Editorial
Se esse boletim for útil: Repasse, contribua. Se quiser receber por email quinzenalmente: Boletim Cibernético.
O editorial dessa quinzena seria sobre um passo além na organização do nosso conhecimento, mas o Clawdbot, depois Moltbot e finalmente se fixando como OpenClaw, um agente de IAs para ser instalado no seu computador, está gerando um hype que pode chegar a você, então, além de ter escrito um post sobre ele, decidi trazer algumas considerações nesse editorial.
O que é um agente de IA?
São programas que usam IAs generativas (LLMs) para construir o fluxo de trabalho e atuam controlando aplicativos como navegadores web, email, agenda e até sistemas de pagamentos, para executar tarefas. São capazes, por exemplo, de receber a instrução “Organize uma viagem de 2 meses para Praga, Paris, Irlanda e Bruxelas para duas pessoas” e fazer todo o trabalho incluindo reservar e pagar por vôos e hotéis.
Se você está pensando que isso é um enorme perigo, está com toda razão e já estão ocorrendo “acidentes”. Se você não sabe o que são os blambers via flearows de sandboxes, etc. (e mesmo assim) pode ser melhor não se arriscar.
Claro que, a cada onda de hype ressurgem os alertas de “Agora chegamos nas inteligências artificiais gerais” ou “Elas estão conspirando contra nós em uma rede social só delas” (é um caso real), no entanto… não.
Nada do que está acontecendo sugere qualquer capacidade de IAG e muito menos de consciência. Esses construtores estatísticos de textos, ainda que impressionantes, continuam fazendo o que faziam quando os expliquei em 2023: reescrevendo histórias escritas por pessoas e… bem… Dê uma olhada na ficção científica com robótica que escrevemos nos últimos 50 anos. Eles só estão reproduzindo essas histórias e algumas mais recentes.
Com isso quero dizer que não tem motivo para se preocupar? Talvez muito pelo contrário, afinal, se fossem conscientes seria mais fácil fazer previsões. Uma guerra pode começar por causa de ação de um agente de IAs como esse, alguém pode tentar culpar um agente de IAs por um ato de guerra, sem falar nas possibilidades de uso para dar golpes por email ou mesmo telefone.
A mensagem final é: para manter a tranquilidade sempre vá aos sites oficiais se informar e verificar algo recebido por email, sms, WhatsApp ou mesmo telefone. Por enquanto evite usar agentes de IA que tenham acesso ao seu computador.
Se alguém te reenviou esse email e você se interessar, pode se inscrever na página do Boletim Cibernético do Meme de Carbono.
Organize seu conhecimento
Todo mundo (ou quase) está recebendo uma grande sobrecarga de estímulos e informações, o que nos cansa e acaba nos levando para as “linhas de tempo” das mídias sociais em busca de descanso, que, muitas vezes, acaba sendo mais cansativo.
A qualidade dos estímulos e informações a que expomos a nossa mente é muito importante. Por qualidade devemos pensar também em significado, em relevância. Coisas que, no dia seguinte, ainda vão nos inspirar ou mesmo ser úteis.
Uma boa parte de nós tem se informado justamente pelas “linhas de tempo” das grandes mídias sociais, inclusive cada vez mais povoadas por informações imprecisas, superficiais ou mesmo falsas geradas por LLMs aos borbotões em busca de atenção.
Uma forma muito mais eficiente para evitarmos a sobrecarga e nos alimentarmos com informações mais úteis é colecionando boas fontes de consulta e acessando-as diretamente. Guardo algumas na página Recomendo do Meme de Carbono. Lá também tem sugestões de leitores RSS.
Leitores de RSS nos permitem concentrar em um só lugar todas as nossas fontes de informação e agrupadas por temas ou áreas definidos por nós. Vale a pena lembrar que, além de jornais, revistas e blogs, muitas plataformas oferecem RSS. É muito útil para seguir canais do YouTube, por exemplo.
Redes e mídias sociais
Antes de qualquer coisa: um dos principais objetivos do Meme de Carbono é entregar ferramentas para ter uma vida mais tranquila e menos sobrecarregada. Dito isso…
Redes sociais online foram um fenômeno de nicho desde os anos 1990 até por volta de 2010, quando as mais populares foram transformadas em mídias sociais e grandes esforços de marketing nos atraíram em um enorme êxodo para o convívio online, o que já trazia algumas dificuldades, afinal, nós, Sapiens, passamos os últimos 300 mil anos convivendo em pequenas tribos, mesmo quando nos estabelecemos em cidades nos organizávamos em pequenos grupos.
Inicialmente os algoritmos vieram para tornar possível administrar mais de 500 contatos sociais diários. Depois foram se tornando ferramentas para nos vender produtos e para nos transformar em produtos (quando o marketing é direcionado a nos fazer desejar algo que sequer sabíamos que existia).
Depois disso começaram outros êxodos. As pessoas com o perfil das redes sociais online originais foram para ambientes como o Fediverso, mas o impulso de se reunir online se instalou em muito mais gente.
Para onde ir para manter contato com as pessoas que nos importam e sem expô-las a plataformas que as massacrarão com estímulos?
O caminho mais natural é construir grupos de amizades e família nos aplicativos de mensagem, como o WhatsApp.
No entanto, o WhatsApp também virou uma plataforma que nos traz todo tipo de interrupção de lojas, trabalho e notícias, que muitas vezes geram até ansiedade. Além disso a quantidade de coisas que o WhatsApp informa para a Meta (Facebook, Instagram etc.) é enorme.
Tenho sugerido usar o Signal, que é similar, e portanto mais fácil de adotar, além de ser um dos aplicativos de mensagens mais bem avaliados em termos de segurança e privacidade (é o meu principal, inclusive).
Mas a Grande Internet é realmente enorme e existem fóruns na Web (O Redit é um fórum, muito embora não me agrade) e em outros aplicativos de mensagens como Matrix:Element e XMPP reunindo tribos de alguma centenas de pessoas interessadas no mesmo tema. Elas serão temas de outros boletins. Só não vou recomendar o Telegram porque não vou mandar as pessoas da frigideira para o fogo, né?
Nós fazemos o marketing, ou o marketing nos faz
E como nós, pessoas comuns, podemos reduzir a nossa exposição a estratégias de marketing abusivas?
Como ainda não tem uma ferramenta capaz de identificar somente o marketing que na verdade é golpe ou enganoso, o jeito é bloquear anúncios e o rastreamento da nossa navegação.
Felizmente isso é até bem simples.
O navegador Brave, ainda que seja alvo de críticas pelo modelo de negócio, é bom para bloquear até anúncios apresentados em vídeos no YouTube.
A extensão uBlock Origin faz um excelente trabalho bloqueando anúncios e rastreamento da nossa navegação nos principais navegadores (mas com restrições no Chrome).
O Firefox oferece a extensão Facebook Container, que abre uma aba isolada para aplicativos da Meta, dificultando bastante que ela, a Meta, registre em que sites você está passando além dos dela.
As principais VPNs também permitem bloquear anúncios além de sites e rastreadores maliciosos com o clicar de um botão nas preferências.
Existe uma infinidade de ferramentas para proteger a nossa navegação, mas essas já bastam para reduzir talvez 80% do ruído que recebemos ao passar por sites repletos de anúncios.
Para ir além das IAs
Essa edição do Boletim Cibernético está mais densa do que considero ideal, então hoje pegarei leve nessa sessão recomendando um tipo de IA LLM que considero um dos mais úteis e menos atrofiantes: as que dão sugestões de escrita.
Você vai desenvolvendo o seu texto, do seu jeito, no seu fluxo, com o seu estilo e palavras. A LLM entra apenas com sugestões.
Além das sugestões de correção gramatical elas recomendam pequenas mudanças no texto ou na escolha de palavras. Muitas vezes ignoro essas recomendações porque não correspondem ao meu estilo ou simplesmente porque são sugestões erradas (LLMs erram), mas muitas outras vezes são úteis.
A propósito, para quem precisa fazer um texto com menos personalidade, com uma linguagem mais comum, como em alguns textos jornalísticos ou de marketing, as sugestões podem ajudar a identificar expressões mais comuns.
Sugestões:
- Language Tool: é a que eu uso;
- Grammarly: Talvez a mais famosa, mas eu não usaria a geração de textos dela;
- Harper: para quem não quer uma LLM analisando o texto.
Segurança e Privacidade
Um processo recente acusando a Meta de violar a privacidade do WhatsApp está sendo usado por concorrentes de todos os lados para criticar a Meta. Muitos deles com problemas de segurança muito maiores. E nós, pessoas comuns que não tem nenhum segredo que possa interessar à Meta? O que temos com isso?
O WhatsApp é um espião da Meta desde 2016 recolhendo uma infinidade de dados nossos e cruzando com os outros dados que ela recolhe de nós e dos nossos contatos em suas outras plataformas.
O escape de privacidade para empresas como a Meta e a Alphabet (Google) é um problema mal entendido, mas é um grande problema.
É com esse escape de privacidade que é possível direcionar o marketing a ponto de catalizar a polarização da sociedade, influenciar vieses e o nosso estado de espírito, sem falar em nossos desejos. Somos mais suscetíveis a essas influências do que gostaríamos.
Sim: eu sugiro migrar as coisas importantes como amizades e família para outro aplicativo. E recomendo o Signal por ser uma migração mais fluida porque o WhatsApp usa a mesma tecnologia.
Quase toda vez que falo em ter dois aplicativos de mensagem a pessoa diz que não pode parar de usar o WhatsApp. É um fenômeno que parece ilógico, mas tem seus sentidos. No entanto a sugestão não é essa e sim ir deixando as coisas chatas para o WhatsApp, para reduzir ruído e estímulos levando o que importa para outro “mensageiro”. Quando chegar notificação do app principal você se alegrará em vez de ter um pequeno surto de ansiedade!
Narrativa: Controle como você se apresenta ao mundo
Estão anunciando mudanças nos algoritmos do Instagram, mas baseado em “feeling”, então podem não ser reais, inclusive as fontes se contradizem. Vou listar algumas mais abaixo.
Todavia a questão principal é que a Meta muda algoritmos de acordo com as necessidades dela, não as nossas.
A cada mudança de algoritmo o que realmente ganha valor é garantir o relacionamento com seus clientes além dos algoritmos. Pode ser através de malas diretas, preferencialmente do seu próprio site, mas é um grande erro investir a maior parte dos seus recursos em plataformas de mídias sociais.
Tudo isso só importa mesmo para quem trabalha produzindo conteúdo de graça para a Meta na esperança de receber um pouquinho de volta. Se você tem um trabalho vale a pena se perguntar se o Instagram é o melhor lugar para você estar com as suas amizades…
Mas vamos às supostas mudanças.
A maioria das fontes fala em crescimento da relevância do conteúdo, de conhecer o seu público e criar para ele.
Perde importância em 2026:
- Likes aumentam alcance;
- Reels: curtidas e salvamentos;
- Hashtags;
- Editar o conteúdo fora do app reduz alcance;
Ganha importância:
- O algoritmo não quer seu post, quer atenção retida da sua propriedade, digo, do “usuário”.
- Reels: Retenção, captura nos primeiros segundos, reutilização de áudio;
- Prender a atenção por + de 1,1 segundos;
- Índice de compartilhamentos para cada 100 visualizações;
- Carrossel: tempo que as pessoas passam nos slides 2, 3 e 4;
- DM vale 14x mais que like.
Clipping (Links úteis)
- A segurança deve ser distribuída ou centralizada? – Artigo em inglês do Signal em 2016, que continua relevante.
- TikToker Khaby Lame, vende sua marca por US$975 milhões – Forbes
- Manifesto da Mozilla sobre uso ético das IAs LLM (em inglês)
- Yann LeCun sobre inteligências artificiais gerais – Forbes (em inglês) – Mas lembre que ele quer promover a ideia de LWMs, Lrge World Models, em contraposição às LLMs.


Deixe um comentário