Imagem: captura do vídeo no Youtube

Sugerir que todo o tráfego das cidades deve ser feito por veículos autônomos é uma quebra de paradigma que já começa a se tornar óbvia, um futuro inevitável e não muito distante, mas a comparação com o nosso sistema vascular é um bom argumento para sensibilizar os ainda céticos.

No entanto há uma quebra de paradigma que pelo jeito ainda não é óbvia, mas vejo como uma tendência necessária: o fim da romantização do transporte individual e o surgimento da admiração, da paixão pelo transporte coletivo.

Por algumas décadas temos testemunhando uma sociopatia assumindo o senso comum: humanos são uma praga, humanos são ruins, não quero contato com humanos.

Considero que essa percepção é consequência de sociedades estabelecidas sobre estereótipos, do crescimento das cidades e do estreitamento das barreiras geográficas, ou seja: ainda nos dividimos em tribos, estamos acumulando tribos em espaços geográficos restritos e as longas distâncias se tornam cada vez menos longas.

Um bom exemplo da materialização dessa sociopatia está no crescimento dos filmes de zumbis desde as décadas de 60 e 70, mas já vemos filmes humanizando esses monstros urbanos.

Ainda é uma mudança que parece distante, no entanto considero natural do desdobramento da sociedade hiperconectada e obrigada a lidar com a crescente proximidade da diversidade humana que se torne mais fluida e a cultura fluida deve tender a fazer a transição da tolerância da diversidade para a admiração da diversidade. Nesse contexto o transporte coletivo deve ser visto como uma interação agradável.

What a driverless world could look like | Wanis Kabbaj