A televisão digital brasileira não é boa e talvez nunca venha a ter a penetração que a televisão atual tem porque ela não foi planejada para ter penetração ou atrair o interesse da maioria da população e sim para atingir uma minoria com maior poder aquisitivo.

Tirinha da Mafalda apontando a TV como instrumento de estímulo do consumo

Tirinha da Mafalda apontando a TV como instrumento de estímulo do consumo

Durante anos foi desenvolvido um sistema de televisão digital nacional cujo foco principal era permitir a criação de uma infinidade de novos canais de televisão todos com qualidade similar à dos atuais DVDs.

O objetivo era ter canais comunitários, canais universitários, de organizações da sociedade civil ou regionais.

Isso era um sério problema para as emissoras já estabelecidas (Globo, Record, SBT etc.) que fizeram intensa pressão em favor de um sistema desenvolvido fora do Brasil que prioriza a qualidade da imagem que passa a ser full HD, mas não deixa espaço para novas emissoras.

Conclusão: Entra a “nova” tv digital brasileira com uma imagem maravilhosa, mas sem espaço para usar a TV como instrumento de inclusão social, ensino e organização da sociedade civil.

Brasil não é país desenvolvido (pessoalmente só acho que haverá um país desenvolvido na Terra quando não houver nenhum país subdesenvolvido, mas isso é outra história) e precisamos urgentemente de ferramentas para o nosso desenvolvimento.

A tv digital não será uma ferramenta para o desenvolvimento do nosso país, será no máximo uma boa plataforma para vender produtos e ver em maravilhosa definição de imagem os pelinhos do nariz de uma novela igual a todas as outras dos últimos 50 anos.

Haveria ainda a possibilidade dos canais antigos manterem até quatro canais com programações diferenciadas e resolução de DVD. A TV Cultura pretendia usar essa possibilidade para realizar um pouco do projeto de usar a TV digital como ferramenta de desenvolvimento, mas não poderá fazer isso pois o governo acaba de barrar a multiprogramação na TV digital pois contraria os interesses de marketing das emissoras comerciais.

Ao forçar um padrão de televisão digital que não agrega valor para as camadas mais importantes da economia nacional (C, D e E que afinal movimentam juntas mais capital que as A e B) destruiu-se o futuro da TV digital no país.

Imagine um pai ou mãe de família pensando em que aquisição fazer: uma nova TV digital onde sua família verá exatamente o que eles já tem só que com melhor qualidade de imagem ou um computador provavelmente mais barato onde seus filhos poderão se preparar melhor para o futuro além de poder ver vídeos mais diversificados do que os que encontra na TV digital?

Ouça com desconfiança quem lhe diz que o povo é alienado, não sabe votar e não sabe usar a Internet… As classes C, D e E podem esconder algumas surpresas conforme mostra a pesquisa Radar da F/Nazca sobre a Internet brasiliera.

A TV digital, mesmo que fosse a ideal para o nosso país, está repleta de limitações que não existem na Televisão por IP, ou TV por Internet. Os custos da IPTV são menores e o computador serve para muitas outras coisas além de assistir passivamente à TV.

Há grande probabilidade da opção por um modelo de TV digital comercial nos servir positivamente para acelerar a morte da TV convencional no Brasil abrindo espaço para uma infinidade de novas produções de vídeo que serão distribuídas livremente pela Internet através de sistemas como o Videolog ou outros similares.

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