Começo a escrever esse post no mercado, em um pequeno moleskine que carrego no bolso e com uma caneta que peguei emprestada com a moça no caixa.

Faz dias que venho pensando em como responder o Nepomuceno: E se estiver tudo errado? Se nós somos a sociedade da arrogância?

As promessas da cibercultura talvez sejam apenas utopias, aliás elas provavelmente são muito mais utopias que jamais veremos realizadas do que o prenúncio real de uma nova humanidade.

A hiperdemocracia, a sociedade do conhecimento e a busca da sabedoria com que sonhamos não chegam a ser uma unanimidade nem entre nós.

A propósito, quem somos nós que gostamos de nos considerar os pioneiros da cibercultura? 10%, 2% dos internautas? Eu apostaria mais em 0,5% (blogueiros/30 milhões de internautas)

Um meme precisa se tornar viral, ou pelo menos sobreviver para se propagar por todos os extratos sociais. Além disso precisa romper rígidas barreiras culturais para alcançar a humanidade como um todo (não há era do conhecimento se ela não se estende a todos os humanos) e estabelecer um novo paradigma.

Não podemos esquecer que evolução não se dá no sentido de se tornar mais bonzinho e sim mais apto a garantir a permanência dos genes e recentemente (nos últimos 10 mil anos) dos memes. Em outras palvras mais violento, individualista e selvagem pode facilmente ser mais evoluído. A única coisa certa até onde sabemos sobre evolução é que os organismos (genes) e informaões (memes) se tornam cada vez mais complexos.

Que memes tem se propagado e sobrevivido mais? Os que clamam por uma sociedade mais justa, igualitária, humana e civilizada? Os que nos inspiram compaixão? Os que alimentam nossa esperança? Ou os que alimentam o ódio e a desesperança? O que você recebe e repassa em seu email? Vá pensando nisso…

Meio por cento de internautas produzindo ideias. Que influência essas cinco pessoas a cada mil pode exercer em todos os outros internautas? Até onde o que acontece nos nichos da cibercultura chega às pessoas offline?

O sujeito grosseiro que assedia as mulheres que passam nas ruas e as mulheres que condenam com o rótulo da superficialidade outras muheres que alugam sua beleza serão alcançados pelo caso da moça que foi desrespeitada em uma Campus Party porque estava vestida de coelhinha?

É essencial lembrar que há uma grande mudança permitida pela tecnologia da informação e pela ciberculturra: quem deseja falar (em países democráticos) PODE. Praticamente sem custo e sem qualquer censura prévia.

Portanto, ainda que sejam poucos os que produzem dados, informações e conhecimento é um número absurdamente maior do que em qualquer outro período da humanidade.

Além de mais numerosos há grandes interseções com a velha e grande mídia com seu poder de massificação.

Resta agora voltar à questão que deixamos lá para trás.

Quais são os memes que estamos produzindo e reproduzindo?

Abro o email e vejo mensagens de ódio conra os criminosos desejando o tratamento mais desumano para eles; vejo pedidos de compaixão que nos mergulham em um mundo sem esperanças cheio de gente que sofre e poucas esperanças de ajuda oficial a ponto de precisar da caridade alheia.

Os memes que apelam para nossa dor e nosso medo são mais fortes até por conta dos nossos instintos.

É possível mudar esse impulso evolutivo? A transição da evolução pela seleção natural de genes para a evolução pela seleção natural dos memes pode nos colocar em um curso mais humano ou as ferramentas de comunicação sem limites da cibercultura nos atirarão em uma era de bolhas de celebridades, vaidades, individualismo e medo sem precedentes?

Assim como os genes os memes querem se perpetuar e por hora não lhes interessa que as unidades de carbono entrem em extinção, mas e a visão futurista de V’Ger? Um mundo onde máquinas produzem e reproduzem informações sem depender de humanos? Susan Blackmore recentemente encerrou sua fala no TED com essa pergunta.

Esse post é uma tentativa de resposta, mas não creio que haja resposta para essa pergunta. O que há é a opção entre dois caminhos.

Hoje vivemos exatamente como animais. Somos conduzidos pela voz dos nossos genes e dos nossos memes. Não projetamos nossa cultura, nossa economia, nossas línguas, enfim, não assumimos uma postura consciente diante da nossa evolução. Somos apenas levados pelos ventos.

A alternativa é a sabedoria invocada pelo Nepomuceno em uma breve fala no Gengibre.

A cibercultura é a cultura da propagação de memes, onde esses memes nos levarão depende de decidirmos coletivamente nos tornarmos conscientes de uma forma que ainda não somos (eu incluído).

Quem fará essa mudança não serei eu ou você. Somos vozes perdidas na coletividade humana. O que fará a mudança é o gradativo consenso em torno dessa busca pela consciência.

Gostaria de terminar com a resposta, mas sou obrigado a terminar com outras perguntas: que mundo você quer ajudar a construir? Que mundo você está ajudando a construir? Que esforço você está pronto ou pronta a fazer para colaborar? Escreveria um post por semana sobre as coisas em que acredita?

O que você etá pensando?

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