Com um pouco de atraso resolvi comentar o artigo do Nicholas Car: Who killed the blogosphere?

O que ele aponta no artigo na verdade é a transformação da blogosfera em uma nova mídia formal, com a mesma estrutura, compromisso com os anunciantes etc.

Mesmo no Brasil isso já está acontecendo, mas vejo como parte do processo e como um evento extremamente benigno já que muitos desses blogs são mantidos por indivíduos ou pequenos grupos que não fazem parte da grande mídia e pressionam as mudanças delas.

Além do mais, quando se tornam imprensa marrom seus compromissos são com outros poderes e muitos fatos que a grande mídia não cobre acabam sendo cobertos por esses blogs.

Outro ponto de destaque no artigo é a pequena quantidade de blogs ativos: apenas 1,7 milhões de blogs do Technorati são atualizados semanalmente.

É claro que o Technorati não tem todos os blogs do planeta cadastrados (ele a propósito se recusa a aceitar este blog), mas é uma boa amostra e creio que podemos supor que o número de blogs ativos não passa dos 7 milhões.

Isso não quer dizer que a blogosfera está diminuindo, pode ser apenas o reflexo da sua expansão para outros meios, afinal o mesmo exercício de livre expressão que praticávamos apenas em blogs agora pode ser feito em microblogs como o Twitter, comunidades e fórums online apenas para citar alguns.

Lugares como sites de compartilhamento de vídeo, de fotos e de apresentações também são espaços de manifestação pessoal e não são blogs.

Afinal de contas porque a blogosfera é algo importante? Nunca foi! O que é importante é a possibilidade de uma pessoa comum se fazer ouvir globalmente impulsionando um tipo de hiperdemocracia onde todos tem voz!

Por um tempo o blog foi a única forma de fazer isso. Não é mais.

A blogosfera termina? Duvido, acho mais provável que ela se divida em dois grupos diferentes (e minoritários em relação à algaravia de vozes espalhadas pela Rede): corporativos e pessoais.

Os blogueiros corporativos são os que Nicholas comentou, os que se profissionalizaram tanto que já não diferem muito do blog de um grande jornal. Os pessoais são os que mantém a… bem, a pessoalidade em seus textos 😉

No final das contas o que estamos vendo não é o fim da blogosfera, mas a expansão das formas como nós, pessoas comuns, podemos exercer nosso direito à livre expressão na Rede. A evasão de pessoas da blogosfera para outras esferas é natural, mas o fenômeno da hiperdemocracia permanece.

Pin It on Pinterest

Share This

Compartilhe!

Mande para suas redes sociais