Essa é uma das perguntas que mais escuto quando o assunto é privacidade: como o celular ou o computador sabem o que estou pensando e me mostram propaganda daquilo?
Ainda mais comum que essa é a pergunta, ou mesmo certeza, de que o celular fica nos escutando para saber o que anunciar.
Trago as duas dúvidas porque elas tem a mesma explicação e solução.
A boa notícia (talvez)
Muito embora celulares e dispositivos como os Eco da Amazon realmente nos escutem o tempo todo aguardando o comando “Alexa”, “Ok, Google”, “Hei, Siri” ou similar para nos responder, o fato é que eles não precisam nos escutar para saber sobre nós e o custo de nos espionar assim é mais alto do que o de outras formas de nos mapearem, que são inclusive muito mais eficientes.
Via de regra, quando digo isso, as pessoas reagem com descrença porque essa é uma explicação simples e explicações simples nos dão o mínimo de tranquilidade.
Minha principal missão nesse site é justamente mostrar caminhos para ter mais tranquilidade, mas nunca ao custo de nos alienarmos para o que de fato acontece.
Gravar todo o que falamos simplesmente é um jeito ruim de nos espionar. É menos eficiente e mais caro. Somente por isso esse é um recurso que certamente é pouco usado ou mesmo desprezado pelas corporações que fazem os nossos dispositivos.
Então a boa notícia é que você não precisa se preocupar com tudo que você fala ao lado do celular ou de assistentes, não precisa viver com a tensão de que estão dentro da sua casa… A menos que você tenha um aspirador robô ou babá eletrônica conectados à Internet, mas aí é outra história.
Por outro lado, isso quer dizer que existem formas muito mais eficientes tanto de saber no que estamos pensando, quanto de nos influenciar para pensar em alguma coisa.
Pois é… O celular não lê a nossa mente e nos mostra anúncios, ele (junto com o navegador) vai plantando ideias que achamos que são nossas, vai até torcendo nosso viés e estado de espírito de acordo com quem pagar mais para atingir o grupo a que pertencemos desse ou daquele jeito. A primeira vez que falei nisso aqui foi em 2014 no post O Facebook está controlando sua mente?, mas de lá para cá muita coisa mudou e o Facebook (e outras mídias sociais algorítmicas) estão, sim, nos influenciando.
A notícia boa de verdade: é fácil resolver
O que acontece, em resumo, é que a Meta rastreia a nós e aos nossos contatos no Facebook, no Instagram, no Threads, no WhatsApp e até em grande parte das páginas que visitamos com o nosso navegador. E não apenas a Meta, mas também a Alphabet e centenas de empresas especializadas nisso, em colocar rastreadores nos sites que visitamos, nos jogos que jogamos, nos aplicativos que usamos.
Por isso o iOS da Apple (porque parte do marketing da Apple é garantir privacidade) pergunta, quando instalamos um aplicativo, se queremos que ele peça para pedir ao aplicativo para não nos rastrear. Porque rastreiam.
Mas eu disse que a solução é fácil, pelo menos uma solução suficiente. Posso atestar que é extremamente raro os anúncios na web, na TL do FB ou do Instagram saberem o que estou precisando comprar.
A solução:
- No seu navegador, use pelo menos esses dois plugins que bloqueiam anúncios e rastreamento:
- uBlock Origin – Principalmente para bloquear anúncios, mas também bloqueia rastreadores. Funciona melhor no Firefox porque a Alphabet dificulta as coisas no Chrome
- Privacy Badger – Especificamente para bloquear o rastreamento. Mantido em parceria com a Eletronic Frontier Foundation
- Extra: o Facebook Container, para Firefox, é específico para impedir que a Meta rastreie a sua navegação fora dos sites dela.
- É uma boa ideia mover a sua troca de emails pessoais e de trabalho do Gmail para um serviço com foco na privacidade como o Proton ou o Tuta deixando para o Gmail apenas o que não é pessoal ou mesmo abandonando a plataforma.
“Ahhhh!!!! Eu não posso parar de usar o Gmail!!” é algo que escuto muito quando faço a última sugestão. Veja que não falei em apagar a conta do Gmail, mas em ir deixando de lado.
A propósito, criar um novo email pode ser libertador e tranquilizador. Hoje a minha caixa postal principal só recebe coisas relevantes e entro na do Gmail uma vez por mês ou até menos. Já falei de sair do Google aqui e falarei de novo no Boletim Cibernético e em post futuro.
Imagem que ilustra o post
Fonte: El viejo truco de escribir sobre el Cono del Silencio para recordar a Don Adams, el entrañable ‘Súper Agente 86’ – El Comércio


Deixe um comentário