Cardume forma uma seta em Procurando Nemo

Multidões em consenso… Fonte: um mais um maior que dois

Para Hobbes o Estado era o Leviatã capaz de impor a ordem através de um pacto social onde os cidadãos cediam a certos direitos para terem, digamos, a proteção de um organismo superior.

Ontem me perguntaram se eu achava que estamos vendo um ciclo que se repete, ou seja, se é apenas algo que vai causar marolas até que tudo volte ao normal ou, no máximo, até que se desenvolva um novo contrato social.

Bem, em linhas gerais talvez seja isso que está acontecendo: os cidadãos estão dizendo que não estão satisfeitos com o contrato social atual reivindicando  coisas como (esse é um resumo meu e parcial):

  • Mais participação nas decisões políticas e corporativas pois elas interferem em suas possibilidades de realização
  • Menor distância entre os estratos da sociedade e portanto menos violência
  • Um sistema de ensino que respeite nossas individualidades
  • Maior acesso a informação (incluindo aí transparência do Estado)
  • Que política e mídia sirvam mais à população que a corporações

Sendo assim seria apenas uma questão de jogo de forças entre a persistência popular em causas como essas e a disposição do governo, mídia e empresas em reprimir os revoltados.

No entanto desconfio de um novo elemento, um novo “jogador” no tabuleiro da humanidade.

Houve uma época em que somente os Deuses tinham voz no planeta (os “governantes” eram manifestações deles na Terra como os Farós). Depois vimos surgir outros “jogadores” como a burguesia, a Igreja, a mídia, o Estado (não nessa ordem).

Agora a Internet pode estar criando uma nova entidade.

Quando observamos as semelhanças nos discursos, métodos, cultura e anseios das manifestações populares desde o fim da década de 90 do século passado, percebemos uma clara unidade (Castells a documenta muito bem em Redes de Indignação e Esperança – existe em papel e epub) unindo-as.

O surgimento da Internet cria um tipo de “consciente coletivo” onde as ideias ficam flutuando e acessíveis a 1/3 de toda a humanidade. É muito diferente de ideias passadas de boca-a-boca.

Minha hipótese é que estamos vendo o surgimento de um novo Leviatã formado pelos memes (ou ideias) comuns que deseja tanto o poder quanto os antigos quatro poderes, mas não o exerce diretamente já que não é um ser real e sim um “ânimo” comum que contamina cidadãos com a sensação de poder e unidade coletiva.

Caso essa hipótese esteja correta não bastará aos poderes vigentes acertar um novo contrato social, será necessário aprender a inserir esse novo “indivíduo coletivo” na estrutura de poder. Uma tarefa nada simples, convenhamos.

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