As eleições estão encerradas (onde não houver segundo turno) e essa semana fui chamado pela TV Alerj para falar junto com o Nepomuceno sobre Internet e as eleições 2010. Esse post é para acrescentar algumas observações posteriores. A propósito, não creio que fui muito claro no programa, mas preste bastante atenção no Nepô (o programa não está mais no ar).

Analisar o uso que os candidatos fizeram das redes sociais online e da Internet (uma coisa existe dentro da outra, mas não são a mesma coisa, óbvio) é uma tarefa possível, já medir o impacto da Internet nas eleições é um enorme desafio por um motivo muito claro:

No Brasil a interseção entre internautas e não internautas é enorme e, mesmo sem memes virais que poderiam ser detectados como o do Obama, há intensa influência entre micro-redes de contato.

Por isso não me atrevo a dizer que essas foram as eleições da Internet. Primeiro porque os políticos definitivamente não souberam usá-la prevalecendo emails difamatórios (geralmente contra o PT). Em segundo lugar porque não houve uma mobilização maciça, viral, do eleitor.

A falta da mobilização ao meu ver não se deu por alienação ou por analfabetismo digital, mas por dois motivos principais: o assédio moral contra quem se atrevesse a defender o PT era intenso e nenhum dos candidatos tinha o carisma ou defendia princípios que fossem ao encontro dos desejos da grande maioria. Essa opinião se estende a todos os cargos.

Na reta final das eleições uma onda verde se levantou no Twitter demonstrando apoio à candidata Marina Silva cujas ideologias políticas e religiosas incomodam as classes sociais predominantes em locais como o Twitter. Entendo o fato como um transbordamento da mobilização das redes sociais offline e um tipo de grito sufocado depois de meses de silêncio por força do assédio moral que já citei.

É importante notar que nenhum partido ou candidato foi tão atacado pela mídia quanto o PT e a Dilma, mas sua posição nas pesquisas é sólida. Note também que o poder midiático da candidatura Serra é quase exponencialmente maior do que o da candidata do partido Verde e assim mesmo ela tem um volume de intenções de votos muito significativo.

Vejo isso tudo como um sinal claro de que as pessoas estão dando ouvidos a outro poder que não é nem o da mídia, nem o religioso: elas estão ouvindo umas às outras.

É o prestígio das suas redes sociais offline que está fazendo frente ao avassalador poder de mega instituições que sempre falaram de poucos para muitos.

No entanto, nesse ponto é importante que nos perguntemos: como essas redes sociais offline puderam fazer frente à saturação de informação da mídia? Até que ponto as ideias não vinham traçando um caminho híbrido entre os meios offline (voz) e online (telefone, email, chats, comunidades, fotologs)?

No programa que entrou no ar pouco antes desse post eu disse que essa não foi a eleição da Internet, agora percebo que talvez estivesse errado, mas de uma coisa não podemos duvidar: essa eleição apontou nitidamente para o desgaste da mídia e do poder religioso.

Declarando e explicando meus votos

Uma coisa que irrita todos nós é a falta de memória política. Além disso falta-nos o costume de explicar logicamente nossas opções, então aqui vai minha memória e razões dos meus votos.

  • Presidente: Marina Silva. Apesar de me preocupar com as convicções religiosas dela me parece que foi uma das que assumiu mais sinceramente a defesa do estado laico. Esse voto não foi por convicção na candidata, mas de alinhamento ideológico. Uma forma de somar minha pequena voz a outros que, acredito, votaram nela por entender que sua plataforma se estabelece sobre os pilares da educação, desenvolvimento (social e econômico com viabilidade ambiental), e o retorno a várias propostas boas do PT que foram esquecidas. Em caso de segundo turno votarei na Dilma pela continuidade do rumo atual do governo que considero bom e por entender que os adversários de direita, ao contrário dos de esquerda, contam com a simpatia da mídia. Creio que a mídia é vigilante com o PT de uma forma que não seria com outros partidos
  • Governador: Fernando Gabeira. Outro voto não exatamente no candidato, mas na estratégia política que ele representa. Só aprovo a Pax Romana de Cabral como medida paliativa e não o vejo propondo soluções efetivas a longo prazo e Gabeira simboliza o pensamento humanista que respeita as liberdades individuais como os direitos dos homosexuais e coloca o foco da paz na construção de uma sociedade com acesso à cultura, educação e inclusão no sistema produtivo (emprego)
  • Senador 1. Milton Temer. Tenho restrições firmes contra a proposta de lista fechada, mas até onde conheço a trajetória política e pessoal dele trata-se de político seríssimo e dedicado.
  • Senador 2. Cesar Maia. Me recuso a votar nulo e havia opções que considero desastrosas. Meu voto foi contra o engrossamento de políticos dispostos a prejudicar o estado laico
  • Deputado Federal: Alessandro Mollon. Além de, até onde apurei, ser honesto e dedicado creio que entende as necessidades de um estado coerente com a era do conhecimento onde a Internet é uma ferramenta primordial para o estabelecimento de uma nova forma de democracia
  • Deputado Estadual. Carlos Minc. Sempre votei nele por observar que, apesar de discordar com várias ações dele, entendo que sempre foi sinceramente conduzido por ideais humanistas e busca boas bases para construir uma nova sociedade.

Quero observar que considero o desenvolvimento do nosso país inevitável assim como o dos países da África. Esse é o movimento que o mundo tem feito há décadas e continuará.

O furor das discussões políticas se deve a um jogo sustentado por partidos e pela mídia que acuam o cidadão comum deixando-o apavorado como se a existência do país estivesse condicionada aos políticos eleitos, não está.

Todos os países do planeta se afastarão da miséria, da corrupção, do consumismo desenfreado de átomos pois essas são condições para a nossa auto preservação genética, para o crescimento das corporações e continuação da evolução memética.

Pin It on Pinterest

Share This

Compartilhe!

Mande para suas redes sociais