Imagem: Hooray for rainy days! por THX0477

O que isso está fazendo aqui nesse blog sobre cibercultura? Lavar a alma é diferente em uma sociedade hiperconectada?

Nope. Lavar a alma pode se referir a dois desejos primais da nossa espécie: vingança e justiça. Não muda nada. Talvez só quantitativamente porque temos muito mais facilidade em formar bandos agora.

São desejos muitas vezes legitimados pela justiça. Em alguns estados nos EUA, por exemplo, criminosos são executados diante de pessoas que foram atingidas por seus crimes. Na idade média eram comuns execuções públicas na Europa. Também era comum a cidade se reunir para ver gatinhos serem torturados e mortos… São tempos que, provavelmente, a maioria de nós não quer realmente de volta.

Essas são vinganças. Menos no caso dos gatinhos, aquilo era outra coisa muito estranha.

A justiça é bem menos questionável, ainda que seja difícil definir como exatamente praticá-la e acabe muitas vezes sendo só outro nome para vingança.

Por outro lado me parece que, quando falamos em lavar a alma geralmente estamos nos referindo àquela justiça vingativa, uma coisa Hamurabi.

Enfim: a gente tem direito de lavar a alma?

Cara… Não.

Até temos um direito moral, principalmente quem é vítima de perversidades pesadas como homofobia e machismo que deixam feridas profundas na alma.

No entanto é um direito que, se queremos desarmar os perversos que nos atacam e atacam outras pessoas, temos que tentar abrir mão.

Mas antes: porque estou falando nisso aqui?

O Meme de Carbono é uma busca pela essência da nossa consciência e, para olhar profundamente para ela, temos que ser capazes de conciliar emoções e razão.

Uma das formas de emoção que mais interferem em nossa capacidade de julgamento é justamente a de lavar a alma, a de ver o Judas malhado em praça pública, de chutar o bandido estirado no chão que representa todos os bandidos que nos fazem andar com medo pelas ruas.

Não se trata de proteger o mau, mas sim de proteger o bem, pois ser bom é fácil, difícil é não ser mau. E sendo maus enfraquecemos nossa capacidade de observar o mundo.

Reflexões sobre os direitos de lavar a alma (tem em vídeo no final)

Jogar um Ridikulous em algo que te assusta te ajuda a diminuir o poder que ele tem sobre você, mas se você deixa a pessoa saber disso fica claro que ela tem esse poder e isso é algo que a gente não quer, né? Dar mais poder a alguém mau.

Tem coisa mais irritante que troll? Mesmo o trollzinho que chama os outros de feios, bobos, chatos, cara de fuinha.

Pior ainda quando é troll barra pesada, dos que não se limitam a humilhar e que instigam violência, preconceito e ódio.

Ódio contra tudo, né? Contra religiões, etnias, gêneros em todo seu espectro, democracia e até direitos humanos.

Sabe o que eu sinto vontade que seja feito com eles? Coisas ruins… Todos nós temos isso. Somos primatas bem capazes de violência, nossos primos e irmãos (outros de gênero homo) não tem nada de dóceis. Na boa, tem até passarinho bem capaz de violência (vai ver são descendentes do T-Rex).

Só que a gente também está inserido em uma cultura que nos diz que humilhar os outros, agredir os outros não é legal

Aliás estamos falando aqui justamente de lavar a alma contra gente que humilha e agride os outros, como poderíamos usar dos mesmos meios?

Mas dá vontade! Ah! Confessa para mim que dá! Porque a mim dá!

Só que eu não vou dar esse gostinho para eles.

Aliás já notei que o pináculo do sucesso para um troll é quando ele te tira do sério.

Lembra das brigas no colégio? Que o troll te enchia até você partir para a violência e ele dizia “Tia!! Ele me bateu! Eu só tava falando com ele e ele me bateu!”

Você tem o direito de lavar a alma? De ver o troll humilhado? De nariz sangrando depois de levar um soco de uma vítima mal escolhida?

Olha, moralmente deve ter. Dependendo do seu ambiente, né? Em alguns você tem direito moral, legal, institucional e o escambau.

Só que em quase todo lodo lugar é o troll que se dá bem quando a gente cai na pilha dele. Quanto pior e mais perverso o troll, mais ele ganha quando a gente perde o controle e faz o mesmo jogo que ele.

Só tem um jeito de se livrar de um troll… Tá dois jeitos.

Primeiro, na sua cabeça, só lá nos seus pensamentos, ok? Você joga o Ridículos nele! Vê como ele é fraco, mesquinho, o que seja.

Aí você vai e acha cada furo no que ele diz. Sem jamais perder a calma vá argumentando.

Ele conta uma piada que humilha mulheres e você diz “não entendi, me explica?” com um sorriso simpático, daqueles que as pessoas olham e ficam em dúvida se é ironia ou se você realmente está querendo rir da piada.

Se o trolll disser que essa ou aquela etnia é inferior você diz algo como “Mas hoje a gente sabe que as etnias humanas são praticamente idênticas. Não faz nenhum sentido isso de A melhor ou pior que B” e indica uns livros e vídeos para o troll.

Alguns troll até podem se curar, viu? Já vi acontecer!

Tem outros no entanto que parecem que empedraram! É uma coisa de louco!

Com esses nós não devemos brincar! São daqueles que matam muita gente com o efeito das suas campanhas de ódio. Eles nunca sujam as mãos, mas pessoas matam e se suicidam em consequência dos discursos desses trolls.

Jogar purpurina neles, assediá-los em um vôo, fazer imagens mostrando o ridículo deles (eu já falei que ridículos tem que ser só na nossa cabeça! Não vamos dar poder para eles!) é como chamar de feio, bobo e chato.

Não gente. O que funciona no colégio com o coleguinha mala não funciona com pessoas que fazem campanhas sistemáticas de ódio!

A gente não tem direito de lavar nossa alma porque tem um monte de almas definhando enquanto a gente lava a nossa de um jeito infantil.

É muito mais sério do que você ou eu!

Quem é vítima desses trolls quer é olhar para eles e soltar um grito primal, desses que gela até o coração dos amigos. Não quer chamar de feio, bobo e chato.

Na verdade normalmente eles não fazem nada porque estão sem forças ou tem consciência de que não é mais violência que vai resolver alguma coisa.

Nossa única, mas podersíssima arma contra esses arautos do ódio é a luz da razão.

Tá lá em tudo que é livro e filme que a gente ama: de Senhor dos Anéis a Guerra nas Estrelas. Pode procurar nos seus filmes, séries, desenhos ou livros favoritos.

Então vamos colocar em primeiro lugar o bem comum. A nossa alma a gente lava de outros jeitos, sem dar força para troll, sem deixar em segundo plano quem é vítima deles.

Ah! Se você é uma vítima que conseguiu forças para dizer que são feios, bobos e chatos tudo bem. É um passo importante, mas lembre-se que os fracos são eles! Te feriram, a força está em você, não neles! Ache cada argumento deles e mostre como são obtusos, cruéis, perversos. Violência, mesmo pequenina, acaba só ajudando os trolls.

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