Em 1940 Charles Chaplin[bb] nos entregou um dos mais belos discursos da história do cinema no filme O Grande Ditador.

Sessenta e nove anos se passaram e ainda vemos discursos inflamados negando o tratamento humanista a criminosos, homossexuais, seguidores dessa ou daquela religião.

Para muitos ainda há pessoas que não são humanas… O fascismo de Hitler é um espectro que nos acompanhará por muito tempo ainda.

“A voz do povo é a voz de Deus”

Não sei muito sobre Deus, mas creio que nossa voz coletiva é a voz da razão, é a voz da compaixão e do amor.

O problema é que essa voz não vinha sendo ouvida.

A voz de Chaplin não é a voz do povo, era a voz de um homem que conquistou o povo com sua arte. A voz de Hitler não era a voz do povo, era a voz de um grupo que conquistou a opinião pública pela força de uma mídia subjugada e pela promessa do fim do medo.

Uma civilização com medo é uma civilização facilmente controlada exatamente como nos alertou Michael Ende em História Sem Fim.

Olhar de frente e sem se entregar ao medo para os obstáculos que nossa espécie precisa superar não é nada fácil e além disso estamos acostumados a ser espectadores da nossa própria história e a acreditar que os governos, a mídia e as corporações cuidarão de tudo enquanto nos ocupamos em seguir ordens, formar famílias e nos divertimos com os amigos, afinal o que uma pessoa sozinha pode fazer?

Bem, nenhum desses três pode fazer muita coisa por nós.

As corporações são míopes precisam manter muita atenção no aumento da produção e do consumo para se preocupar com direitos humanos ou mudanças climáticas.

Os governos e a mídia se tornaram muito dependentes dos recursos das poderosas corporações e servem antes às necessidades delas do que as nossas.

Sim… é verdade que sem humanos as corporações não podem produzir e não terão consumidores, mas reflita um pouco, você acha que elas se comportam como se tivessem essa consciência? Mesmo sendo administradas por humanos nós mesmos podemos facilmente ficar míopes no esforço de atender as necessidades imediatas da empresa onde trabalhamos.

“As human beings, we are endowed with freedom of choice, and we cannot shuffle off our responsibility upon the shoulders of God or nature. We must shoulder it ourselves. It is our responsibility.” Toynbee

Hoje estamos deslumbrados com a tecnologia que criamos, principalmente a Internet (muito embora pessoalmente eu me anime mais com os estudos do Cern e a psicologia evolutiva) e achamos que ela será a solução para o empasse desse milênio: as pequenas vozes individuais esmagadas pelos megafones da indústria do espetáculo preconizada por Guy Debord.

Não irá.

Também não podemos colocar nos ombros da tecnologia o peso da nossa responsabilidade.

O fato das últimas tecnologias de comunicação permitirem que cada ser humano venha a ter sua voz ouvida (e ainda falta muito para isso em um planeta onde cerca de 20% sequer tem luz)  não mudará nada.

O que está mudando nossa sociedade e é hasteado na maioria das bandeiras da cibercultura não tem absolutamente nada a ver com tecnologia embora talvez seja mais visível para quem está mais mergulhado nas redes sociais online e outros ambientes similares.

Nós queremos compartilhar cultura, arte, lazer, sonhos, literatura, conhecimento…

O crescimento vertiginoso do twitter onde são compartilhadas as pequenas coisas do dia-a-dia como a alegria de ver uma bela lua cheia ou passar algumas horas com amigos queridos é somente a prova mais recente do que já temos visto nos blogs, fotologs e youtubes da vida.

No entanto não basta compartilhar isoladamente, não basta ter um blog jogado em algum lugar onde meia dúzia de amigos alimenta nosso ego ao nos deixar alguns comentários.

O que nós queremos é nos misturar na multidão de terráqueos, queremos ser mais um em um flashmob com milhares de pessoas.

A primeira grande mudança que estamos observando conforme a sociedade industrial do espetáculo cede espaço para a sociedade do conhecimento (provavelmente centrada em serviços) é que negros, brancos, vermelhos, amarelos, azuis, mulçumanos, cristãos, ateus, moradores de rua, crianças, idosos, afinados ou desafinados podemos cantar juntos a mesma música e criar um mundo de igualdade e não mais um onde estamos presos a castas.

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