Duas das observações mais frequentes sobre as “redes sociais” (dito como se fossem outra categoria totalmente diferente de relacionamento humado em comparação às redes sociais offline) são sobre “ficar o tempo todo nelas”  e “super-exposição”.

Há um certo senso comum de que está ruim, que é algum tipo de “sinal dos tempos” (no sentido de sinal do fim dos tempos).

Toda semana vemos em nossas timelines no Facebook e no Twitter (e outros ambientes sociais) fotos de pessoas alheias umas às outras olhado para seus dispositivos de conexão.

Do ponto de vista memético tudo sugere que resistir é inútil (insira aqui a voz de Patrick Stuart em sua atuação como Locutus dos Borgs) e que, nossos impulsos instintivos para absorver cultura, expor a nossa própria interpretação da cultura e obter vantagens competitivas através da reputação (sugiro ler sobre psicologia evolutiva) nos transformará em módulos autônomos meméticos que filmam, fotografam, comentam e interpretam (sim, pode parecer que citar “eu quero tchu” não é uma interpretação, mas é) a cultura ao redor.

No entanto é claro que:

  1. Tudo que é novo estimula os excessos (vide a libertinagem na Alemanha entre guerras… Ok, havia outras coisas além da liberdade que vinha sendo conquistada no início do século XX)
  2. Grupos ditos “early adopters” exageram em tudo e, no período de novidade, chamam mais atenção

Visto de baixo, sem comparar com o passado o negócio fica ainda mais assustador, mas antes de falar nisso vou responder…

No futuro seremos todos hiperconectados?

Sim seremos.

Essa resposta não basta? 😉

Há 30 anos a gente fazia o dever de casa vendo TV, ouvindo rádio ou tocando um vinil na vitrola (algumas vezes os quatro ao mesmo tempo). Nossos pais viam o Jornal Nacional, liam pelo menos dois grandes jornais de papel (vou colocar uma imagem deles aqui para quem tem menos de 20 anos e talvez nunca tenha visto um) e passavam horas em bares jogando papo fora com os amigos, falando bobagem.

Comparados às pessoas 30 anos antes eles eram hiperconectados.

Então seremos sim hiperconectados. Muito mais do que a média das pessoas hoje, mas bem menos que os early adopters.

Mas isso é uma previsão. Veremos em 15 anos se ela se concretizará.

Só para ela ficar bem clara:

Nas próximas duas décadas passaremos a usar dispositivos que cumprirão, praticamente sem notarmos, uma parte substancial das atividades que fazemos hoje online (como dar checkin num lugar ou publicar uma foto de um momento especial). A maioria das pessoas será hiperconectada, mas não perceberá isso.

E o que faço agora?

Ontem mesmo conversei com a Valéria, amiga da Patrícia. Ela, a Valéria, até tem Facebook, mas nem colocou a própria foto no avatar me dando a impressão que ela tem algo a esconder. Não… Ela não estava usando uma burca.

A sugestão que tenho para dar é certamente algo entre o cuidado excessivo da Valéria (gente, até mendigo tem perfil no Facebook, porque deveríamos ensconder nossa cara? É literalmente como andar de véu na rua) e os exageros dos que mostram suas piores facetas ao se expressar online antes dos preciosos 90 segundos.

Tudo vai depender do que você quer…

Imagine uma boate… Se você vai lá para se divertir com amigos é uma coisa, se vai para arranjar uma aventura pueril é outra, se está em busca do homem ou mulher da sua vida… Francamente, o que você está fazendo em uma boate? 😉

Em geral o que nós queremos online é a mesma coisa que queremos offline: andar pela rua nos sentindo parte das pessoas à volta (estou omitindo as tribos como a minha que fazem questão de serem diferentes como góticos, nerds, crentes pois essas são minorias), mas ligeiramente mais simpáticas ou “inn”.

A Bia Quadros citou algumas dicas hoje, mas destaco a que acho mais importante:

Seja você mesmo (ou mesma). Não use máscaras.

Preste atenção que isso não quer dizer “exponha tudo que você é”. Não faça isso nem online, nem offline.

Nós aprendemos offline a guardar algumas opiniões, alguns defeitos, mas quanto mais verdadeiro é o que mostramos mais fácil é nossa vida, mais portas são abertas.

Como esse post virou um texto de auto-ajuda?

Blog é uma porcaria, mesmo, né? Um mar da amadorismos 😉

Vamos tentar recolocar a sugestão de uma forma mais séria:

A exposição online é inevitável, o fluxo de informação extra que devemos filtrar crescerá de qualquer forma. O mais prudente é aprendermos no nosso ritmo a lidar com esse novo point, como chegar em uma boate timidamente e ir observando a dinâmica do lugar. Para quem nunca esteve em nenhuma boate antes pode ser bem assustador…

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