Aqui falo em memesfera no sentido de mídias ou ambientes onde os memes proliferam e por memes me refiro ao conceito acadêmico e não ao tipo específico chamado de viral ou das charges do 9Gag.

Nos últimos 10 anos praticamente toda atenção midiática e pública parece estar concentrada nas porções sociais da memesfera: blogs, redes sociais online, sites das mídias (formal, informal, tradicional etc).

Se queremos entender como a memética se alia à genética para nos moldar coletiva e individualmente devemos tentar imaginar um tipo de mapa da memesfera.

Essa não precisa ser nossa primeira providência, mas certamente é uma das mais importantes.

Nesse momento não tentarei julgar que “territórios” meméticos tem mais influência, procurarei apenas listá-los e provavelmente terminarei com uma lista incompleta.

Temos territórios meméticos offline:

  • O “telefone sem fio” das conversas entre amigos, colegas e familiares. Esse talvez seja o território mais antigo concorrendo com a representação gráfica (como pinturas em cavernas).
  • Códigos culturais que produzem “tribos” com suas roupas, hábitos, dialetos e adornos específicos. Este é um território distinto do anterior pois mesmo quem não tem interação direta com essas tribos entra em contato com elas em lugares públicos absorvendo seus memes, interpretando-os e repassando.
  • Códigos gráficos urbanos como grafites, pixações e cartazes fixados por sub-grupos da sociedade como, por exemplo, anúncios de “pais de santos”

Territórios meméticos de massa

  • Televisão
  • Rádio
  • Cinema
  • Indústria musical
  • Mercado editorial
  • Nova mídia: iniciativas que começaram como projetos praticamente pessoais, mas se tornaram similares à mídia “mainstream” em seu alcance e comunicação praticamente unilateral. Diferenciam-se das outras pela forma de produção de conteúdo, por exemplo. Podem produzir conteúdo nos formatos acima: cinema, literatura, TV etc.

Territórios meméticos online

São fortemente marcados pela comunicação bilateral por mais que um blogueiro, por exemplo, muitas vezes não se entregue à intereção com seus leitores, mas há sempre a suposição de diálogo e princípios morais inerentes ao meio como liberdade de informação, novas formas de ver os crimes contra a honra e direito ao anonimato.

  • Fluxos públicos: timelines, Twitter, canais de vídeo
  • Fluxos privados: email, mensagens restritas a grupos de contatos limitados (possíveis no Facebook, G+ e outros)
  • Fluxos sutis: Há de se considerar o potencial memético dos comentários deixados em vídeos, artigos de blogs, jornais e outros. Nesses territórios chega a se estabelecer diálogos e até formam-se grupos de pessoas afins que, posteriormente, ocupam também um fluxo privado ou público.
  • Blogosfera: há vários perfis de blogueiros indo do que visa estabelecer relacionamento com a mídia de massa até o que pretende sedimentar (ou construir) sua reputação.
  • Internet profunda: há duas interpretações para essa expressão, aqui é usada no sentido de redes paralelas construídas fora dos sites oficiais usando DNS “pirata”. É uma rede praticamente desconhecida, mas que tem um papel notável na memesfera. Um exemplo público e visível do caráter dessa rede é o 4Chan (não querendo dizer que o site tem alguma relação com a Internet profunda, aqui nos referimos apenas ao caráter da comunicação e princípios éticos)

Territórios meméticos cibernéticos

Há enormes segmentos da memesfera que tem pouco ou nenhum contato com humanos. São formados por computadores trocando informações entre si.

Até a última década do século passado business inteligence, data mining, business to business, XML e outras tecnologias eram assunto de capa, mas sumiram dos holofotes frente ao forte apelo de audiência das redes sociais online e dispositivos que conecam indivíduos à Internet.

No entanto esse território continua se expandindo a incrível velocidade passando a abranger temas como Planeta mais Inteligente (mote da IBM) que consistem basicamente em máquinas se comunicando com máquinas a fim de otimizar o funcionamento do planeta desde o consumo de água até o gerenciamento do trânsito.

Poderia listar aqui territórios como cidades inteligentes e sistemas de monitoramento de clima ou de saúde, mas decidi deixar apenas essa descrição para abordar mais detalhadamente em outro post já que é um ambiente que, desconfio, poucos conhecem.

Conclusão

Todos esses meios, de uma forma ou de outra, estão criando o ambiente propício para memes se combinarem, retransmitirem, competirem e se desenvolverem.

Talvez não seja possível medir até que ponto cada um desses ecossistemas participam da formação da “Gaia” memética, mas um bom começo é procrar observar as “espécies” de memes que florescem em cada um desses meios.

Logo escreverei outro post na tentativa de identificar as principais espécies de memes o que parece um passo essencial antes de podermos pensar em um tipo de árvore “filomemética” que nos permtiria estudar a fundo a evolução memética.

O desafio é grande, mas não pretendo ser pretencioso. Escreverei entendendo esse blog como um rascunho de ideias.

Em tempo: Sei que existe o conceito de noosfera, mas prefiro adotar memesfera por trazer em sua essência os pricípios da teoria da evolução aplicada à consciêncie e cultura.

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