Como os mascarados desmascaram o Brasil do “mais um direito a menos”

Source: Black Blocs, os corpos e as coisas | Opinião | EL PAÍS Brasil

O texto é de setembro do ano passado, mas continua atual e propício.

Destaco do texto:

Muitos dos jovens que formaram o famoso black bloc de Seattle eram na verdade ativistas ambientais que estiveram envolvidos em táticas de subir e se prender em árvores para impedir que fossem derrubadas e que operavam em princípios puramente gandhianos. Apenas para descobrirem em seguida que, nos Estados Unidos dos anos 1990, manifestantes não violentos podiam ser brutalizados, torturados e mesmo mortos sem qualquer objeção relevante da imprensa nacional. Assim, eles mudaram de tática”.

Continua no memedecarbono.com.br

A tática Black Bloc é desejável? Não. Favorece o plano do Estado de afastar a população desacostumada à violência? Sim. No entanto ela é evitável? Também não e é fácil perceber por quê.

Além das forças policiais deflagrarem a violência mesmo quando não há desculpas e dos flagrantes casos de vandalismo praticados impunemente diante dos olhos das forças policiais, temos de fato uma população cada vez mais combativa:

  • Jovens da periferia estão acostumados e ficar acuados entre a violência do crime e do Estado (representado pela polícia). Em geral são eles que se reúnem em torno da técnica Black Bloc (continua assim em 2017 pelas minhas observações);
  • A mídia alimenta a revolta de duas formas: ignorando as vozes do povo que grita para os céus em busca de alguém que ecoe sua voz e dando atenção apenas para a violência contra coisas, raramente a violência contra pessoas ou contra direitos duramente adquiridos;
  • O Estado há muito optou por responder com violência crescente a demanda que os cidadãos fazem pacificamente. Somente se retrai diante da violência e intensidade das manifestações

Não se trata de abraçarmos os Black bloc (muito embora eu sugira que você converse com eles. Provavelmente se surpreenderá com as bases do pensamento deles), mas de perceber que o fenômeno lança luz sobre dois pontos muito importantes:

  1. A desvalorização da vida frente ao patrimônio;
  2. O gesto simbólico por trás da violência dos Black blocs que se direcionam sempre para as grandes corporações que a opinião pública percebe como donas de todos os direitos como bancos e empresas de transporte.

Se o sistema não se voltar novamente para a população estará plantando no Brasil a semente dos memes da desobediência civil e da violência.

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