Fonte: Ana Ungaretti no Facebook

Ana fez o texto mais abaixo bem explicativo sobre como são operadas as urnas eletrônicas.

A toda eleição vemos fakenews alertando para a fragilidade das urnas eletrônicas, antes disso alertava-se para fragilidades que não existiam também no processo manual. Tenho considerado que se trata na verdade de colocar em dúvida o processo democrático e que parte de pessoas que não estão interessadas na democracia ou até estão contrárias a ela. A maioria que compartilha está só assustada e levada por viés de confirmação.

Segue o texto:

Vamos aos fatos, depois cada um chega a sua conclusão.

1 – A Urna Eletrônica é uma carcaça tecnológica, tal qual um computador sem nenhum programa instalado. É vazia por natureza. Nunca esteve, não está e nem estará conectada com a Internet, em nenhum momento.

2 – Nós, os servidores e os técnicos de urna – que são cidadãos contratados, pelas regras do mercado, por meio de uma empresa ganhadora de uma licitação e a quem conhecemos apenas quando da Eleição -, nos reunimos em um imenso galpão. Sem qualquer privacidade, ‘preparamos’ as Urnas, inserindo os acessórios que as fazem viver, que são, basicamente: uma mídia, cheia, contendo o nome dos eleitores, e outra mídia, vazia, que vai armazenar os resultados.

3 – Essa preparação é feita em audiências oficiais, públicas, que contam com a presença dos Juízes e dos Promotores Eleitorais. Os fiscais partidários são convidados a comparecer, mas não nos dão o prazer de sua presença.

4 – Depois de conferirmos cada uma delas – e isso inclui conferir data, hora e se estão todas vazias – as Urnas recebem em cada porta de entrada um lacre, com a assinatura do Juiz Eleitoral, são embaladas, e empilhadas, para que a empresa responsável pelo transporte – também ganhadora de licitação – .as recolha, distribuindo-as nos locais de votação na véspera do dia do pleito. Até lá, aguardam dentro de nosso depósito, devidamente cuidadas.

5 – As Urnas são recebidas, lacradas, dentro da embalagem, pelos Delegados de Prédio, que geralmente são os diretores das escolas, públicas ou particulares, que servem de local de votação, ou por pessoas da confiança destes – não conhecemos essas pessoas, não sabemos em quem votam, não os escolhemos, podem ser servidores estaduais ou municipais, sem qualquer vínculo com a Justiça Eleitoral, até mesmo um particular. A escolha é única e exclusiva do Diretor do local.

6 – No dia da Eleição, quatro mesários estarão na seção e abrirão a embalagem da Urna, retirando os lacres, para que se emita o boletim inicial de votação, chamado Zerésima – e esses quatro cidadãos, aleatoriamente reunidos por força da convocação, presenciam, por meio desta Zerésima, que a Urna contém zero votos.
6.1 – Quando a votação encerra, os mesários lacram novamente as urnas, com novos lacres, todos contendo a assinatura do Juiz Eleitoral, depois deles próprios emitirem o boletim e saberem o resultado da Urna de sua seção. Podem, inclusive, levar para casa uma cópia do boletim de urna, mostrando detalhadamente quantos votos cada candidato recebeu naquela seção. Você, também, eleitor, pode aguardar as 17 horas para levar o boletim com você, pedindo uma cópia.
6.2 – Os mesários retiram as mídias, tanto a com o nome dos eleitores, quanto aquela que contém os votos, e as colocam dentro de um envelope que será lacrado por eles.

7 – Finalizada a votação, motoqueiros da empresa de transporte, contratada por licitação, recolhem os envelopes contendo as mídias. Em poucos minutos elas estão todas no local de apuração da cidade – no nosso caso, na Central de Atendimento do prédio da avenida Rio Branco. As Urnas vem bem depois, em um caminhão. Nesse momento, as Urnas deixam de protagonizar as Eleições e já estão dentro das caixas, esperando o retorno para o depósito.

8 – O lacre dos envelopes é rompido, as mídias com o resultado das Urnas são recebidas, lidas e remetidas ao TSE por meio do trabalho de dezenas de auxiliares eleitorais, convocados entre servidores públicos de todas as esferas ou demais categorias, ou até mesmo por cidadãos voluntários.

9 – Quando a zona encerra sua apuração, todos as pessoas ali presentes sabem o resultado de cada uma delas. Todo mundo já sabe qual candidato ganhou em cada seção, quem ficou na frente em cada local de votação, quem obteve a maioria em cada uma das zonas eleitorais da Capital de Santa Catarina. Em poucos segundos, esses dados já públicos, são encaminhados ao TSE para serem somado aos outros e divulgados, em tempo real, sempre de acordo com o que lhe foi enviado.
Basta que todos os Presidentes de Mesa se reúnam, munidos com os respectivos boletins, e façam a soma dos votos para observarem a integridade das informações repassadas.

Enfim, de uma forma bem básica, não necessariamente precisa e detalhada, para leigos entenderem, esses são quem estão envolvido no processo todo – servidores, Juízes, técnicos de Urna, fiscais, Promotores, Mesários, Auxiliares……

Teoricamente, tudo pode acontecer. Teoricamente, bastaria um choque de átomos para começar um novo mundo, mas quantos mundos a humanidade já criou?.

Na prática, ainda que existisse uma brecha temporal nessa dinâmica acelerada para propiciar a adulteração das mídias – e não há, lembrem-se que os resultados são divulgados em menos de duas horas – é muita gente para calar.

Então, apenas parem.