Imagem: Petar Petkovski

Em 2005 Barry Schwartz falou no TED sobre o paradoxo da escolha (ele escreveu um livro sobre isso).

Você pode ver o vídeo no fim do post, mas vou poupar seu tempo destacando os pontos principais.

  • Em busca de liberdade fomos criando cada vez mais opções para absolutamente tudo, da calça jeans até o modelo de família passando pelas variações de gênero, comidas e alternativas de trabalho;
  • Depois de um ponto, que já superamos há muito tempo, as opções se transformam em frustração;
  • Quando buscamos uma pessoa para culpar por nossas escolhas ruins não responsabilizamos a impossibilidade de avaliar todas as opções e acabamos culpando a nós mesmos gerando ansiedade.

Nos últimos 11 anos vimos o florescimento dos smartphones, Netflix, Facebook e uma infinidade de multiplicadores de opções de conteúdo que fazem os 200 tipos de cereais matutinos à venda na esquina da casa de uma amiga parecer pouco.

Primeiramente me parece que Barry se enganou a respeito do que produz o crescimento exponencial de opções e tem tudo a ver com o tema desse blog.

Cultura e organismos vivos são regidos pelos princípios da teoria da evolução e o resultado é a diversidade exuberante que vemos no mundo selvagem e agora testemunhamos também no mundo informacional.

Assim como somos máquinas genéticas que produzem diversidade involuntariamente, também somos máquinas meméticas que replicam, produzem e modificam memes (que são todo tipo de cultura ou informação).

Isso quer dizer que dificilmente seremos capazes de conter o aumento das nossas opções, pelo contrário!

Um dos melhores exemplos do congelamento intelectual e cognitivo que uma pessoa pode sofrer hoje está no conhecimento médico.

Pegue praticamente qualquer área da medicina e procure descobrir quantas pesquisas são publicadas por dia e, na maioria delas, você encontrará mais papers produzidos em um dia do que podemos ler em um mês.

É aí que entram os robôs lá do titulo. Como o Watson, que “lê” tudo que é publicado, faz uma análise cognitiva (é mais do que a simples inteligência artificial) para apresentar um diagnóstico ajudando o médico a encontrar as pesquisas mais relevantes para o caso do seu paciente. Pesquise por “watson cancer” por exemplo.

O Watson também trabalha analisando a diversidade em muitas outras áreas, como acontece com o aplicativo Nutrino que nos ajuda a construir cardápios que se ajustem aos nossos gostos, desgostos, necessidades e objetivos de saúde.

O que podemos fazer diante do inexorável aumento das nossas opções e liberdade?

Uma alternativa é a simplicidade voluntária, mas ela se mostrará inviável para muita gente visto que nossa cultura nos impulsiona (provavelmente nos últimos 70 mil anos) para produzir cada vez mais diversidade cultural.

A outra grande alternativa é abdicarmos do controle absoluto das nossas escolhas e dividí-lo com sistemas cognitivos.

Entregar uma parte das nossas decisões a uma inteligência externa a nós pode lhe parecer absurdo, mas já fazemos isso há… Bem, fazemos isso há milhares de anos, afinal grande parte das nossas escolhas já eram feitas em função dos estereótipos da nossa cultura, depois deixamos que editoras de livros e distribuidoras de filmes e músicas filtrassem o que leríamos, escutaríamos ou assistiríamos.

As buscas que fazemos no Google, nossas timelines no FB e menu do Netflix já são construídos por sistemas cognitivos programados para nos prender lá dentro (e sim, temos que lidar com o problema deles não estarem programados para nos dar o que nos faça bem e sim o que prenda nossa atenção).

Esse ano devemos ver a proliferação do robôs que nos ajudam a reduzir a complexidade do mundo e nos auxiliar a fazer escolhas e nosso critério de escolha deve ser justamente a favor dos que não são feitos para nos absorver para uma coletividade Borg (referência nerd, busque no Google). Melhor ainda, se você desenvolve software pense seriamente nas características de inteligência do seu sistema.

Fique com a fala do Barry Schwartz em 2005. Tem várias idiossincrasias que chamarão sua atenção. O mundo mudou um bocado em uma década…

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