Imagem: Facebook

Você, pessoa atenta, deve estar olhando desconfiada e dizendo, mas a Web fez 25 anos em 2014! E é verdade.

O que o Facebook decidiu comemorar foi a abertura dela para o público em geral e concordo que pode ser mesmo uma data a se comemorar.

Em sua campanha ele resolveu destacar a vocação social dela, mas o fato é que ela não conectava ninguém em seus primeiros anos e se tratava muito mais de um grande mar de textos conectados, foi a era do hipertexto. Havia até quem dizia que os livros do futuro seriam hipertextuais.

Foi somente em 1997, com o surgimento do SixDegrees que vimos o início da Web social. Talvez façam um novo aniversário de 25 anos em 2022 😉

Mesmo assim talvez realmente esse momento na história seja relevante. Até 25 anos atrás (e alguns dias, demorei a escrever esse post) a Internet não era considerada um instrumento público e sim um recurso estratégico (e até restrito) para militares e pesquisadores. Esse certamente foi um dos pontos de mutação desse lugar, essa realidade digital paralela à realidade física.

Internet com “i” maiúsculo. Sempre me recuso a escrever com minúsculo porque nosso planeta se chama Terra com “t” maiúsculo assim como seus continentes, países, cidades, bairros, ruas.

Claro que nem sempre a Internet ou mesmo a Web são lugares, mas quando trocamos mensagens, assistimos vlogs, ouvimos podcasts e lemos posts estamos nos encontrando com outras pessoas, com outras culturas em um espaço que não tem paredes, que ignora distâncias.

Somente nela, na Internet, posso me encontrar com Liu Chiau Tchang, pequeno fazendeiro em algum lugar na China e trocar com ele algumas experiências e visões de mundo. Do contrário teríamos que pegar enfrentar horas sem fim de escalas aéreas, trens, ônibus e, mesmo assim, poderíamos nos sentar no mesmo bar e jamais nos conhecer.

Liu Chiaum Tchang é fictício, mas casos assim acontecem

Lembro bem como jornais e articulistas faziam pouco do Orkut como se fosse uma besteira as pessoas ficarem interagindo.

Foram interações assim que possibilitaram mobilizações astronômicas como a Primavera Árabe e o fenômeno Occupy (e provavelmente foram apenas ensaios de uma cultura nova de mobilização).

Rapidamente tudo na Internet se torna social, se volta para a integração entre culturas.

Há duas semanas fui a um evento do Who’s Geek com tradutores e o Petê Rissatti (do Ponte de Letras) me chamou a atenção para a quantidade de ótimas obras que não são americanas ou inglesas que não chegam a ser traduzidas e fiquei pensando como uma parceria entre o projeto Win-Win e editoras poderia viabilizar essas traduções até alimentando e expandindo o mercado de tradutores profissionais.

A Rede, a vasta Rede está repleta de conexões entre pessoas comuns e até entre empresas e pessoas comuns, mas mal arranhamos as possibilidades.

Ainda há muita gente sem portais para acessar a realidade online, ainda existe muita resistência da velha estrutura de poder assustada com as possibilidades de integração da Internet. A tal ponto que deixa de aproveitá-las para levar os próprios negócios a outros patamares.

Talvez devêssemos comemorar mais aniversários da Internet, da Web, das redes sociais online e até do Gopher como pretexto para repensar e discutir os rumos e possibilidades desse planeta paralelo capaz de nos aproximar como nunca depois que deixamos de ser pequenos grupos de nômades há uns 30 mil anos…

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