O programa com o antropólogo e podcaster Orlando Calheiros aborda a dificuldade das esquerdas e, principalmente políticos de esquerda, navegarem e se comunicarem pelas redes.

A densidade de informação é baixa até os 70 minutos, mas vale muito a pena pois tem observações bem úteis que passam por:

  • A esquerda tem desprezado a importância de alimentar e aparecer nas mídias independentes enquanto a extrema direita procura espaços em qualquer nicho de comunicação. Na minha opinião pode ser por um certo academicismo e até um elitismo além de um incoerente conservadorismo que a torna elitista;
  • As pessoas de esquerda estão muito engajadas em ecoar as últimas burrices ou bizarrices da extrema direita e do governo – e alerto que mesmo o compartilhamento de uma captura de tela sem citar o perfil ainda é um eco da mensagem e contribui com a narrativa que a esquerda devia contrapor – alimentando seus perfis e suas narrativas tornando-os omnipresentes nos algoritmos;
  • O objetivo das afirmações polêmicas da direita não é gerar notícia, é gerar afeto, emoção; logo é ineficaz responder com fact check ou considerações racionais.

Tenho que acrescentar uma consideração que pode ser importante:

Apesar da humanidade estar num movimento social progressista com causas raciais, de diversidade de gênero, diversidade cultural etc. essa própria transição produz uma insegurança que torna as pessoas vulneráveis à sedução da estratégia de comunicação da direita terrorista que recorre a guerra híbrida.

O discurso da direita mudou pouco desde 2005 quando o notei pela primeira vez e é bem mais antigo do que isso. O que acontece agora é que ele encontra o momento propício para se propagar.

Duvido que a eficiência da comunicação da direita seja mérito dela e acho mais provável que tenha chegado o seu momento.

E como responder a esse momento? O podcast abaixo passa boa parte do tempo respondendo isso: alimente a sua narrativa, os seus argumentos.

E acrescento que isso deve ser feito passando segurança. Algo como “O mundo está mudado e a única forma de termos paz e segurança é garantindo que todos tenham espaços para viver as suas mudanças. Você não precisa ser invadido pela mudança alheia, não precisa carregar o peso de participar ou impedir a mudança alheia.”

Vá lá:

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