Com algum atraso e animado pelo post da Patrícia Haddad cá estou para falar do #sou+web do último dia 13.

Os três palestrantes foram excelentes, mas por falha da platéia deixamos alguns pontos interessantes de fora.

  • Um site ou blog que se capitaliza com parceiros e ad-sense e atrai visitas dom seu conteúdo pode publicar conteúdo de terceiros licenciados pelo Creative Commons com proibição para uso comercial? Creio que não, mas é algo a discutir.
  • Crowdsource: como ficam os direitos autorais quando é criado um trabalho comercial com conteúdo gerado por uma multidão de voluntários como no caso deo DVD do show de uma banda que usou imagens de 50 câmeras distribuídas entre o público?

Bem, para ser sincero fiquei só com essas duas dúvidas o que mostra como o evento foi extremamente informativo (como de costume) e vamos ao que aprendi.

O primeiro a falar foi o Antônio Cabral, advogado do escritório do Creative Commons no Brasil.

Com um estilo bem dinâmico ficamos sabendo como o CC (Creative Commons) é um trabalho sério e juridicamente válido, por exemplo, ele não foi simplesmente traduzido para nossa língua, mas também ajustado às nossas leis. Tinha a impressão de que era algo mais informal.

Ele alertou para a tendência da indústria de entretenimento investir em velhos sucessos ou em blockbusters para tentar obter lucro enquanto igonora a vasta oferta de produções independentes. Eu diria que sociedade do conhecimento é isso mesmo: a produção dos pequenos, distribuída de formas alternativas, acaba pressionando os lucros de empresas que não se modernizam e insistem em “vender cd” em vez de vender música ou filmes.

Daí ele partiu para exemplos de formas como essa vasta produção pode ser organizada e transformada em produto. Citou dois sites, o Jamendo onde você baixa a música e decide quanto quer pagar e o ohmynews que é um jornal Coreano administrado por jornalistas, mas cujo conteúdo é todo feito com o material enviado por colaboradores.

Vale a pena lembrar que a iniciativa similar do jornal O Globo tem suas entrelinhas ao receber material sem direitos autorias mas tomar para ela esses direitos impedindo quem produz o conteúdo até de usá-lo em seu próprio blog.

Depois dele veio Oona Castro do Overmundo com um estilo bem mais cuidadoso que a princípio me deu a impressão de insegurança, não era… A guria manda muito! Ela estava apenas dedilhando cuidadosamente o mar de idéias e informações que carregava na cabeça.

O Overmundo é um portal de cultura para aquelas produções que não são agraciadas pelos grandes grupos de mídia. Em geral a melhor cultura é justamente essa que não cai nas graças de quem vende propaganda e não notícia.

Oona tinha muito a falar sobre a cauda longa e surpreendeu a todos com o caso do tecno-brega e os milhões de reais movidos ao redor dessa indústria cujos canais de divulgação são enormes festas e camelôs que distribuem cds que seriam considerados piratas pelo ECAD, mas são oferecidos espontaneamente pelos artistas que ganham mídia gratuita.

Uma das coisas que anotei (no EEE que sequestrei da @claudiaruiva) enquanto ela falava foi que “se não dá para vender conteúdo vende-se serviços”! Foi ótimo ouvir isso depois de defender por uns 10 anos que a economia da sociedade do conhecimento é uma economia de serviços.

Assim como o Antônio Cabral ela citou vários exemplos reais que demonstram o avanço das mudanças:

  • O morador de rua Tião Nicomedes que criou um blog e graças a isso acabou descoberto e hoje escreve roteiros para peças
  • Cubocard, uma moeda paralela ao Real para facilitar a troca de um tipo de capital cultural e que já vem sendo usado até pela prefeitura da cidade.
  • O caso da Nollywood, indústria cinematográfica nigeriana que produz 1.200 filmes por ano contra 934 da Índia e 611 de Hollywood produzindo tantos postos de trabalho que só é superada pela agricultura.

A título de exemplo da inviabilidade dos atuais modelos de direitos autorais ela ainda citou o caso de Johannes Kreidler que sampleou 70.200 músicas em uma obra de 33 segundos e teria que preencher e assinar mais de 140 mil documentos (lembre-se que não são em uma única via).

O último a falar foi o Gilberto Almeida que a propósito participou da elaboração da primeira versão do projeto de lei contra cibercrimes hoje apresentado por Azeredo.

Achei interessante ele ter observado que acredita que haverá bom senso na aplicação da lei caso ela seja aprovada apesar de ter sido voto vencido quando se colocou contra a criação de uma lei criminal antes das leis cíveis como foi observado também pela Oona.

Bem, ele tem um jeito estremamente tranquilo de falar o que foi bom para nos colocar em uma sintonia mais meditativa.

Ele também falou sobre a economia de serviços ao revelar que a Nokia (que começou no estrativismoo vegetal e tem enorme capacidade de transformação) já estuda se mover do mercado de celulares para a venda de serviços online.

Ele tinha muito a falar, mas talvez seu alerta mais importante seja sobre o uso das ISOs para inserir normas com peso de lei criando um atalho ao redor dos projetos de lei que demoram mais de 10 anos para serem aprovados enquanto as ISOs normalmente se converem em verdadeiras leis globais apenas cinco anos após serem criadas.

Decidi nem citar as outras coisas que ele disse para deixar você com esse último parágrafo para refletir.

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