Na verdade a pergunta que me fizeram no Telegram foi:

Roney, você acha mesmo que a humanidade está se equilibrando?

Amiga no Telegram

Não tinha a carinha contrariada, mas em geral, quando digo que a humanidade está a caminho do equilíbrio, é com o rosto contrariado ou pelo menos descrente que me olham 😉

Segue então a explicação que dei para a amiga e espero que sirva daqui para diante.

A qualquer momento da história da humanidade, quando olhamos de perto, ou seja, um espaço de 50 a 100 anos que duram nossas vidas, tudo está se desestruturando.

É muito mais um defeito do nosso processo cognitivo… defeito não, característica, do que um fato.

Somos caçadores coletores que evoluíram para buscar outro território ao pereceber que as coisas mudaram. Somos programado para ter medo da mudança.

Mas aí, há uns 100 mil anos, fizemos praticamente uma simbiose com os lobos criando os cachorros e começamos a desenvolver um tipo de vírus cognitivo que nos levou para o caminho do desenvolvimento da fala, da criação de cultura, de história, contemplação, consciência (inclusive a “voz da consciência” que talvez outros animais não tenham) e nos tornamos uma espécie capaz de amar e de odiar como nenhuma outra, de entender e transformar o nosso ambiente como nenhuma outra e com uma consciência crescente do que estamos fazendo.

Só que o custo disso é um estado permanente de transformação que vai acelerando conforme melhoramos nossas formas de comunicação da fala primitiva para a escrita, para telégrafos, TVs, Internet….

Um transhumanista diria, com alguma razão, que ainda estamos na pré-história da nossa civilização, mas seja como for, não estamos preparados ainda para perceber a civilização como um constante processo de desequilíbrio, desconstrução (ou mesmo destruição) e reconstrução.

Isso é muito ruim pois nos vemos como demônios quando somos apenas anomalias. Até onde conhecemos nada no Universo é capaz de destruir ou preservar um planeta como nós.

A questão nesse momento é: estamos nos desenvolvendo para destruir ou para construir?

Se a nossa destruição fosse consciente como “odeio a vida quero destruir tudo” estaríamos no caminho de sermos um tipo de praga de gafanhotos conscientes do que estão fazendo.

No entanto a nossa destruição foi quase toda inconsciente.

Os grupos que se agarram à destruição na verdade tentam preservar a estrutura de apoio que eles enxergam como “equilíbrio” que atualmente é a forma de produção e economia do século XX.

No entanto quando olhamos para a vasta maioria das produções culturais, científicas e filosóficas (considerando filósofas de fato e não pessoas dementes que se auto proclamam filósofas) vemos que a consciência de que precisamos construir uma civilização tipo 1 (capaz de manter o equilíbrio da vida no planeta) é onipresente. Desde os filmes dos Vingadores até os esforços para o desenvolvimento de energia renovável e estudo do Cosmos.

Eu digo com tranquilidade que a humanidade segue um bom caminho.

Claro que, infelizmente, isso não garante que seremos capazes de superar essa pré-história e desenvolver uma consciência predominantemente “mutante”.

Fiz vídeo sobre isso no YouTube:

Como ser mutante: tem link para a parte 1

Se demorarmos muito a tomar certas medidas em relação a clima (o que felizmente não depende de uma iluminação ampla da humanidade e nem mesmo dos nossos políticos) ainda podemos nos extinguir junto com toda a vida no planeta.

Enquanto esse destino não se esclarece o nosso melhor papel é fazer o melhor que podemos fazer dentro das nossas especialidades e talentos, mas entendendo as dimensões do nosso impacto para não nos esgotarmos.

Melhor é o impacto de quem mantém suas energias 😉

Photo by Pelly Benassi on Unsplash

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