Normalmente os posts feitos para compartilhar um conteúdo ficam na sessão gotas, que não aparece com destaque na home do site, mas esse assunto é tão importante e a abordagem do Naruhodo! tão precisa que coloquei na sessão meme, dedicada a tudo que trata do funcionamento da mente humana, cultura e comportamento.

Para fazer sentido trazer para essa sessão vou escrever algumas coisas destacando pontos importantes, ordenando de outro jeito e talvez acrescentando alguma reflexão.

Vou começar pelo final pois muita gente não lê os posts inteiros ou ouvem os podcasts até o final:

Existe uma vacina para o comportamento irracional online!

Se não queremos ser peões no tabuleiro dos algoritmos das redes sociais (e eles nem são a origem do problema, mas costumam ser nossa maior preocupação) temos que nos equipar com o método científico que nos permite treinar o pensamento para ajustar e dosar tendências evolutivas que hoje muitas vezes nos atrapalham mais do que ajudam, que nos deixam vulneráveis.

A saber:

  • Teste suas ideias desafiando-as com fatos e observações rejeitando as que falharem
  • Não respeite ideias, respeite evidências;
  • Questione tudo, principalmente o que parece fazer sentido para você.

Essa é uma visão simplificada, mas bem clara do método científico que adaptei da abertura de Cosmos, com Neil deGrasse Tyson (a 1min45s):

Primeiros 2min20seg de Cosmos

Quais são os vírus?

A comparação foi inevitável escrevendo esse post no décimo segundo mês da pandemia de covid-19.

A propósito os vírus em questão são uma combinação de genética e memética.

Grande parte do nosso comportamento é influenciada pelos nossos genes pois precisamos desses comportamentos firmemente gravados em nós para que não nos falhem quanto precisarmos deles nos ambientes em que evoluímos. É o que eles chamam no podcast de caixa de ferramentas e passam a pontuar as que moldam nossa irracionalidade online.

Tudo começa com a caixa de comentários. Quanto mais comentamos em redes sociais como o Facebook, mais tempo passamos atentos às suas telas e expostos às propagandas que as mantém, então os algoritmos são instruídos a nos fazer comentar. Mais ainda do que compartilhar, que também é bom. Talvez por isso o Twitter compartilhe automaticamente com nossos seguidores o que comentamos ou curtimos.

O problema está ferramentas que estão em nossas caixas genéticas cujo objetivo é nos fazer sobreviver em pequenas tribos de coletores caçadores.

São listadas as seguintes:

  • Aversão à perda: temos receio de perder reputação, imagem, status quando somos diminuídos. Precisamos fazer parte do grupo para sobreviver;
  • Backfire effect (perseverança na crença) : quando uma ideia nossa é ameaçada instintivamente a reforçamos porque nossa experiência tem que ser mais importante que uma informação nova, principalmente vinda de alguém que não faz parte da nossa tribo ou mesmo é de uma tribo concorrente que disputa o mesmo espaço de coleta e caça que nós;
  • Nós compartilhamos muito mais a raiva que a felicidade, que é um pouco mais compartilhada que a tristeza (exige empatia que nem sempre se aplica), no entanto a eficiência da raiva como fator de interação e replicação é muito mais alta e os algoritmos acabam percebendo isso.

Nenhum desses fatores é novo, já eram usados na Idade Média e provavelmente em toda a nossa história. A diferença agora é a facilidade de emissão e potencial alcance delas numa sociedade cada vez mais hiperconectada.

Antes da possibilidade de espalharmos nossa voz online era necessária muita energia, mas hoje com um tweet, um comentário em blog que nos custa segundos, podemos provocar horas de desconforto e de trabalho para quem recebe a mensagem e sente que precisa conquistar nosso respeito pelo medo instintivo de ficar fora da tribo.

Desenvolvimento da moral (Lawrence Kohlberg)

Soma-se às ferramentas instintivas a própria natureza do nosso desenvolvimento moral que tem boa parte condicionada ao desenvolvimento do nosso cérebro além de um ambiente que nos ofereça as oportunidades para completar cada etapa do nosso amadurecimento.

Você reconhecerá na lista onde muitos de nós, talvez eu e você, ainda temos que nos desenvolver.

  1. Pré-convencional (desenvolvimento do cérebro)
    1. Reforço e punição. Fase egoísta. Até os 2 anos
    2. Orientação autocentrada. Fase de troca. Até os 5 ou 6 anos
  2. Convencional
    1. Conformidade interpessoal: seguir normas sociais. Até 9 ou 10 anos
    2. Manutenção da ordem social e autoridade
  3. Pós-convencional
    1. Orientação para o contrato social. Pensamento democrático. Entre 14 e 16 anos.
    2. Princípios éticos universais: só com a lógica científica. Estar em paz com a dúvida.

Ouça o podcast para entrar em mais detalhes!

Por que expressamos tanta raiva nas redes sociais? Naruhodo! #140

Campanha de vacinação

A comparação com a pandemia pode continuar: Se não vacinarmos uma grande parte da sociedade, se deixarmos 30% vulneráveis, podemos não conseguir reduzir o ódio e a ignorância e líderes incapazes ou mesmo com intenções destrutivas podem ser eleitos e causar grandes danos.

O governo, sabemos, precisa garantir:

  • Que a população não seja explorada pelo poder econômico;
  • Que a ganância dos controladores do poder econômico não prejudique a distribuição de renda causando crise econômica e social
  • Saúde, ensino, cultura, emprego
  • Etecétera

É bom termos em mente contra que perigos devemos nos vacinar antes de partir para a questão: como vacinar a população, principalmente sabendo que o governo atual tenta impedir. Vamos a isso.

Como vacinar contra o ódio e a ignorância

  • O anticorpo para a ignorância é o conhecimento
  • O transportador do conhecimento é a tranquilidade de não estar com medo, ansiedade, desesperança
  • A vacina são memes visuais e com mensagens claras e um QR Code que leve a canais do YouTube, Podcasts, sites ou diretamente a artigos que permitam o aprofundamento no conhecimento, sempre de fontes bem identificadas como jornais, Wikipedia e pessoas conhecidas como produtoras de conteúdo com responsabilidade
  • Os vírus não podem ser atacados diretamente. Não podemos, por exemplo, dizer que a Terra não é plana (efeito backfire, lembra?), podemos

Photo by Nsey Benajah on Unsplash (detalhe)

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