa mente anseia por oportunidades para exercitar a criatividade.

Pensando assim talvez seja uma tolice supor que Harry Potter seja o herdeiro de Guerra nas Estrelas como chegaram a sugerir durante o Descolagem apesar de todo seu sucesso (explicável ao meu ver pela semelhança com Cinderela, também presente em Matrix) e de uma grande quantidade de fanfics criadas para o universo HP.

A propósito, não posso deixar de lembrar de Joseph Campbell e o Poder do Mito: a capacidade de preencher o imaginário mítico ou onírico pode ser uma qualidade essencial para criar uma história imortal. Algum dia cometerei a imprudência de listar que pulsões míticas devem causar impressão ao imaginário da sociedade do conhecimento.

Voltando às narrativas transmídia todos pareceram unânimes a respeito de um nome: A Cultura da Convergência de Henry Jenkins (coloquei o link para comprar o livro no fim do post).

É dele a afirmação de que são as pessoas e não as tecnologias que convergem e essa é uma virada de paradigma de 180 graus na ideia que que tudo convergiria para computadores.

Vou forçar um pouco o sentido e propor que a convergência da criação de histórias e universos de histórias deve incluir a audiência que também executará o papel de co-autora de formas que ainda não podemos prever, mas desconfio que será uma evolução das fanfics.

Tweets interessantes:

Vale ver:

  • Twitaround para iPhone – realidade aumentada que mostra onde tweets estão sendo escritos
  • Dr. Horrible: seriado musical produzido por Joss Whedon (de Buffy) em sua casa com amigos durante a greve de roteiristas nos EUA
  • Imagine This TV: Projeto de TV opensource e show de realidade (reality show) cuja missão é trazer benefícios para a comuniade escolhida

Bibliografia

O Poder do Mito de Joseph Campbell

O Poder do Mito de Joseph Campbell

Capa do livro Cultura da Convergência de Henry Jenkins

Cultura da Convergência

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