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Mesmo que esse trecho do programa não tivesse chamado qualquer atenção do público ainda seria um símbolo da mudança de paradigma por que passamos.

A grande mídia nunca gostou de ser criticada, assumindo seus erros somente quando obrigada. Isso é parte da natureza do poder centralizado: o eixo do poder deve estar firme para garantir a sustentação da própria sociedade.

Questionar o governo, a mídia ou a economia era visto (e talvez fosse de fato) como atos de subversão.

Quando uma das maiores redes de mídia do mundo cria um espaço onde se permite colocar como vilã de um problema social explorando uma demanda não saudável da sociedade temos um passo determinante para a inserção de um novo paradigma.

A Rede Globo é líder em vários setores da mídia porque tem um “faro” notável para as mudanças de paradigma.

Há pouco tempo Paulo Coelho era estudado como case de marketing por deixar um espaço em seu próprio site para falarem mal dele, algo raro para pessoas públicas e mais ainda para empresas.

Esse programa mostrou que a Globo percebe a necessidade de se mostrar disposta a abrir espaço nela mesma para ser criticada, publicamente criticada.

Muita gente tem compartilhado esse vídeo com o título “O dia que a Globo se fudeu”, mas vejo como uma certa ingenuidade que o resultado não tenha sido esperado ou até programado, mas isso não importa. Ainda que cada frase tenha sido ensaiada antes o ponto importante dessa matéria é a mídia já procurando se encaixar no novo paradigma.

E que paradigma é esse?

Ora, a cada dia o poder é mais distribuído, as falhas do antigo eixo central são expostas ostensivamente em sites como o Wikileaks ou mais discretamente entre emails e chats.

Ao se colocar na berlinda a corporação midiática se iguala ao cidadão que quer sentir-se parte do novo poder descentralizado e compartilha a matéria com suas interferências ou ainda faz um vídeo comentando-a.

Claro que o tema escolhido foi um aparentemente menos sério e que acabaria causando antipatia contra o ator e não contra a TV já uma grande parte da sociedade não vê essa espetacularização como algo ruim. No tentanto o passo no sendido de se colocar como “criticável” já foi dado. A direção do movimento foi definida. Veremos se a mídia de massa consegue conduzir esse movimento de forma positiva para ela.

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