Gosto de usar como metáfora as escassas fontes de água nas savanas africanas.

Jornais, revistas, TVs… enfim, os grandes grupos de mídia que tem dominado a informação há séculos são como os leões acima. Eles tinham controle dos meios de distribuição de cultura, informação, notícias e entretenimento.

É claro que sempre existiram “animais” menores que criavam suas redes de comunicação boca-a-boca nos bares, cabeleireiros, nos papos com taxistas e até com revistas independentes feitas em mimeógrafos e distribuídas entre os amigos.

Todos conhecem essa história que nos traz para os tempos da Internet onde o boca-a-boca atingiu proporções epidêmicas levando até vários especialistas a dizerem, já na última década do século passado, que o poder agora estava nas mãos dos consumidores.

No entanto não é tão simples assim, não é? Ainda vemos a dificuldade que os “animais” menores tem para lidar com a informação frequentemente sendo ludibriados por mídias falsas ou simplesmente, digamos, imprecisas.

Vou dividir a Internet em duas, ok?

De um lado temos a Internet do boca-a-boca onde pessoas como você e eu se reúnem para amplificar suas vozes. Estamos falando de Twitter, Linkedin, Orkut, Facebook e outras.

Do outro lado temos os braços dos leões se estendendo pelos riachos que saem do lago que eles dominam. São páginas e perfis de empresas, blogs, Instagram e outras redes que são alimentadas com o mesmo material que encontramos na mídia de massa, ou seja, nos grandes lagos da savana da cultura humana.

Nós também ajudamos na tarefa já que, de alguma forma, todos estamos ligados à grande mídia e a replicamos nem que seja pela crítica a ela.

Só que o Facebook vem fazendo um movimento diferente justamente na região do boca-a-boca online: há anos o fluxo de informação que vemos em nossas timelines é manipulado por ele. Isso não é de todo ruim. O buscador do Google faz o mesmo. Sem isso a quantidade de informação que chega a nós seria inadministrável.

No entanto as mudanças recentes do Facebook, ao meu ver, são um pouco diferentes das anteriores. Elas não pretendem mediar a relevância dos nossos amigos e sim transformar nossa timeline em um fluxo de “notícias mais relevantes”.

Talvez as notícias sobre as mudanças no Facebook não estejam corretas, mas ele vem seguindo esse caminho há mais de um ano e creio que podemos considerar que esse é um sinal do que está por vir: Redes sociais (como o FB) que atuavam como agentes da comunicação entre pessoas procurando se tornar grandes empresas de mídia.

A Google já fez isso com o Google Notícias enfrentando grande resistência de jornais e outros veículos (Talvez eles não estivessem tão errados).

Todos querem ser mainstream pois é lá que se encontram os lucros mais altos.

No entanto a essa altura os “animais” mais fracos já saborearam o poder e estão precisando dele há séculos  e não abrirão mão dele.

Já vemos uma certa movimentação de volta para o Twitter ou para outras redes onde o controle da timeline favorece a voz coletiva e não a velha voz dos velhos leões, ou seja: para aparecer na TL do Facebook você tem que pagar, não basta ser relevante, aliás, nem precisa ser relevante.

O jogo por mais controle do fluxo de informações continua e talvez logo apareçam algumas alternativas interessantes. Pessoalmente gostaria de ver o crescimento de algo como o Diáspora, mas ainda deve ser cedo para isso. Por hora aposto mais no Twitter e no G+ (atualizando em 2015: G+ está moribundo).

A visão do Tiago Dória que “linkei” mais abaixo é interessante também: nós já fizemos nosso novo FB misturando várias redes como Twitter, Whatsapp, email, Instagram, Tumblr…

Artigos sobre as mudanças recentes no FB:

O canal de ciência Verisatsium fez dois vídeos bem interessantes sobre o funcionamento das propagandas em Facebook:

The Problem With Facebook:

Facebook Fraud:

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