No vídeo no final do post Joel Cracraft, curador do American Museun of Natural History fala sobre três causas para a 6ª extinção em massa que estamos vendo ocorrer na Terra.

  1. Crescimento da nossa população que deve atingir entre 11 e 19 bilhões de pessoas antes de se estabilizar;
  2. Geração de lixo em virtude dos nossos hábitos excessivos de consumo;
  3. Mudança Climática.

Antes de apresentar esses pontos, no entanto, ele procura mostrar a extensão dos problemas que devemos ter em virtude dessa extinção em massa. É um ótimo vídeo para organizar as ideias e definir algumas bases para abordagem da questão.

Tenho algumas coisas a acrescentar à luz de uma abordagem memética.

Antes vou falar rapidamente do primeiro fator: dificilmente evitaremos que nossa população atinja as estimativas a menos que surgisse um governo global tirânico e mais distópico que o cenário atual e que a reprodução fosse estritamente controlada.

Isso não acontecerá, então qualquer caminho que venhamos a buscar para tentar proteger e restabelecer a biodiversidade no planeta deverá ser capaz de lidar com 20 bilhões de humanos.

Para que possamos produzir os recursos mínimos para manter 20 bilhões de pessoas alimentadas, hidratadas, aquecidas (ou resfrescadas) e exercitadas temos que trabalhar empenhadamente no desenvolvimento de novas formas de produção de alimentos, energia renovável e limpa e tratamento de dejetos. Estamos falando aqui também em fazendas verticais e engenharia genética.

No entanto é desumano manter qualquer ser vivo apenas com o mínimo para se manter vivo e reproduzir, principalmente máquinas meméticas como a maioria dos animais e, especialmente, nós, os primatas Homo Sapiens, que temos entre as nossas funções instintivas básicas a evolução cultural (de memes).

Isso nos leva ao item: consumo.

Humanos não deixarão de consumir, não deixarão de buscar ansiosamente (até com ansiedade patológica) por novos estímulos em bens materiais e digitais.

O desenvolvimento de uma cultura digital, que nos conduza a preencher nossas necessidades de consumo com cultura, com bens digitais, é um horizonte fácil de enxergar e para onde já estamos nos dirigindo, o que me lembra do destino dos Arcônidas de Perry Rhodan, alienados diante de consoles de jogos e sem o ânimo para cuidar do mundo material. Já temos visto casos extremos de vício em jogos ou interação online (post meu com links e um vídeo da Jane McGonigal) e a maioria de nós certamente já negligenciou obrigações enquanto se satisfazia com algo virtual, seja um jogo, um livro, uma série ou um filme.

Toda solução, infelizmente, também trás novos desafios, novos problemas e obstáculos, no entanto a construção de uma economia cada vez mais apoiada sobre a produção de cultura, ciência, tecnologia e outros bens digitalizáveis, certamente se fará necessária para que continuemos vivos na Terra para seguir nossa história.

Bem, há um ponto fora do assunto que preciso abordar agora. Uma crença moderna bem irracional. A de que somos o mal do planeta, que sem nós a vida seguiria em paz. Certo. É verdade que muitíssimo provavelmente somos os responsáveis tanto pela mudança climática quanto por outros danos ao ecossistema.

Todavia, também somos a única espécie no planeta que tem possibilidades de desenvolver os conhecimentos e tecnologias necessárias para preservar a vida. Sem uma espécie com essas capacidades a vida se extinguirá em mais uns meros milhões de anos. Talvez antes.

Voltando ao assunto para o último fator, a mudança climática.

Felizmente devemos desenvolver boa parte do conhecimento, tecnologias e hábitos necessários para lidar com a Mudança Climática se lidarmos adequadamente com os outros dois fatores.

Em todo caso há uma mudança que pode nos servir de base e já falei nela pouco acima: mudarmos a visão que temos de nós mesmos como parasitas, como herdeiros mimados de uma divindade criadora que nos deixou a Terra para usarmos a fim de satisfazer nossos prazeres imediatos…

Bem… Somos animais e animais naturalmente tem essa visão. Não compreendemos sem um grande esforço cognitivo que nossa presença causa impactos que podem destruir os outros e a nós mesmos.

Por mais inteligentes que nos consideremos o fato é que “a ficha caiu” apenas nos últimos 50 anos e muitos de nós continuam resistindo aos fatos e se apegando aos instintos animais. Não vamos nos considerar superiores ou considerar os outros inferiores por causa disso, certo? Até porque geralmente, quando temos consciência ecológica também temos aquele viés “humanos vírus” que provavelmente causará uma certa compaixão ou até pena dos nossos tempos caso sobrevivamos para olhar para hoje em uns 500 ou 1000 anos.