Abaixo estão meus comentários à entrevista de Paula Martini com Ronaldo Lemos aproveitando as preocupações despertadas pelo documentário O Dilema das Redes. O comentário ficou grande demais para os limites do Instagram, então só pode ser visto inteiro aqui. Seque o vídeo da entrevista e depois meus comentários:

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Olhar a Internet a partir de suas dinâmicas macro é fundamental para refletirmos sobre nossa relação pessoal com a tecnologia. E isso vai bem além de desligar notificações no celular ou excluir perfis nas redes sociais. . Seguindo nossa série #PessoasdaInternet, convidamos Ronaldo Lemos, um dos maiores especialistas em tecnologia e sociedade do Brasil, para falar sobre as dinâmicas econômicas e disputas geopolíticas por trás das telas. . A conversa começa com reflexões sobre “O Dilema das Redes”, doc que tem o inegável mérito de ampliar o alcance e a atenção sobre os impactos do uso da internet. . Mas, recuperados do alarmismo do filme, é importante ir além. Pensar qual é a questão estrutural do tal dilema. . A abordagem pelo Vale do Silício é apenas uma das perspectivas. E as redes sociais são só uma parte do que a Internet tem potencial como plataforma de acesso e promoção de cidadania. Devemos usá-la como tal, e não somente sermos usados por ela. . Vem pensar com a gente o que precisa ser transformado, em termos de regulação e educação digital. Sair da paralisia distópica e mirar na utopia de uma internet plural e aliada do desenvolvimento humano. . @lemos_ronaldo é advogado e professor da Universidade de Columbia (EUA) e da Universidade de Tsinghua (China). Um dos criadores do Marco Civil da Internet, projeto de lei para regular a internet brasileira protegendo direitos civis, privacidade e a neutralidade da rede. Único membro brasileiro do Conselho de Supervisão do Facebook (Oversight Board). Diretor do @itsriodejaneiro, colunista da Folha e apresentador do premiado @ExpressoFuturo. . E, se você gostou do papo, não perca a 4a temporada do Expresso Futuro, que estreia em 19 de outubro no @canal_futura. . . #dilemadasredes #ronaldolemos #cidadaniadigital #marcocivil #lgpd #expressofuturo #transformaçãodigital

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Gostei muito da observação de que o documentário é para uma minoria e, mais especificamente como disse a Paula, para o assinante da Netflix o que até pode fazer algum sentido, mas acaba prejudicando muito o alcance e até mesmo as intenções do documentário.

Tem limite de tamanho para os comentários? Espero que não 😉

A Internet ainda é um ambiente importante, talvez essencial, para construir uma nova civilização, uma nova democracia e, para isso, como disse muito bem o Ronaldo, temos que ter mais gente conectada e não nos desconectarmos.

Aliás, a questão não é a exposição ao fluxo sufocante e moldado das informações e estímulos, mas aprendermos a lidar com com ele, a filtrar, modificar e reproduzir.

O papel de sites independentes é central nisso, sejam blogs, sejam organizações.

Nesse ponto vejo diferente do Ronaldo. Não vejo o colapso dos blogs, vejo é um crescimento astronômico, só que absorvidos pelos Facebooks, Mediuns e Twitters da vida e, portanto, submetidos a algoritmos, mas lembrando que os mecanismos de busca também são filtros programados para dar valor comercial ao conteúdo da Internet.

Além disso houve um enorme crescimento e amadurecimento da produção de conteúdo online.

Em 2008 um analista de sistemas leigo (eu) acabava sendo autoridade de referência sobre dança contemporânea simplesmente porque pouca gente mantinha blogs e quem produzia conteúdo se destacava nos mecanismos de busca.

Hoje temos canais no YouTube, Podcasts, jornais independentes com excelente qualidade, todos oferecendo ricos links para referências. Hoje mesmo o Twitter está tomado por um flame entre pequenos, mas competentes, produtores de conteúdo apontando o problema de qualidade e falta de fontes de alguns veículos de divulgação.

Também temos que lembrar que estamos em plena era disruptiva e, como o Ronaldo mesmo já apontava em 2007, a utopia não se constrói livre de atrito.

Lembro de me perguntarem num evento em 2009 como manipular as pessoas na Internet. Tinha gente tentando e uma hora conseguiriam e precisamos disso para construir sistemas de resposta (em nossas cabeças antes de tudo, mas também na forma de políticas de dados, privacidade etc). Podemos tentar ser hackers whitehat, mas sempre haverá falhas que serão exploradas por gente inescrupulosa e teremos que aprender com isso como estamos tentando aprender com os fenômenos que tomaram de assalto as democracias dos EUA e do Brasil (entre outros, não é? A série inglesa Years and Years, a propósito, mostra uma instigante versão do mesmo fenômeno).

O transhumanismo ficou como um apêndice ao final podendo parecer que está na discussão por acaso, mas é muito pertinente.

Discordo um pouco do Ronaldo. Vejo a intermediação de inteligências artificiais como inevitáveis para gerenciar uma civilização planetária, mas… por outro lado, concordo que essa IA precisa ser desenvolvida com… ética? princípio? base? ótica? enfim, precisa ser humanista ou podemos acabar descobrindo finalmente qual é a barreira de Fermi.

Olha! Acho que não tem limite para o tamanho dos comentários 😉

Seguindo a sugestão de escrever em nossos blogs vou copiar isso tudo em um post na categoria Gotas no Meme de Carbono e incorporar o vídeo, afinal, nos últimos 19 anos blogando vi muita rede morrer e conteúdo se perder enquanto alguns blogs resistem firmes ainda que nem sempre fortes 😀

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