Imagem: The International Consortium of Investigative Journalists (site oficial)

Depois da Wikileaks, do Snowden, do Occupy e do quinto maior país e oitava maior economia do planeta mergulhar numa das maiores investigações contra corrupção na história devíamos ter imaginado que isso aconteceria.

E aí está algo que me envergonho de não ter previsto. Tudo que vinha dizendo é que, se as hipóteses meméticas tem algum valor, era inevitável seguirmos cada vez mais em direção a mais transparência, mais questionamentos sobre a estrutura dos fluxos de riqueza no planeta.

Vou reunir aqui os links mais importantes que passarem por mim e as minhas observações.

Observações gerais

A quantidade de jornalistas e jornais envolvidos na investigação e divulgação dos dados deve ser o suficiente para desfazer as velhas teorias da conspiração de que existe um grupo onipotente que orquestra todo o poder no mundo, ou o vazamento teria parado nas redações dos jornais controlados por esse grupo.

Tenho dito que a estrutura de poder sempre envolveu a opinião pública que deve ser satisfeita de alguma forma tanto pela mídia quanto pelas corporações e políticos, afinal é a população em geral que vota, consome e justifica em última estância a publicação de revistas, jornais e telejornais. É um móbile que vem pesando cada vez mais para o lado da opinião pública graças ao crescimento da Internet.

Dito isso não podemos ignorar que há nós de conexão muito próximos entre os diversos grupos que lidam de forma obscura com recursos financeiros.

Lá estão, lado a lado, os mais altos patamares das indústrias de armas, drogas, construção (reconstrução do que armas e drogas destruíram), políticos e corporações de mídia.

A análise desses mais de 11 milhões de documentos pode nos dar uma nova visão das conexões entre os grandes pilares da concentração de renda e, a partir disso, teremos outras bases para reestruturas o nosso sistema sócio-político-econômico-cultural (a cultura, costume, viés sempre se modificam junto ou se modificam antes, isso é assunto para outros posts).

Primeiras pulgas atrás das orelhas (5/04/16)

Artigo no SputinikNews (de claro viés de esquerda, não confundir com Spotnik que tem claro viés de direita) chama a atenção para a ausência de empresas e personalidades corporativas, midiáticas ou políticas do bloco econômico mais alinhado aos EUA (link no final do post).

Os argumentos e evidências são razoáveis, mas seria necessário avaliar cada um dos 107 grupos de mídia que receberam os documentos em 78 países envolvendo mais de 300 jornalistas para montar uma hipótese consistente de vazamento seletivo.

Seletividade essa que, se for real, certamente gerará em algum momento um vazamento do vazamento. É muita gente envolvida.

Claro que é tentador, inclusive para mim, chamar a atenção para o fato de eu ter falado há poucas semanas nos riscos para a economia global da instabilidade gerada no Brasil por um impeachment e agora o vazamento se focar principalmente nos partidos e personalidades mais envolvidos no pedido.

Entendendo o caso

A Mossack Fonseca, empresa sediada no Panamá, é uma das quatro maiores do mundo no ramo de empressas offshore, o que não é crime. O que é crime é você ter uma empresa offshore que movimenta 200 milhões de dólares que você não declarou e não tem como explicar.

Durante um ano alguém vazou 2,6TB de informação sobre os clientes dela desde os anos 70 para 107 organizações jornalísticas em 78 países que analisaram os dados e começaram a divulgar os resultados hoje, 3 de abril de 2016.

Quase todo mundo está lá. De impérios de drogas a pessoas famosas passando por políticos e indústrias.

A análise desses dados pode revolucionar o conhecimento que temos sobre os jogos de poder envolvendo grandes volumes de capital.

Para ter uma ideia fala-se em antecipação de eleições na Islândia pois o governo atual estaria envolvido em transações ilegais.

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