Imagem: tumbnail do vídeo

O vídeo e a matéria escrita fazem um bom resumo dos impactos da ditadura na economia, na sociedade, na educação, saúde e até na corrupção no Brasil.

Nasci em 1967, justamente na pior virada, e vivi vários pontos citados no vídeo.

Cheguei a estudar em colégio público, mas logo se mostrou impossível ter uma boa educação sem ir para a rede privada o que me levou a estudar em colégios de ricos às custas sei lá de que esforços dos meus pais, que eram da base da classe média.

Isso me colocou no meio de filhos de grandes empresários e políticos e criança é como o pessoal da faxina ou do café: esquecem que elas estão lá. São tantas histórias de corrupção e de malas cheias de dólares de propina que perdi a conta.

Também o processo de ruptura da sociedade criando o antagonismo entre “ricos” (entre aspas porque seria mais adequado chamar de menos pobres) e pobres passou diante dos meus olhos.

Vi as favelas crescerem, serem estigmatizadas e abandonadas às mãos do crime que ia se organizando em torno da crescente miséria da população que, como aponta o vídeo, perdeu 50% dos seus salários em poucos anos.

Também não era segredo até para mim, com pouco mais de 10 anos, que o Brasil se endividava como se o fim do mundo estivesse próximo criando uma economia e, pior, crescimento econômico totalmente dependente dos empréstimos internacionais e da venda do nosso mercado para multinacionais que esmagavam as nossas possibilidades de desenvolver tecnologias próprias. O tempo todo eu ouvia que um dos nossos problemas mais sérios era produzir barras de ferro e comprar as mesmas barras transformadas em carros, exportar petróleo e importar gasolina (muitas vezes sem que o petróleo sequer saísse do país).

O vídeo fala em acertos da ditadura, mas já na época tínhamos muita dificuldade em ver algum acerto e sim uma grande bola de neve crescendo e preparando uma avalanche que cairia sobre as nossas cabeças.

Isso ficou de legado para a nossa democracia em frágil processo de recuperação. Pensando assim até que ela não foi tão mal.

O maior problema, talvez, que enfrentamos hoje é não perceber que grande parte do que achamos que é culpa dos governos democráticos na verdade vem sendo carregados desde a ditadura.

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