Comunidade – Boletim 18/26

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Editorial

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Iniciando nessa edição passarei a publicar o boletim primeiro no Meme de Carbono por dois motivos: um para poderem deixar comentários, sugestões, pedidos anonimamente recuperando espaços comunitários muito comuns na grande Internet (aquela que não é limitada por algoritmos); dois para torná-lo mais acessível para ser distribuído em mídias e redes sociais, listas em aplicativos de mensagens, etc.

Precisamos de mais contato humano. De preferência off-line, mas também on-line. Precisamos ler, ouvir e ver mais gente, nos reunir em torno de temas, ver que não estamos sós em nossos interesses, dúvidas e percepções.

É bom também para desenvolver a capacidade de empatia, de respeitar os comentários das outras pessoas mesmo não sabendo quem são.

Os comentários não aparecem imediatamente, antes eles passam pela minha aprovação, mas aprovo tudo que não é criminoso, que não seja preconceituoso ou agressivo contra pessoas. Todos sabemos bem os princípios da civilidade.

Organize o seu Conhecimento – Descanso real

Quando era criança me perguntava por que a gente tinha que dormir e por que não podíamos passar o dia todo lendo, brincando, conversando, explorando.

Um dia parei de perguntar isso, mas tenho uma resposta para o meu eu criança: para sonhar.

Tá, existem outros motivos físicos e emocionais e tem gente que nem lembra dos sonhos, mas dormir também serve para sonhar, assim como os momentos que ficamos somente com os nossos pensamentos e nos entregamos somente a “sentir” a ver as pessoas na rua, a chuva caindo, o Sol saindo de trás das nuvens.

Momentos em que pensamos e sentimos sem uma meta, sem um objetivo, inclusive sem o objetivo de descansar para poder se cansar de novo.

É o tal do ócio criativo, mas esse nome já traz uma certa carga de cansaço, né? Ócio para podermos produzir, para criar. Estou falando em descanso real, em viver momentos que valem simplesmente por estarem sendo vividos, em que experimentamos o nosso universo interior e deixamos que ele se solte.

O prazer de de viver não vem todo daí, mas partes importantes do êxtase diante da vida vêm de momentos de liberdade de mente e espírito.

Não passe todos os seus momentos gerenciando seu conhecimento, “trabalhando enquanto eles dormem” e sonham e vivem.

Todo dia tiro vários momentos para me entregar à contemplação. Pode ser por cinco minutos, pode ser uma vez ao dia, o que importa é dar momentos de descanso real para a sua mente e emoções.

Redes e Mídias Sociais – Existem redes sociais humanas

Sei que já falei nisso, mas me sinto na obrigação de voltar ao assunto.

Ainda entro no Instagram, aquela mídia social onde a timeline está mais entulhada de coisas que não sigo e com quase nenhuma das pessoas que eu queria ver.

Também vejo muitas publicações que dizem “nos siga agora porque o algoritmo não vai mostrar de novo” ou “as bigtechs controlam essa plataforma com algoritmos”. É verdade, mas predomina o conformismo.

É raro o perfil que alerta para os problemas das mídias sociais e que chama para o seu site e/ou mala direta. No site, inclusive, pode-se blindar o conteúdo para bloqueios da plataforma além de permitir organizar e buscar muito melhor.

Mais raro ainda é ver um desses ativistas que conte que as redes sociais sobreviveram às mídias sociais, que não tem algoritmos, não tem bigtech. Quando abordados alguns até dizem que “ah! não tem ninguém lá”. Se apegam à ilusão de seguidores que nunca recebem seus conteúdos, de visualizações que não ecoam e, acima de tudo, não percebem que é papel deles também seguir na frente para dar alternativas para quem quer sair da influência das mega corporações cibernéticas.

Mas, quanto à enorme maioria de nós, acho que mídias sociais online são um veneno que deveríamos abandonar o quanto antes e redes sociais online não são uma necessidade moderna, são um nicho e a maioria de nós seria mais feliz reatando redes sociais offline.

Nós fazemos o marketing, ou o marketing nos faz – O marketing que vende produto vs o marketing que vende consumidores

“Quero que as empresas tracem o meu perfil para me oferecer os produtos que preciso”

Com frequência ouço essa justificativa para continuar se submetendo à invasão de privacidade pelas mega corporações cibernéticas.

Em 2004 eu dizia o mesmo quando reclamavam do preço da gratuidade do Gmail, mas quem reclamava estava mais certo que eu. Além disso muita coisa mudou nos últimos 22 anos.

Desde o caso Cambridge Analytica questiona-se o tipo de marketing que é feito pelas plataformas digitais, que tem atraído a gente para cantos na Internet onde tudo é controlado por algoritmos e nem links são permitidos.

O ponto chave é que essas empresas adotaram posições políticas, se tornaram poderes públicos como na distopia ciberpunk de Neuromancer. Nos mostrar produtos deixou de ser o negócio principal delas. Hoje Meta, Alphabet e as demais mega corporações cibernéticas tem dois focos principais:

  • Vender seus usuários para produtos, ou seja, são pagas para nos fazer desejar o que não precisamos;
  • Influenciar a população para impulsionar os seus interesses políticos.

E o que fazer com essa informação?

Tenho sugerido buscar pelo produto em vez de se deixar buscar por ele. A parte difícil disso é para quem ainda precisa se submeter às plataformas de mídia online, como quem precisa estar em um Instagram da vida para trabalhar. Felizmente é a minoria das pessoas. A parte fácil é usar bloqueadores de rastreamento e de anúncios disponíveis para os principais navegadores

Para ir além das IAs – Slop infinito

Não vou linkar aqui porque minha missão é te ajudar e não te atrapalhar, mas faz um tempo que existem sites de vídeo regurgitado por IA sem fim e com prompts das vítimas, digo, audiência.

Ou seja, você abre o site e tem um vídeo rolando, você digita instruções, outras pessoas digitam instruções e a IA generativa vai alterando o vídeo de acordo com a média dos comandos.

O fator interatividade é o que torna tudo mais terrível. Duvido que muita gente ficaria vendo uma tripa infinita de vídeo gerado por IA, mas esses sites oferecem a possibilidade de interferir com o que está passando.

A gente não precisa de mais distração vazia, assim como a gente não precisa de alimentos ultraprocessados. Precisamos de estímulos de verdade e até de períodos de silêncio.

No entanto vou chamar atenção para outra coisa: o senso comum de que IAs generativas consomem quantidades astronômicas de energia e água.

Isso é verdade para a geração dos modelos e para oferecer poder computacional para milhões de pessoas usando o sistema, mas não é verdade para o uso corriqueiro das IAs e sites como esses mostram que não é tão caro.

Se as IAs fossem astronomicamente caras elas entrariam em colapso sozinhas, mas não é o que acontecerá: elas estarão cada vez mais presentes para gerar estímulos infinitos e, nem que fossem bons estímulos, isso já não seria bom.

Segurança e Privacidade – Até tu,Suíça?

A Proton é referência em privacidade e segurança. Não é unânime, mas sempre é comentada quando se fala em VPN, armazenamento e e-mail seguros.

Uma das qualidades que lhe conferem esse status é estar sediada na Suíça, que tem uma longa tradição de valorização da privacidade.

Acontece que há boatos de que a Proton está movendo alguns servidores para fora de lá. A começar pelo Lumo, sua IA, que iria para a Alemanha.

Boato ou não a discussão sobre governos articulando formas de reduzir a privacidade que as empresas podem oferecer é real.

A justificativa “para impedir crimes” é muito frágil pois os criminosos procurarão outras formas de se comunicar, que são numerosas e acessíveis, e, mesmo nos serviços mais anônimos, existem formas de rastrear contatos porque esses serviços são feitos para garantir a segurança de pessoas e não de crimes.

A lição, aliás, as lições, são duas.

Em primeiro lugar é importante distribuir para proteger, estar em mais de um país, em mais de uma instância. Em segundo lugar é preciso que a sociedade civil se informe, se mobilize para garantir que os governos atuem a favor dos direitos à privacidade e segurança e não a favor de corporações e regimes totalitaristas que vigiam as pessoas com fins escusos.

Por sociedade civil me refiro à coletividade, claro, não a você especificamente, mas fique à vontade para se informar e se mobilizar se quiser, claro. Só não precisa achar que tem que carregar mais esse peso.

Autonomia, soberania, narrativa – A narrativa é sua ou do algoritmo?

Já falei sobre isso antes, mas hoje estavam me mostrando uma influenciadora (céus, que profissão infeliz…) que teria se recusado a sair com um cara porque o carro era barato. Depois ela disse que era só um personagem que ela estava pensando em assumir (entende pq é uma profissão infeliz?), mas acabou aparecendo de novo dizendo que a mulher se valoriza ao escolher o homem rico para sair.

Quem ela está vivendo afinal de contas? E, por favor, não estou criticando a moça, pelo contrário, me parece que ela é a primeira vítima.

Outro exemplo foi uma outra moça (mas tem moços também) que estava viajando o mundo fazendo voluntariados para alimentar seu canal de influenciadora recém-criado. Ela acabava não vivendo as experiências e lugares por onde estava passando porque a produção para os algoritmos suplanta a própria experiência e até a realidade e ela vivia por essa lente.

E não são apenas influenciadores e influenciadoras que acabam sendo moldados pelos algoritmos, nós, que nos expomos por muito tempo às timelines de mídias sociais ou até mesmo aos resultados de buscas do Google vamos, sem perceber, entrando em ressonância com as narrativas determinadas por essas plataformas.

Quem sou eu sem a influência dos algoritmos? quem é você? E não é para mim que você deve responder, mas para si!

Clipping

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Rodapé

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