Esse é um post em desenvolvimento constante onde concentrarei a busca por um método de gerenciamento do conhecimento pessoal.

Até hoje não tinha organizado conhecimento formalmente. Tenho coisas espalhadas em blogs, armazenamentos na nuvem, planilhas etc. Estou justamente no início do processo de organizar tudo e compartilhar nesse post. Por isso é um post em desenvolvimento.

Por que gerenciar o conhecimento pessoal?

O conceito de gerenciamento do conhecimento está mais associado a corporações que precisam registrar, acessar e desenvolver todo o conhecimento necessário para sua operação e se manter capaz de se adaptar a mudanças mesmo diante da necessidade de trocar constantemente de funcionários.

O gerenciamento do conhecimento se faz necessário, no entanto, tão logo ele se torne diversificado demais, com ramificações demais para ser gerenciado apenas pela memória humana ou anotações desestruturadas.

Hoje somos impelidos a ter algum conhecimento e a exercer influência sobre as decisões coletivas na gestão pública, sistemas de educação, estabilização do meio ambiente, na estrutura social, ética, moral e manifestações culturais da nossa sociedade e civilização.

O que é desenvolvimento humano? O que é liberalismo? Qual foi a cor de tinta que ficou ótima na parede da sala? Qual foi mesmo o resultado dos meus últimos exames de sangue? Como era mesmo aquela ideia de empreendimento que tive em caso de perder o emprego atual?

Pode parecer que anotar coisas é um trabalho estressante, mas feito com naturalidade é o contrário, saber que as coisas podem ser acessadas alivia o estresse de não saber se vai se lembrar de alguma informação importante.

Onde registrar nosso conhecimento?

Onde você achar mais confortável. Existe uma infinidade de ferramentas gratuitas para organizar ideias que servem para organizar conhecimento.

Estou estruturando a minha gestão de conhecimento pessoal no Evernote pelo simples motivo de já vir usando-o para registrar coisas desde 2012. São mais de 4 mil notas.

Existem diversas ferramentas que provavelmente são mais poderosas, como o Notion e o Zettler, mas terá uma sessão apenas para ferramentas mais para baixo no post.

O essencial é não cair na armadilha de buscar a ferramenta perfeita e acabar adiando o registro do conhecimento.

O que precisamos é de algum aplicativo que nos permita guardar textos, imagens, áudio e arquivos e fazer algum tipo de fichamento com palavras chave e/ou hierarquia de cadernos.

Por que taxonomia e ontologia?

Minha formação em gestão do conhecimento me aproxima desses conceitos no sentido:

“As taxonomias trabalham no sentido de organizar a informação e/ou conhecimento, em relações hierárquicas entre os termos. Já as ontologias, buscam estabelecer relações semânticas entre conceitos, em forma de redes conceituais, próximas da estrutura que trabalha a mente humana” – Ontologias e taxonomias: diferenças – Luciane Paula VitalI; Ligia Maria Arruda CaféII

E me parecem ferramentas adequadas para começar a pensar em estruturas para organizar o conhecimento.

Então: Um método

Essa sessão vai mudar conforme for adaptando meu método, que está nascendo formalmente junto com esse post.

Há duas décadas venho organizando o que leio e o que penso online, mas falta um catálogo centralizador para os dois blogs, redes sociais, histórico de leituras offline, histórico de leituras online e colaborações para outros sites e mídias.

Desde 2012 uso intensamente o Evernote (embora só mês passado tenha decidido passar a pagar por ele). É onde tenho a maior diversidade de conteúdo. São mais de 4 mil notas. Decidi que ele será a árvore taxonômica e ontológica do que absorvo e do que produzo.

Por que o Evernote e não o o Dropbox paper ou o Gsuite onde tenho muita coisa guardada também? Basicamente pela possibilidade de etiquetar com palavras chave além de organizar em cadernos. Um outro ponto importante é que o Evernote permite tornar qualquer caderno público (uso para fazer meu clipping) ou compartilhável com um grupo restrito de pessoas (bom para projetos com colaboradores).

Mantenho cadernos como:

  • Casa: planta do apartamento, notas sobre reforma elétrica ou hidráulica etc.
  • Documentos: notas para cada documento, certificado de cursos, históricos escolares etc.
  • Notas Fiscais: Uma nota para cada produto importante, meio óbvio.
  • Prestadoras: Uma nota para cada prestadora de serviços como gás, Internet, Luz, streaming com registro de problemas e atendimentos

Esses cadernos obviamente são privados e não precisam tanto de fichamento pois sabe-se intuitivamente em que caderno buscar, além disso sistema usado deve ser capaz de fazer busca por texto em imagem facilitando localizar, por exemplo, CPF.

Como usava o Evernote principalmente para manter o clipping tenho um caderno com mais de 2500 notas de diversas áreas misturadas indo de adestramento de cachorro e astrofísica a registros de momentos históricos, literatura e marketing.

Considero inevitável ter esse tipo de caderno a menos que não você tenha a intenção expressa de não compartilhar o seu conhecimento externamente, nesse caso você pode organizar suas notas em cadernos criados de acordo com uma ontologia ou taxonomia do conhecimento adequada a você.

Eu sugeriria (é que o que estou fazendo) usar um sistema já existente como do CNPq:

  1. Ciências Exatas e da Terra
  2. Ciências Biológicas
  3. Engenharia / Tecnologia,
  4. Ciências da Saúde
  5. Ciências Agrárias
  6. Ciências Sociais
  7. Ciências Humanas
  8. Linguística
  9. Letras
  10. Artes

Na Galeria de Espelhos, meu blog pessoal (mais focado em cultura, arte, literatura) uso uma estrutura muito mais simplista e simbólica, que desconfio não ter sido uma ótima ideia:

  • Terra: meio ambiente, sustentabilidade, mudança climática etc
  • Fogo: o que alimenta ou trata da nossa consciência ou espírito como artes, religião, crenças, psicologia;
  • Água: tudo que envolve o corpo como alimentação e exercícios, mas também reflexões sobre o conjunto dos corpos, ou seja, a sociedade.
  • Ar: Os domínios da razão como ciência, filosofia e sistema de ensino

Como quer que você organize seus cadernos, e note que eles devem seguir mais a sua visão de mundo do que sistemas acadêmicos para que você saiba onde buscar pelo que está precisando, será essencial manter um fichamento para dar conta da interdisciplinaridade do conhecimento como quando um artigo sobre alimentação também trata dos jogos políticos para impor uma dieta imposta pelos interesses de uma indústria de comida que pouco tem a ver com alimentação ou quando um artigo de psicologia também é útil para entender o comportamento distópico de um presidente (aliás, de alguma forma tudo está ligado a política).

A estratégia que usei para criar os meus blocos de notas foi a seguinte:

  • Listei temas e assuntos que leio, abordo ou compartilho;
  • Verifiquei como agrupar esses temas de forma intuitiva entre blocos e acordo com a área;
  • Que anotações quero deixar públicas? Será necessário deixar mais de um caderno público?
  • As palavras chave muitas vezes são criadas no momento de escrever ou guardar o conteúdo, mas temos que ter um conjunto de chaves para fazer as conexões em rede como: ciência, saúde, psicologia, jogos, exercícios, viagem, nomadismo digital. Fiz uma lista de todas elas e estou pensando numa forma de lembrar delas sempre que guardar um conteúdo.

Hierarquias VS Redes

No método acima, como estou limitado ao Evernote nesse momento, você só encontra de fato uma estrutura hierárquica e crio uma sombra de estrutura rede através do fichamento com palavras chave, no entanto uma estrutura em rede de fato pode ser mais do que útil pode ser essencial dependendo do tipo de conhecimento que você está gerenciando e com que finalidade.

Para isso são necessárias outras ferramentas, como o Notion que pode ser bem adequado para construir ambas as estruturas, hierárquica e em rede para o mesmo conteúdo.

Um bom exemplo é o registro de filmes e livros.

Filmes participam de várias estrutura hierárquica de acordo com gênero e subgênero (humor, terror), tema e subtema (ficção, steampunk) e também se conectam por uma estrutura em rede de acordo com direção, roteirista, contexto histórico retratado etc. O mesmo vale para livros, mas temos ainda a conexão entre eles e os filmes a que deram origem por adaptação, inspiração, referência ou expansão de universo.

A curva de aprendizado e o esforço inicial de registro do conhecimento pela combinação desses sistemas certamente é muito mais demorada e difícil do que uma hierarquia simples com fichamento como fiz no começo dos meus esforços, mas as vantagens são claras e muitas vezes pode ser essencial.

Seria excelente se aprendêssemos formas de organizar nosso conhecimento já no ensino médio e pudéssemos começar na adolescência a organizá-lo.

Fontes

  • Ontologia
  • Taxonomia

City-Library Of Stuttgart. Photo by Kuma Kum on Unsplash

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